Aposentada descobre que seguro prometido de R$ 1 milhão vale só R$ 70 mil
Mulher contratou seguro acreditando em cobertura integral para doenças graves, mas descobriu limitações
Professora aposentada de Campo Grande afirma ter pago durante cerca de um ano um seguro de vida acreditando que teria cobertura próxima de R$ 1 milhão caso enfrentasse uma doença grave. Mas, após receber o diagnóstico de esclerose múltipla, ela diz ter descoberto que a apólice contratada previa apenas R$ 70 mil e ainda impunha restrições para o uso do benefício.
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Uma professora aposentada de Campo Grande move ação judicial contra a Prudential do Brasil Seguros de Vida após descobrir, ao ser diagnosticada com esclerose múltipla, que a apólice contratada previa cobertura de apenas R$ 70 mil, e não R$ 1 milhão como teria sido prometido pelo corretor. Sua irmã relata situação semelhante com o mesmo profissional. As duas registraram boletim de ocorrência e pedem indenização por danos morais.
O caso agora é alvo de ação judicial contra a Prudential do Brasil Seguros de Vida e um corretor que intermediou a contratação. A irmã da aposentada também relata ter enfrentado situação semelhante após adquirir um seguro com o mesmo profissional.
Segundo a ação, a mulher já possuía um seguro de vida em outra instituição, com cobertura de aproximadamente R$ 231 mil. Em 2025, ela foi procurada por um corretor que apresentou uma proposta considerada mais vantajosa. A promessa, conforme relata, era de uma cobertura próxima de R$ 1 milhão, incluindo proteção para doenças graves e sem período de carência.
Convencida pela oferta, ela aderiu ao novo produto e passou a pagar mensalidades de R$ 362,44.
Meses depois, porém, a vida tomou outro rumo. A aposentada recebeu o diagnóstico de esclerose múltipla remitente-recorrente, doença neurológica autoimune, progressiva e incapacitante, que afeta movimentos, coordenação motora e pode comprometer a autonomia do paciente.
Foi então que decidiu procurar a seguradora para utilizar a cobertura que acreditava ter contratado. A surpresa veio quando descobriu que as condições do seguro seriam diferentes daquelas que, segundo ela, haviam sido apresentadas durante a venda.
"Ela viu o chão se abrir debaixo dos pés. Além do impacto devastador de receber um diagnóstico tão grave, descobriu que não teria a proteção que acreditava ter garantido justamente para um momento como esse", afirma a advogada Cristiane Parron Zotelli.
De acordo com a defesa, a cliente foi informada de que a cobertura para doenças graves estaria sujeita a período de carência e que o valor previsto na apólice era de R$ 70 mil, muito abaixo do montante que acreditava possuir.
"A sensação foi de completo desamparo. Ela contratou o seguro justamente pensando em proteger a si mesma e a família caso enfrentasse uma situação grave de saúde. Quando precisou utilizar essa proteção, encontrou uma realidade completamente diferente", afirma a advogada.
A situação levou a aposentada a revisar toda a documentação do contrato. Segundo a ação, foi nesse momento que ela passou a questionar as informações recebidas durante a contratação.
O caso ganhou novos contornos quando a irmã dela relatou problemas semelhantes envolvendo um seguro vendido pelo mesmo corretor. As duas registraram boletim de ocorrência na Polícia Civil e passaram a buscar esclarecimentos junto à seguradora.
Antes de recorrer à Justiça, elas tentaram resolver o impasse administrativamente. Segundo Cristiane, houve uma reunião com representantes da empresa para discutir as divergências apontadas pelas clientes.
"Nossa intenção sempre foi resolver a situação sem processo. As clientes participaram de reunião, apresentaram documentos e buscaram esclarecimentos. A orientação recebida foi para procurar a ouvidoria da empresa, mas a situação permaneceu sem solução", relata.
A advogada afirma que as irmãs decidiram procurar a Justiça após não conseguirem uma resposta satisfatória.
"O que buscamos é esclarecer o que efetivamente foi oferecido a essas consumidoras e o que foi contratado. Seguro existe justamente para trazer segurança em momentos difíceis. Quando uma pessoa descobre uma doença grave, ela precisa de amparo, não de novas preocupações", diz.
A ação pede que a Justiça reconheça as condições que as clientes afirmam terem sido ofertadas durante a contratação dos seguros, além de indenização por danos morais.
A reportagem procurou a Prudential do Brasil Seguros de Vida para comentar as alegações apresentadas pelas clientes e aguarda posicionamento.
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