A notícia da terra a um clique de você.
Campo Grande, Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

17/09/2012 15:54

Aos 16, garoto dependente se transforma em agonia dos parentes

Paula Maciulevicius
 Aos 16, garoto dependente se transforma em agonia dos parentes
A tristeza de uma avó que vê o filho sendo arrastado para as drogas pelas mãos da própria mãe. (Foto: Pedro Peralta)A tristeza de uma avó que vê o filho sendo arrastado para as drogas pelas mãos da própria mãe. (Foto: Pedro Peralta)

Uma avó que moveria o mundo pelo neto. Uma tia que chora com o coração a dor de ver o sobrinho chegar a este ponto. E um adolescente que pede ajuda, mas não admite que ultrapassou dos limites e que cruzou a barreira para o vício.

O Campo Grande News começou neste fim de semana a relatar o vazio dos olhos de quem virou vítima da droga. O personagem de hoje tem 16 anos. Perdeu a infância e agora caminha para perda da adolescência. No lugar de uma mãe que luta para tirar o filho da situação está uma que vive sob o efeito de entorpecentes. Ao invés de levar o filho pela mão foi ela quem o arrastou para a pasta-base.

"Ela não me dá carinho já tem muito tempo. Antes abraçava... Meu último presente? Ah foi de aniversário de 11 anos, um celular", desabafa. Cinco anos depois, ele é vítima do poder devastador da dependência química. Viu a mãe cair para o vício. "Ela não usa na minha frente não. Mas está sempre assim".

"A casa era toda mobiliada, ela foi dando tudo para pagar, 'dona'. Tudo. Já tive que dar a minha bicicleta pra pagar dívida dela". O menino viu tudo de perto e seguiu o mesmo caminho. "Uso pasta-base, só que não faz muito tempo, não chegou a dominar eu não", tenta dizer à entrevista e a si mesmo.

Há aproximadamente dois meses a família por parte de pai recebeu uma ligação para buscar o adolescente no posto de saúde do Coophavila. "Eu chorei vendo meu neto daquele jeito. Só Deus sabe, só vendo", diz dona Maria Pompeia de Mouras, 69 anos.

O garoto estava mal vestido, ensanguentado e descalço. Com ferimentos nos braços e magro. Foi parar ali depois de apanhar no bairro onde mora, Dom Antônio Barbosa. A conversa que chegou aos familiares, foi que ele, a mãe e o padrasto foram pegos praticando furto. A história que o menino conta é diferente, mas não foge do contexto de quem vive pela droga.

"Esse machucado? Foi uma situação que caí em cima do braço". Ele para, dá uma pausa, desvia o olhar e volta o braço para perto do corpo. Respira e retoma, ainda mais devagar e baixinho, como se falasse para si mesmo. "Foi briga. Meu padrasto e minha mãe, por dívida. Sobrou pra minha mãe e eu não deixei, entrei no meio e os caras acabaram me ferindo", relata.

A tia e a avó paterna passaram a desconfiar do uso há dois anos. "Ela teve uma parcela muito grande nisso, foi a convivência. Antes ele negava, você podia ver ele usando, mas ele negava", diz a tia Márcia Pompeia dos Santos, 30 anos.

Os familiares relatam com muita dor e um pouco de culpa o fato da mãe do adolescente estar viciada há pelo menos cinco anos. Hoje com 45, entregou a casa que tinha para a mão dos traficantes, uma forma de alugar em troca de entorpecentes.

O 'motivo' pelo qual teria entrado para as drogas é ainda mais decadente. "Numa obsessão por emagrecer, um dos namorados que ela teve disse que se ela começasse a usar... Ela pesava 130 quilos, hoje está com menos de 50", conta Márcia - e entregue ao vício.

A casa, no bairro Dom Antônio Barbosa, está em poder dos traficantes e a rotina da mãe do adolescente é usar pasta-base em uma chácara na região, no mato, no meio do nada.

"Desestrurou a família toda, mas agora é a hora de ajudar, tem que fazer isso enquanto ele ainda está buscando", desabafa a tia em tom de voz normal, mas por dentro, o pedido sai como um grito por socorro. A família é bem humilde, mora em uma casa entre os bairros Marcos Roberto e Vila Nhanhá. A avó diz a todo custo que o neto vai sarar em nome de Jesus. Fé a que ela se apega de que o menino vai sair dessa. Se vê nos olhos de dona Maria a parcela de culpa que ela carrega.

Com os álbuns de fotografia em mãos, ela mostra fotos da família toda, do casamento de um neto, da formatura de outro, como quem tenta justificar que ali, apesar da simplicidade, todo mundo virou boa gente. "Quando eles se separaram, meu filho e a mãe dele, eu pedi a guarda deles, mas ela disse que não. Não daria os filhos por nada e hoje..." Ela não termina a frase, mas fica subentendido que não faltaria muito para trocar os filhos pela droga.

