Aulas em janeiro abrem fase de readaptação emocional para crianças e pais
Com acolhimento e retorno escalonado, escolas tentam amenizar o impacto do início do ano letivo
O mês de janeiro está chegando ao fim, mas o ano letivo já começou nesta segunda-feira (26) em algumas escolas da rede particular. Com a retomada das aulas, pais e alunos entram novamente em um período de readaptação emocional e de reorganização da rotina.
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O retorno às aulas em janeiro marca um período de readaptação emocional para pais e alunos em Campo Grande. Escolas particulares adotam estratégias como aulas de acolhimento e retorno escalonado das turmas para minimizar o impacto da separação, especialmente entre os mais novos. A ansiedade do recomeço atinge tanto famílias com crianças pequenas quanto pais de alunos mais velhos. As escolas oferecem suporte através de câmeras de segurança e flexibilidade no período de adaptação, permitindo que os responsáveis acompanhem de perto o processo de readaptação dos filhos à rotina escolar.
No Colégio Master, as atividades começaram pela manhã com a recepção de crianças entre 3 e 4 anos. Para minimizar o impacto da separação entre pais e filhos, a escola realizou, na quinta-feira passada, uma aula de acolhimento.
“O que é essa aula de acolhimento? Justamente para que o pai venha para a escola com a criança e, nessa aula, eles se sintam seguros. Porque, se os pais estão seguros, eles passam essa segurança para as crianças”, explica a coordenadora Márcia Vilela.

Outra estratégia adotada é o retorno escalonado das turmas. A medida garante que os alunos mais novos contam com uma equipe maior de professores nos 2 primeiros dias de aula. “A volta às aulas é muito acolhedora. São brincadeiras, as crianças não ficam dentro da sala, mas em atividades mais lúdicas. Toda a equipe fica voltada para esse acolhimento e para a afetividade com eles,” detalha.
Durante o período de adaptação, os pais podem acompanhar os filhos por meio de câmeras de segurança e até aguardar na recepção da escola. “Tem famílias que ficam, e, se a gente precisa, eles voltam para buscar a criança. Mas está sendo bem tranquila a adaptação. Hoje, graças a Deus, poucas crianças choraram”, relata Márcia.
Entre as mães que vivenciam esse momento está a médica Gabriela Junqueira, de 35 anos. A filha dela, de 3 anos, está ingressando na vida escolar este ano e precisou da presença da mãe na sala de aula no primeiro dia.
“Hoje foi um pouco difícil, mais para a Marina, que é minha filha, mas eu também fiquei com o coração apertado. Fiquei dentro da sala com ela até as 9h30, depois do lanche. Aí vim para a recepção e fiquei aguardando. Fui acompanhando pela câmera, ela não chorou, ficou do lado da professora, de mão dada, e ficou tranquila. Não precisei voltar”, conta.
Mãe de uma bebê de 5 meses, Gabriela acredita que a rotina da casa deve mudar com o início das aulas. “A gente está adaptando agora a rotina da Marina na escola, com a bebê em casa. Vai mudar bastante, mas para melhor. Acredito que, quando a bebê for para a escola, vai ser mais fácil.”
Já para Liana Miziara, de 39 anos, o primeiro ano da filha na escola veio acompanhado de nostalgia. “É o primeiro ano dela na escola, mas é mais tranquilo porque já sou mãe de segunda viagem e conheço a escola. Já sei o que esperar”, diz.
Mesmo mais experiente, Liana admite que a ansiedade apareceu. “Dei uma olhadinha no aplicativo da câmera, mas bem menos do que com a outra filha. Quando a mais velha entrou, eu ficava o tempo todo olhando para ver se estava chorando e se estava bem.”
Com filhas de idades diferentes, ela prevê uma rotina mais agitada na próxima semana. “Quando as aulas das duas voltarem, vai ficar mais complicado. Cada uma vai para um lugar, então fica mais difícil.”
Na casa da acadêmica Luana Borges, de 36 anos, o dia também começou com uma dose extra de ansiedade. A filha, de 3 anos, já frequentava o berçário, mas agora inicia no maternal. “A gente fica ansiosa para ver como vai ser o acolhimento da escola. Existe essa preocupação de como eles vão ficar nos primeiros dias, por causa do afastamento depois das férias, quando a gente fica mais próxima. Esse distanciamento a mãe sofre junto”, relata.
Nem os grandes escapam — Mesmo entre as turmas maiores, a ansiedade também marca o retorno às aulas. “Tem alunos que estão, sim, ansiosos pela volta, e as famílias também. A gente está nessa receptividade”, afirma o diretor pedagógico do Colégio Maestria, Roberto Crespo Mantuani.
Na escola, o retorno escalonado e reuniões pedagógicas, com apresentação das regras e da dinâmica escolar, foram estratégias usadas para preparar pais e alunos. “Eles voltaram bem animados. Muitos colegas conversaram durante as férias e já sabiam que estariam na mesma sala. Mas também voltaram cientes de que um novo ano letivo estava começando”, explica.
Segundo o diretor, a ansiedade dos pais permanece mesmo com filhos mais velhos. “No sexto ano, você vê o pai no portão, trazendo o filho, com aquele olhar de expectativa. Mas, quando vê a equipe acolhendo e o filho sendo bem recebido, ele já sorri.”

No Sesc Escola, a vendedora Lucélia Nobre, de 44 anos, aguardava o fim das aulas do filho, de 11 anos, que cursa o sexto ano. Apesar da idade, ela conta que o início do ano letivo sempre traz preocupações. “Como vai ser o desenvolvimento dele com professores e colegas? Se tem aluno novo, como vai ser? É um misto de emoções. Todo começo de ano é assim.”
A professora Amanda Velasco, de 33 anos, conta que a rotina escolar em casa começou ainda na noite anterior. A filha, de 10 anos, mudou de escola este ano e estava ansiosa pelo novo começo. “Estou ansiosa para saber como foi. Ela estava nervosa para saber se conseguiria fazer amigas. Essa é a maior preocupação. Ela não dormiu direito, estava bem ansiosa.”
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