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Capital

Assassino de contador furtou lotérica e foi solto em outubro

Assim como nas apurações do latrocínio, no ano passado, a polícia chegou até Paulo Roberto após encontrar o carro usado no crime

Por Geisy Garnes e Clayton Neves | 06/04/2020 15:09
Paulo durante prisõe pelo furto da lotérica, em maio do ano passado (Foto: Divulgação Polícia Civil)
Paulo durante prisõe pelo furto da lotérica, em maio do ano passado (Foto: Divulgação Polícia Civil)

Paulo Roberto Mendes dos Santos, assassino confesso do contador Aparecido Ferreira da Silva, 49 anos, foi preso em maio do ano passado por furtar uma lotérica de Dois Irmãos do Buriti – município a 114 quilômetros de Campo Grande. Ele passou seis meses na cadeia pelo crime, mas em outubro ganhou a liberdade. Nos dois casos, a polícia chegou até ele e seus comparsas após localizar os veículos usados nos crimes.

Conforme apurado pela Campo Grande News, Paulo tem diversas passagens pela polícia e por isso, em abril do ano passado, foi convidado para participar do furto de uma lotérica no interior. O mentor do crime foi João Vítor Vitoy, que além de Paulo, contou com a ajuda de Matheus Henrique Tiaguas e Marcos André de França.

No dia 27 de abril de 2019, Paulo e os comparsas alugaram o carro de Matheus, um Volkswagen Patati, por R$ 500 e viajaram até o município. Lá, Marcos ficou de vigia, enquanto os outro dois abriram um buraco na parece, entraram na lotérica e furtaram um malote com R$ 8 mil e mais R$ 3.622,00 em moedas e trocados.

Todo o crime foi gravado pelo sistema de monitoramento do local e assim a polícia conseguiu identificar o carro usado na ação. No mês seguinte uma operação da Denar (Delegacia Especializada de Repressão aos Narcotráfico) e da Polícia Civil de Dois Irmãos do Buriti localizou Matheus, o dono do veículo.

Ele confessou a participação e apontou onde os outros três suspeitos estavam, uma casa do Jardim São Conrado. Os quatro foram presos e ficaram na cadeia até o dia 14 de outubro, quando tiveram as prisões preventivas revogadas. Cinco meses depois de ser solto, Paulo aceitou participar do roubo que terminou com a morte do contador Aparecido Ferreira.

Carro da vítima seria vendido na Bolívia (Foto: Arquivo)
Carro da vítima seria vendido na Bolívia (Foto: Arquivo)

Segundo as investigações policiais, no dia 24 de março a vítima marcou um encontro com Ryan Victor da Vera Cruz Teles, de 20 anos. Planejando roubar e vender o carro do contador na Bolívia, o rapaz convidou Paulo para ir junto. Na data marcada, Aparecido buscou os suspeitos em um Celta, modelo 2008/2009 e dirigiu em direção a Sidrolândia, pela BR-060.

No caminho, a dupla anunciou o assalto. Na versão de Paulo e Ryan, mesmo dirigindo o carro, Aparecido reagiu e nesse momento foi esfaqueado. Para a reportagem, o delegado Pablo Gabriel Farias da Silva, da Defurv (Delegacia Especializada de Furto e Roubos de Veículos), revelou que foram duas facadas, dadas pelo passageiro do banco de trás. Uma atingiu o peito e outra a lateral do corpo do contador.

Aparecido Ferreira da Silva em foto postada no Facebook.
Aparecido Ferreira da Silva em foto postada no Facebook.

Depois do crime, os dois rapazes abandonaram o corpo da vítima em uma estrada vicinal e tentaram ir para a Bolívia, mas no caminho bateram em uma pedra e não conseguiram seguir viagem. Eles então guincharam o Celta e o deixaram em uma oficina. Até o conserto seria pago com o dinheiro levado de Aparecido, cerca de R$ 900.

A partir da localização do carro, e de informações de testemunhas, a polícia chegou aos dois autores. Segundo o delegado, Paulo e Ryan “deixaram rastros” por onde passaram com a carro da vítima. A faca foi jogada em um ponto do caminho, roupas da vítima em outro e até um botijão de gás, que foi doado pela vítima para uma amiga pouco antes do crime, foi largado pelos bandidos.

Ainda conforme Pablo, um detalhe chama atenção nas duas prisões de Paulo. Os carros usados por ele para escapar após os dois crimes quebraram e foi através da localização dos veículos que a polícia chegou até ele. Nos dois casos, o rapaz também foi flagrado com porções de cocaína e acabou indiciado por tráfico de drogas.

O inquérito sobre a morte de Aparecido foi encerrado e enviado para a justiça. Ryan e Paulo foram indiciados por latrocínio, roubo seguido de morte e ocultação de cadáver.