De carona ou a pé, Juan levou 1 mês da Venezuela até o Brasil após terremoto
Tremor ocorreu em 24 de junho e, no dia seguinte, ele e a família resolveram se mudar

A destruição da própria casa durante o terremoto na Venezuela foi o ponto de partida para uma jornada de 1 mês que atravessou fronteiras e diversas estradas.
RESUMO
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O venezuelano Juan Carlos Dias, de 36 anos, deixou La Guaira após perder sua casa no terremoto de 24 de junho e percorreu mais de um mês de viagem com a esposa e dois filhos até chegar a Campo Grande. A família entrou no Brasil por Corumbá e foi atendida na Sala do Migrante, que já inseriu cerca de 2 mil estrangeiros no mercado de trabalho em um ano e meio de funcionamento. Juan espera reconstruir a vida em Mato Grosso do Sul trabalhando como pedreiro.
Aos 36 anos, o venezuelano Juan Carlos Dias deixou para trás a cidade de La Guaira, após ter perdido tudo no tremor registrado em 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5. No dia seguinte à tragédia, ele tomou a decisão de partir em busca de um novo começo ao lado da esposa e dos dois filhos.
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Eles percorreram parte do caminho de ônibus, conseguiram caronas e caminharam longos trechos. Em alguns momentos, precisaram dormir na rua ou em abrigos improvisados.
A família chegou a ser encaminhada para um abrigo temporário na Venezuela, mas as condições do local não eram adequadas para as crianças, conforme contou Juan. Foi então que surgiu a decisão de deixar o país.
“Depois da destruição da casa, me levaram para um refúgio, mas não deu certo por causa das crianças. Não era um local bom e foi quando decidi empreender essa viagem”, contou.
Durante o trajeto, Juan também perdeu documentos pessoais, situação que hoje dificulta o processo de regularização no Brasil. Mesmo assim, ele seguiu viagem até entrar no país pela fronteira em Corumbá, onde recebeu orientações e foi encaminhado para a Sala do Migrante, em Campo Grande, local onde recebeu atendimento na última sexta-feira (14).
O venezuelano espera encontrar em Mato Grosso do Sul a oportunidade de reconstruir a vida. Por lá, ele trabalhava como pedreiro. O estado já é conhecido entre venezuelanos pela facilidade de acesso.
“Onde entrei por Corumbá, replicaram de Campo Grande, facilidade de emprego e vaga de escola para criança”, disse.
Ao longo da viagem, um dos desafios foi explicar aos filhos as mudanças repentinas provocadas pela tragédia. Para preservar a esperança das crianças, o pai transformou o deslocamento em uma aventura.
“Tento falar que estamos de viagem, vamos conhecer. Falo que vai ser um lugar novo para morar”, destacou.
A fé e o desejo de oferecer um futuro melhor à família seguem como combustível para continuar.
“Acredito em Deus para pedir melhoria e ter melhor condição. Meus filhos são a fortaleza para continuar e tentar conseguir um futuro melhor”, finalizou.
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