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Além da covid, saúde mental e casos de abuso preocupam Semed na volta às aulas

Durante a pandemia, 111 alunos e profissionais da Edcuação na REME perderam alguém para covid

Por Paula Maciulevicius Brasil | 29/07/2021 12:42
Volta às aulas presenciais ocorreu nessa segunda-feira (26), depois de quase um ano e meio de ensino remoto. (Foto: Paulo Francis)
Volta às aulas presenciais ocorreu nessa segunda-feira (26), depois de quase um ano e meio de ensino remoto. (Foto: Paulo Francis)

O aspecto psicológico é um dos pontos que a Semed (Secretaria Municipal de Educação) tem se preocupado na volta às aulas presenciais. Desde antes da pandemia, um grupo de psicólogas já atendia as crianças. Depois dos casos de covid-19 e suspensão das aulas, o acolhimento passou a contemplar todos os servidores.

Conforme levantamento feito pela Semed, 111 funcionários e alunos da Reme (Rede Municipal de Ensino) perderam familiares para a covid e precisaram de apoio psicológico.

O trabalho dos psicólogos, apesar de poucos em números, demonstra resultado. Em quatro dias de volta ao ensino presencial, a Semed já identificou um caso de criança que sofreu abuso sexual durante a pandemia.

São 14 profissionais que se dividem em duplas nas sete regiões da Capital: Centro, Lagoa, Anhanduizinho, Prosa, Segredo, Imbirussu e Bandeira, para o universo de 109 mil alunos e cerca de 13 mil servidores. Fazendo as contas, um psicólogo atende 8,7 mil pessoas.

Mais do que a própria covid-19, o que preocupa a Semed agora é a saúde mental de alunos e servidores, além das suspeitas de casos de abuso sexual sofridos, muitas vezes, em casa.

Além de boas-vindas, aula presencial requer também acompanhamento psicológico de alunos e servidores. (Foto: Henrique Kawaminami)
Além de boas-vindas, aula presencial requer também acompanhamento psicológico de alunos e servidores. (Foto: Henrique Kawaminami)

"Durante este tempo em que nós ficamos com a escola parada por conta da pandemia, já no ano passado, começamos o trabalho de acolhida com os diretores, coordenadores e servidores administrativos e professores, porque muitos deles tiveram perdas para a covid", fala a superintendente de Gestão e Normas da Semed, Alelis Izabel de Oliveira Gomes.

No retorno, a atenção tem sido aos alunos, e segundo a superintendente, já começaram a "pipocar casos de crianças com abalo psicológico". "Inclusive uma sinalizou abuso sexual, a gente já sabia que ia acontecer, porque é muito tempo fora da escola", comenta Alelis. Isso, porque se sabe que a maioria dos abusos acontecem em casa e, na escola, os professores começam a perceber a mudança no comportamento das crianças.

Acolhidos primeiramente, são os profissionais que estão ao redor dos alunos, que são capacitados para perceber a mudança de comportamento nas crianças, e então repassam a demanda à Semed. "Durante este período de retorno, estamos com todos os técnicos distribuídos nas escolas para poder atender. Quando as escolas detectam essa criança com abalo psicológico, imediatamente, passam por psicólogas para fazer a intervenção", explica a superintendente.

Uma das dinâmicas feitas pela Semed e que professores reproduziram em sala. (Foto: Divulgação)
Uma das dinâmicas feitas pela Semed e que professores reproduziram em sala. (Foto: Divulgação)

Além da covid - O acompanhamento psicológico dos alunos está focado em ir além da covid. "Hoje penso que a doença maior não é mais a covid, é a doença mental, é o socio-emocional. Essas síndromes que abalam muito o emocional já eram as doenças da modernidade, mas com a pandemia, afloraram muito", descreve Alelis.

Embora muita gente ainda pense que não existe depressão infantil, a Semed alerta que não só existe, como acontece com um número muito grande de crianças. "A depressão, ela já vinha antes da pandemia, as famílias viviam um isolamento escolhido, cada um no seu mundo, só que depois que veio a pandemia, todo mundo foi obrigado a ficar no isolamento. Soma-se o antes e o depois", conta.

Psicóloga e professora, Fátima Vaz dos Santos é a profissional que fica na Semed preparada para atender alguma emergência. Nos servidores, a profissional elenca que os impactos psicológicos são pânico, ansiedade e depressão. Já nos alunos, apesar de muito variável, o que o grupo mais observa são abusos sexuais, ansiedade e depressão.

"Nós temos polos instalados em algumas escolas onde tem duas psicólogas que se deslocam para outras quando há necessidade. Nós fizemos lives nos preparando para o retorno, de forma que diretores, coordenadores e professores se sentissem acolhidos e conseguissem acolher".

Em escola, árvore traz bons sentimentos e aflora o que alunos têm de melhor. (Foto: Divulgação)
Em escola, árvore traz bons sentimentos e aflora o que alunos têm de melhor. (Foto: Divulgação)

Técnicas - Para a sala de aula, os professores estão levando técnicas que foram trabalhadas com os profissionais, como a árvore e o poço.

"Primeiro, começamos com o poço, onde eles jogam ali o que não querem mais, o que incomoda. Por exemplo: a tristeza, a ansiedade. Ao mesmo tempo em que joga no poço, tem que pensar numa estratégia para eliminar isso do corpo", descreve.

Depois é a vez da árvore, onde servidores e também crianças vão colocando pontos positivos e o que querem para si. "São técnicas que a gente usava dentro da vivência e que os professores estão utilizando na escola", explica Fátima.

Na semana que vem, a Semed vai fechar o balanço dos impactos psicológicos trazidos pelos alunos nos primeiros dias de retorno presencial.

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