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Campo Grande, Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

24/08/2013 08:00

Além de vias largas, Cidade Morena vira refúgio de quem fugiu da violência

Jéssica Benitez
Vinda do Pará, família diz que não pretende sair de Campo Grande (Foto: João Garrigó)Vinda do Pará, família diz que não pretende sair de Campo Grande (Foto: João Garrigó)
Além de vias largas, Cidade Morena vira refúgio de quem fugiu da violência

Em meio à onda de violência que assola inúmeras regiões do País, onde notícias escabrosas ilustram páginas dos jornais todos os dias, Campo Grande se destaca por estar entre as cinco capitais menos violentas. Segundo levantamento feito pelo Cebela (Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos), a cidade Morena ocupa o 4° lugar no ranking de homicídio com 21,4 em 2011, número embasado no cálculo a cada 100 mil habitantes. São Paulo (11,9), Florianópolis (20,4) e Boa Vista (21), ficaram com os três primeiros lugares do pódio.

Em comparação ao número de homicídios da última década, a Capital sofreu queda de 37,2%, tendo em vista que em 2001 o índice era de 32,1. Prestes a completar 114 anos, Campo Grande é reconhecida nacionalmente pela beleza e acima de tudo pela seguridade que oferece aos moradores, motivos que levam pessoas de todo o Brasil a virem morar aqui em busca de vida tranquila.

A cidade atrai famílias inteiras como é o caso da contadora, Márcia Ventura, 43 anos, que nasceu e morou grande parte de sua vida em Belém, capital do Pará, cidade que, segundo ela, é maravilhosa não fosse a violência urbana que assombra a população. A decisão de escolher outra capital para morar se intensificou quando suas duas filhas, Yasmin, 18 anos, e Ianka, 16, além de sua mãe, Odete, 66 anos, foram vítimas de assalto à mão armada em plena luz do dia.

“O homem fingiu ser flanelinha. Depois de minha mãe estacionar o carro, ele bateu no vidro com a arma apontado para elas e conseguiu quebrar a janela, entrou no carro, começou a gritar para a minha mãe e as minhas filhas saírem do carro, com a graça de Deus elas saíram e ele foi embora com o veículo, após 26 dias a polícia achou a carcaça do veículo”, contou.

Bastou o episódio para traumatizar a família a ponto de ninguém mais sair de casa a não ser para ir à terapia que também foi fruto do assalto. Depois de três anos do ocorrido as moças já conseguiam retornar à normalidade, mas a idosa parou de dirigir e desenvolveu síndrome do pânico. “Foi muito difícil, minha mãe voltou a dirigir este ano”, relembra. De 2001 a 2011, Belém cresceu 63% no mapa da violência. Passou de 352 homicídios para 574, acupando o 15° lugar no ranking de capitais menos violentas.

Márcia conta que até hoje se recorda com carinho da cidade natal, sente falta das comidas típicas, das pessoas, dos lugares, mas precisava achar uma capital que ofertasse qualidade de vida à família. Encarou pesquisa árdua em busca de novos destinos durante 1 ano e meio. Foi quando veio passar 10 dias em Campo Grande e percebeu que aqui era o local ideal para viver. Com os olhos cheios de lágrimas as quatro mulheres se despediram do Pará, deixaram para trás muitas lembranças e abriram os corações para outra jornada.

Embora tenha enfrentado as dificuldades de quem segue novo rumo, hoje Márcia se diz uma verdadeira campo-grandense e garante, “o que eu tenho a dizer desta cidade é que nenhuma de nós quer sair daqui. Eu não tenho o que me queixar, pelo contrário tenho muito a agradecer pelo povo maravilhoso e hospitaleiro que abriu os braços e o coração para mim e minha família. Nós construímos em dois anos aqui a nossa família sul-mato-grossense”, comemora.

