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Capital

Além de comprovar necessidade, passageiros esperam até 2h por ônibus

Funcionários do setor de saúde usam crachá ou uniforme para embarcar; com frota reduzida, trajetos foram alterados

Por Danielle Errobidarte | 28/03/2020 19:21
No terminal Peg-Fácil haviam mais funcionários do consórcio do que passageiros esperando embarque. (Foto: Henrique Kawaminami)
No terminal Peg-Fácil haviam mais funcionários do consórcio do que passageiros esperando embarque. (Foto: Henrique Kawaminami)

A partir de segunda-feira (30), passa a valer a liberação do transporte coletivo para trabalhadores de supermercados e farmácias, incluídos nos serviços essenciais, segundo confirmação do Prefeito Marquinhos Trad na manhã deste sábado (28). Passageiros que já dependem dos ônibus e trabalham no setor da saúde, enfrentam a escassez nas linhas e um longo intervalo entre um veículo e outro. Apesar disso, os motoristas comprovam a veracidade dos profissionais através dos crachás e uniformes, conforme determinado pelos decretos municipais.

No terminal Peg-Fácil da Praça Ary Coelho, na Rua 13 de Maio, a movimentação era pouca para quem voltava do serviço durante a tarde. Com mais funcionários do Consórcio do que passageiros esperando embarque, o tempo de espera aumentou ainda mais. Aparecida Pereira, de 50 anos, aguardava pela linha 129, com destino ao Bairro Aero Rancho, onde mora. Funcionária de clínica médica, ela precisa andar seis quadras a mais do ponto de ônibus até sua casa.

Aparecida utiliza o crachá, que carrega na bolsa, e o uniforme para comprovar que trabalha em clínica médica. (Foto: Henrique Kawaminami)
Aparecida utiliza o crachá, que carrega na bolsa, e o uniforme para comprovar que trabalha em clínica médica. (Foto: Henrique Kawaminami)

“Antes eu pegava o 083, expresso, ia mais rápido e parava na esquina de casa. Agora, se não pego o ônibus das 8h10, ele só passa de novo 9h40 e eu entro 10h. Chego no serviço pelo menos uma hora mais cedo. Quando perco, meu patrão até paga uber, mas o tempo entre um ônibus e outro é grande”, explica.

Margarida Abreu, de 55 anos, também não pode perder o primeiro ônibus para o trabalho, no Hospital Militar. Diferente de Aparecida, ela não tem auxílio caso perca o transporte. “Moro no Noroeste e pego o ônibus 5h50. Como entro 7h, se perder esse chego atrasada”. Pelo pouco movimento, Margarida é a única passageira a embarcar na linha 523 Maria Aparecida Pedrossian, no Terminal Peg-Fácil da Praça Ary Coelho.

Margarida mora no Jardim Noroeste e foi a única a embarcar na linha Maria Aparecida Pedrossian. (Foto: Henrique Kawaminami)
Margarida mora no Jardim Noroeste e foi a única a embarcar na linha Maria Aparecida Pedrossian. (Foto: Henrique Kawaminami)

Quanto à comprovação da necessidade de utilizar o transporte coletivo, Aparecida afirma que os funcionários do Consórcio Guaicurus verificam a veracidade. “De vez em quando pedem o crachá, depende do motorista. Quando pego ônibus mais para o final da tarde, fico sozinha no ponto. Acho que por desconfiarem quando dou a mão, é certeza que preciso comprovar, mas geralmente só o uniforme basta”.

Ampliação - Haverá uma nova reunião na próxima segunda-feira (30) entre o prefeito e a direção do Consórcio Guaicurus, para saber se haverá necessidade de ampliar as linhas que estão em atuação, que no momento com 22 (linhas).

Outro ponto é saber como “filtrar” estes profissionais para que não haja aglomeração de pessoas dentro dos ônibus, que poderia contribuir para propagação do coronavírus. Depois do decreto suspendo o transporte (público), até este sábado (28), só estavam usando estes veículos os trabalhadores da área de saúde.