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Capital

Alvo de operação, ex-policial já foi preso por suspeita de desvio de "muamba"

Augusto Torres foi acusado de revender contrabando, chegou a confessar, mas foi absolvido por falta de provas

Por Silvia Frias e Bruna Marques | 24/09/2026 11:35
Alvo de operação, ex-policial já foi preso por suspeita de desvio de "muamba"
Augusto Torres durante depoimento prestado à Justiça Federal, em 2025 (Foto/Arquivo)

Preso nesta quinta-feira (24) na Operação Infiltrados, que apura suspeitas de participação de policiais civis, militares e penais em esquema de desvio e venda de drogas apreendidas, o ex-policial Augusto Torres Galvão Florindo já havia sido alvo de outra investigação envolvendo suspeita de irregularidades com materiais apreendidos.

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Ex-policial preso na Operação Infiltrados, Augusto Torres já havia sido investigado em 2025 por suspeita de desvio de mercadorias contrabandeadas sob custódia da Polícia Civil. Na ocasião, foi preso ao receber R$ 130 mil, mas foi absolvido por falta de provas. Apesar disso, foi demitido administrativamente pela Sejusp em setembro de 2026. Agora, é investigado por envolvimento no desvio e venda de drogas apreendidas.

A prisão de Torres na operação foi confirmada pela reportagem do Campo Grande News.

Em 28 de novembro de 2025, ele já havia sido preso em uma apuração sobre suposto desvio e venda de mercadorias contrabandeadas que estavam sob custódia da Polícia Civil.

Na ocasião, Augusto, que era lotado no Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), foi preso em Campo Grande, após receber sacola com R$ 130 mil em dinheiro. A investigação apontava que o valor estaria relacionado à negociação de produtos contrabandeados apreendidos e posteriormente desviados.

Durante o processo, Augusto apresentou versões diferentes sobre a origem do dinheiro. Em depoimento inicial, segundo a investigação, teria admitido participação na venda de produtos apreendidos, mas posteriormente afirmou à Justiça que havia sido contratado para realizar um transporte de valores. A defesa também alegou que ele fazia tratamento para TDAH e ansiedade crônica e que isso teria influenciado as declarações dadas inicialmente.

O caso chegou à Justiça Federal e envolveu também um ex-guarda civil metropolitano e uma mulher. Em agosto de 2026, o juiz federal Luiz Augusto Iamassaki Fiorentini absolveu os três réus das acusações de corrupção passiva e corrupção ativa por falta de provas suficientes de que o dinheiro recebido por Augusto estivesse relacionado à função pública exercida por ele.

Apesar da absolvição criminal, a investigação teve consequência administrativa. Em setembro de 2026, a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) publicou a demissão de Augusto após processo administrativo disciplinar. A defesa informou que iria recorrer da decisão.

Na sentença criminal, a Justiça reconheceu que os R$ 153,5 mil apreendidos tinham origem ou finalidade ilícita, mas entendeu que não havia provas suficientes para comprovar o crime de corrupção atribuído ao investigador. O valor foi determinado como perdido em favor da União.

A Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) informou que os servidores presos na Operação Infiltrados já eram monitorados e investigados internamente antes da ação deflagrada pelo Gaeco em conjunto com as Corregedorias das forças de segurança. Segundo a pasta, a investigação identificou suspeitas envolvendo agentes públicos que teriam desviado drogas apreendidas para comercialização ilegal.

A reportagem não conseguiu contato com a defesa do ex-investigador.

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