A seguridade de Márcia em trazer as filhas para cidade também é reflexo da colocação de Campo Grande no mapa da violência. Conforme o mesmo levantamento, o Município está entre as cinco capitais com menor índice. Foram 58 homicídios entre jovens no ano de 2011, queda de 32% se comparada às 86 mortes em 2001. Somente Boa Vista, Rio Branco, Palmas e Florianópolis estão à frente no ranking. Porto Velho está no mesmo patamar com 58 assassinatos.

Capital ganhou fama de tranquila país afora (Foto: João Garrigó)Capital ganhou fama de tranquila país afora (Foto: João Garrigó)

Segundo o sociólogo, Paulo Cabral, que é paulistano, mas mora em Campo Grande há 32 anos, a mudança de cidade é mais fácil quando a pessoa tem predisposição, mesmo que seja motivada por fatos traumáticos, como é o caso da contadora. “O exílio voluntário é um passo importante para adaptação. Mesmo que mudança implique em deixar para trás um pedaço de sua história, o migrante vai construir outro no lugar em que está”, explicou.

A fama de que a capital sul-mato-grossense inicialmente é menos receptiva inicialmente é verdadeira, pois, de acordo com o sociólogo, um terço dos “forasteiros” que povoaram Campo Grande são paulistas ou mineiros, pessoas que vêm de culturas mais introspectivas, tornando-se uma característica da população nativa.

Por outro lado, Paulo garante que depois da fase de inserção à vida campo-grandense, migrantes conquistam bons e verdadeiros amigos na cidade Morena. “Quando quem vem de fora é acolhido já está em casa, não é algo superficial. Tanto que, de modo geral, migrantes têm projeto de permanência na Capital. Eles querem estar aqui”, finalizou.



Que linda foto, família maravilhosa, abençoada por Deus!Grande Abç Vagner.
 
Vagner Mara Xavier em 24/08/2013 22:18:15
Que sejam bem vindas as pessoas de bem!! E tomara Deus, que os bandidos de outros estados, não tomem conhecimento da paz de nossa capital.
 
Alfredo Carvalho de Souza Gomes em 24/08/2013 15:48:19
Bem vindas ao querido Mato Grosso do Sul, realmente Campo Grande é uma bela cidade e com ótima qualidade de vida; hoje resido em Dourados, que voces devem conhecer também, por questões profissionais, mas me criei em C. Grande onde cheguei aos nove anos oriundo da capital paulista, ainda no Estado de Mato Grosso. Meus pais eram baianos e temos muitos familiares que adotaram este Estado como novo lar. Que sejam muito felizes aqui e que as gerações futuras da tua familia sejam sul matogrossenses.
Há poucas semanas neste mesmo informativo saiu matéria sobre uma comerciante do Pará que montou peixaria apenas com peixes de lá dentre outras coisas, temperos, cerâmica marajoara e salvo engano fica na rua Rodolfo José Pinho; creio que não será difícil acharem e matar a saudade. Tudo de bom.
 
Erudilho Nabuco em 24/08/2013 10:54:56
A capital ganhou fama de cidade boa, mas o prefeito atual ta tirando essa fama, pois o povo de campo grande queria tanta mudança que agora esta acontecendo. A saude pessima, falta tudo nos postos de saude. escola se tiver aula a semana inteira era bom, mas muitas vezes nao tem. vias mal cuidadas, semaforo queimados.... entao se nao sao os moradores cuidarem de seus bairros a cidade ia ser um verdadeiro mato grosssooo...
 
marcio silva em 24/08/2013 09:33:00
Informo para minhas conterrâneas que referente as comidas típicas do Pará realmente faz muita falta,mais algumas coisas podemos matar a vontade,em uma peixaria que descobrir pelo campo grande News que chama peixaria Du Pará, lá se encontra algumas variedades de peixes ,camarão da nossa terrinha e outras coisas a mais,se desejar o endereço é só buscar no site do campo grande News que vcs encontram.
 
Débora Sarmento de oliveria em 24/08/2013 08:40:35
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