O adolescente não viu outro caminho. Forçado pela convivência com a mãe viciada há 5 anos, ele admite que usa pasta-base e pede ajuda. (Foto: Pedro Peralta)O adolescente não viu outro caminho. Forçado pela convivência com a mãe viciada há 5 anos, ele admite que usa pasta-base e pede ajuda. (Foto: Pedro Peralta)

Enquanto a entrevista segue o adolescente fica cabisbaixo. Fala pouco, por medo ou vergonha. Mas quando olha nos olhos, passa o sentimento de carência, de quem entrou nas drogas porque era este o 'exemplo' que tinha em casa. As mãos são todas queimadas, machucadas pelo trabalho que faz, de catar recicláveis no lixão para pagar o vício. "Catava latinha e papelão, isso é porque não uso luvas", explica sobre os machucados.

"Estou vendo ultrapassar onde queria". A reportagem questiona qual era o limite que ele podia chegar - "tipo usando de um jeito, mas está começando a querer dominar, aí parei". Quando o Campo Grande News entrevistou o garoto ele estava limpo a quatro dias e pedia ajuda.

"Queria me recuperar, com certeza e tirar a minha mãe disso, mas pra ela vai ser difícil, aquilo lá é felicidade plena pra ela", resume.

Esta é a terceira vez que o menino vem até a casa dos familiares do pai. Segundo relatos da tia e da avó, foi o mais chocante encontro. "Ele voltou parecendo um mendigo. Fomos socorrer ele, estava sem documento. Quando ele me abraçou eu quase desmaiei. Ele quem disse eu preciso sair dessa", conta a tia.

O menino poderia viver bem com a mãe se não fosse pelo vício. Além da casa ter sido cedida aos traficantes, o cartão da conta onde a mãe recebe a pensão de um dos maridos também fica em poder dos donos da boca de fumo. "Nem fica com ela, só com eles direto. Entrou o dinheiro eles vão e sacam para pagar o que ela deve". A tia calcula que o valor é em torno de R$ 800 mensais.

"Parece que ela está na casa de uma amiga, eu vou atrás dela. Eu ainda não desisti", completa a tia.

Com lágrimas nos olhos, ela traduz o sentimento que não é possível descrever em palavras. O de ver o poder que a droga tem de desestruturar uma família inteira, e ela como parente, estar à mercê do vício, não por ser usuária, mas estar de mãos atadas como tia que quer e tenta fazer alguma coisa para salvar o sobrinho.

"Nossa, não tem nem como explicar, porque quando você vê na rua, é uma coisa. Mas no posto, todo mundo olhando, com medo. Só a gente sabe, que cuidou desde pequeno. Tem como recuperar, mas de fora, as pessoas não veem que tem cura, que é doença e que precisa de tratamento".

"Minha vontade sempre foi tirar ele disso, ele estava meio ressabiado, mas eu disse vou ajudar a mãe dele também, aí ele se abriu, se emocionou, chorou. Quero ter uma família, quero entrar para o quartel", disse a tia.

"Se Deus quiser, vou terminar os estudos e ter uma profissão", diz o adolescente agora, ainda sem o efeito da abstinência.



acho que devemos pensar mais antes de julgar o mundo sempre gira e um dia pode ser uma pessoa querida nossa nesta situação se o mundo está assim hoje é porque as pessoas só olham para o proprio umbigo. Que Deus ajude essa familia porque se ele pode dar força.
 
lau barcellos em 19/09/2012 04:42:23
QUER CONSERTAR O MENINO, FAÇAM OS PAIS SE RECONCILIAREM NO ALTAR DE DEUS, NA IGREJA QUE ELES FREQUENTAM, FAÇAM SE CONFESSAREM, COM O PASTOR OU PADRE, UNJAM AS CABEÇAS DOS PAIS, EXPULSEM OS DEMÔNIOS DELES, QUE SAIRÁ DO MENINO E SERÃO FELIZES PARA SEMPRE, ISTO É SE SEGUIREM AS NORMAS DA PALAVRA DE DEUS, A ÚNICA ESPERANÇA, E TUDO SERÁ FELICIDADE.
 
pedro braga em 18/09/2012 10:02:38
Quando isso aconteceu com minha família ,procuramos ajuda na saude pública e nada conseguimos, o doente precisa de tratamento médico e pscológico, pois só igreja ñ ajuda . Ter fé só nos ajudou a ter forças pra lutar e continuar a luta,pois sabemos que de agora pra frente é preciso muito mais fé pra vigiar dia e noite pra ñ ocorrer recaidas , por isso a nescessidade de tratamento médico.
 
Carmen da Silva em 18/09/2012 09:53:16
Já passei por sitiação semelhante na minha família e só quem conviveu comigo na época sabe das dificuldades que enfrentamos,. corremos por todos os lados ,e só consegumos depois de muito esforço e gastos,quem está nessa situação não tem tempo pra frequentar cultos e ficar ouvindo sermões em igreja que foi o que tivemos que fazer,Deus ajuda sim e creio que ele nos deu forças para enfrentar isso.
 
Cramen da Silva em 18/09/2012 09:45:39
Que Deus abençõe esta familia, primeiramente temos que buscar a presença do senhor
para, que ele possa agir em nossas vidas,e termos nossa conquista com vitoria
amém.
 
