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Capital

Sobrevivente de "voo" no trânsito pede mais atenção aos motociclistas

Vítima de acidente gravado por câmeras de vídeo, motociclista conversou com o Campo Grande News

Por Marta Ferreira | 21/01/2021 20:43
A motocicleta no chão, depois do acidente no dia 14 de janeiro. (Foto: Henrique Kawaminami)
A motocicleta no chão, depois do acidente no dia 14 de janeiro. (Foto: Henrique Kawaminami)

No dia 14 de janeiro, uma semana atrás, a vida ficou em suspenso para jovem de 18 anos de Campo Grande. Ele literalmente voou, atropelado por veículo que furou a preferencial em esquina no Bairro Monte Castelo, onde se encontram as ruas Eduardo Santos Pereira e 25 de Dezembro.

Eternizado por câmera de segurança, o momento impressiona a cada visualização. Para a vítima, que aceitou falar com o Campo Grande News, a cena permanece inacreditável.

É uma sensação estranha. Eu vi o vídeo e não dá para acreditar muito no que aconteceu, resume.

Com a condição de ter a identidade preservada, o rapaz disse agradecer a Deus por estar vivo depois de uma queda tão severa.

Se mostra grato também por não ter lembrança da hora. “Graças a Deus eu não me lembro de como foi o acidente, como foi momentos antes, se deu ou não tempo de frear”, conta à reportagem.

Sequelas – O corpo, sim, tem memórias que vão demorar a cicatrizar. Eu acabei fraturando o cotovelo do lado esquerdo, o fêmur também do lado esquerdo, a clavícula dos dois lados”, enumera.

Também ficaram ralados pelo corpo como braço, na região da costela. Foram duas cirurgias, uma no cotovelo e a outra no fêmur.

 Em casa, se recuperando, o jovem também relata sentir muitas dores nesse momento principalmente ao tentar se movimentar. “Eu não consigo realizar nenhum movimento com os braços ou até mesmo levantar da cama sem ajuda, pela dor grande que sinto”.

 Só consigo mesmo é mexer no celular e com ajuda, ‘sentar’ para assistir televisão”, descreve.

No dia do acidente, o rapaz saiu cedo, como de costume, para trabalhar, como vendedor em um petshop na 25 de dezembro, no Centro.

 O trecho, segundo ele, é perigoso. Conta já quer “quase batido” em outras três ocasiões. “A sinalização deve ser muito ruim ali ou os condutores são muito irresponsáveis mesmo”, analisa.

Não bastasse a cena dramática mostrada pela câmera que gravou o acidente, houve um outro ingrediente incomum.  A namorada do rapaz, em viagem ao Paraná naquele dia, foi avisada momentos depois. É que um amigo dele, acostumado a fazer o mesmo trajeto, passou por ali e viu tudo.

Ela ficou assustada de mais com o que aconteceu. Chorou bastante e logo voltou para ver como eu estava, para me ajudar na minha recuperação”, relembra.

Afastado do trabalho, o rapaz não tem perspectiva de voltar à normalidade, já que mal começou o período de reabilitação.

Segundo ele, o motorista do Ford Fiesta causador do acidente nunca o procurou. No dia, o motorista bateu em um muro depois de atingir a moto e foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros. Foi aberta investigação policial sobre o caso.

Indagado se vai voltar a andar de motocicleta, o jovem diz ainda não ter resposta. “A gente fica meio receoso, né?”.

Sobre a lição de quem sobreviveu a um acidente de trânsito tão grave, o recado é para todos.

Prestar atenção tanto em si mesmo quanto no próximo, obedecer a sinalização e a velocidade da via para que outras tragédias não aconteçam”.

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