Maria de lourdes fagundes seixas em 18/09/2012 08:39:59
E ainda tem quem defenda a liberação dessa porcaria. É dolorido, mas é a realidade nua e crua do que esse troço pode causar, só quem têm esse tipo de problema na família, sabe o quanto é grande e difícil a luta contra esse mal que destrói nossos jovens. Que Deus ilumine e guarde essa família.
 
Valdeci Gonçalves em 18/09/2012 08:05:57
Temos que parar com o coitadismo brasileiro, vim de família muito pobre(agricultores) e nunca roubei nem usei drogas, temos que valorizar os bons exemplos, dar enfase na educação, e principalmente parar com hipocrisia, se o aborto fosse regulamentado casos como esses e diversas outras mazelas sociais diminuiriam bastante, as pessoas devem ter consciência de que os atos TEM consequência.
 
Roberto Inzagaki em 18/09/2012 07:57:13
Senhor ! Tirai do nosso caminho , da direção de comandos, municipais , estaduais ou federais , pessoas sem escrúpulos , sem amor e respeito ao próximo , que visa só o seu bem estar físico e material . Pois creio, que só Deus poderá dar jeito nesssa causa.
 
Elis Silveira em 18/09/2012 06:57:00
Deus abençoe essa família, Amém.
 
fabiano frança em 18/09/2012 01:43:26
Matéria triste e motivadora ao mesmo tempo.
Lendo e conhecendo a história da vida do rapaz, vejo que ele tem condições sim de sair dessa vida, provavelmente à mãe dele também. Mas para isso terá que lutar bravamente.
Ele pode, ele é capaz, ele vai conseguir!
Deus dará força a esse tão jovem rapaz e à toda família.
 
Kelly Onishi em 17/09/2012 09:10:43
Segundo a Palavra de Deus, existe um inimigo da nossas almas, que não descansa, e vive ao nosso derredor buscando nos destruir. E, infelizmente, na maioria das vezes, tem infiltrado nas familias através principalmente da juventude, como foi este caso. Mas a Palavra também, nos mostra um caminho, uma solução, e eu não falo de religião, não importa qual seja a sua. Eu falo do no Senhor e Salvador
 
luiz ribeiro em 17/09/2012 07:58:27
O mais impressionante nisso tudo é que as famílias que querem ajuda ou ajudar seus dependentes contam apenas com instituições do terceiro setor, ou com sua própria fé. O poder público muito pouco ou nada fez até hoje por essas vítimas da dependência química. Agora temos aí centenas de candidatos prometendo até o paraíso. Quando será que esse país vai se preocupar realmente com seu povo?
 
Aldo Rocha em 17/09/2012 06:54:02
Isso é apenas ¨1% da ponta do "ICEBERG" da vida real. Nessas eleições não reeleja, vote em candidatos conmprometido com o povo. O povo tem o governo que merece! Ta na hora de exigirmos qualidade na política. Todos, eu disse todos essas vagas para vereador e a de prefeito tem que ser renovadas. Chega de corrupção, chega de reeleição. Renovação Já.....
 
ELIAS DA SILVA em 17/09/2012 06:17:51
Não sei seu nome, nem quem é você, mas ACREDITE, vc pode mudar esse quadro!
 
LIZIANE BERROCAL em 17/09/2012 05:12:27
Temos em Campo Grande-MS a Clinica da Alma do Ministério Tabernáculo da Gloria do Pastor Milton Marques, que tem um trabalho sério não cobra um centavo, tudo pelo amor de Deus, e somente essa avó levar este jovem na igreja que fica na rua Joaquim Nabuco 51 Bairro Amambaí perto da antiga rodoviária na rua da churrascaria do boizinho. A igreja trabalha com recuperação de homens e mulher.
 
MARCIO ANTONIO DA SIVA em 17/09/2012 04:56:45
Excelente reportagem, parabéns à Paula. O poder de destruição das drogas, alcool, cigarro, é assustador. Esta é uma doença da sociedade que se volta de uma maneira ou outra contra todos nós na forma de criminalidade, acidentes, destruição de familias. Uma sugestão é mostrar também instituições na cidade que podem ajudar os viciadosÓ primeiro passo é a pessoa querer ser ajudada, senão nada adianta
 
Paulo Lemos em 17/09/2012 04:45:20
QUE DEUS O ABENÇOE ESSA FAMILIA...
 
Dilma Melo em 17/09/2012 04:37:32
Meu Senhor e Meu Deus .... Olhe por essa família em especial para esse jovem que vem desesperado pedir ajuda ... para Deus nada é impossível, por isso Vó continue orando e pedindo a Ele com toda a sua fé ... eu aqui vou rezar por essa família para que tudo acabe bem que esse menino consiga dar uma virada e que sua caminhada seja abençoado por Deus Pai Todo Poderoso.
 
Deia Porto em 17/09/2012 04:37:13
Quero dizer pra esta avó que pra Deus nada é impossível. De joelhos no chão e muita fé no sangue de Jesus, meu filho e um sobrinho saíram dessa vida. Graças a Deus!!!
 
terezinha antunes em 17/09/2012 04:24:52
imagem transparente

Classificados


Desenvolvido por Idalus Internet Solutions