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Campo Grande, Sábado, 20 de Abril de 2019

09/01/2019 11:48

Autoras de tortura exibida no WhatsApp devem prestar depoimento

A vítima sofreu várias lesões pelo corpo e fratura no nariz. Por conta disso vai precisar passar por cirurgia plástica

Geisy Garnes e Miriam Machado
Autora exibindo vítima ferida (Foto: Reprodução)Autora exibindo vítima ferida (Foto: Reprodução)

As duas adolescentes de 17 anos suspeitas de participar da tortura a uma menina de 16 anos, em Campo Grande, devem ser ouvidas nas próximas horas na Deaij (Delegacia Especializada de Atendimento à Infância e Juventude). Toda a agressão foi transmitida pelas autoras em grupo de WhatsApp formado por mulheres.

Conforme o delegado Fábio Sampaio, responsável pelo caso, as adolescentes e os pais delas foram intimados e devem ser levados pela polícia para prestarem depoimento na delegacia especializada nas próximas horas.

Ao Campo Grande News, o delegado relatou que o gravidade do caso requer que as adolescentes envolvidas sejam apreendidas, e por isso, a internação delas deve ser pedida à justiça.

Nesta manhã, a irmã da vítima também foi à delegacia para prestar depoimento. Foi ela quem descobriu sobre o crime depois de receber prints da transmissão feita pelas suspeitas durante duas horas de agressão e tortura psicológica.

Novas fotas enviadas a ela, mostram um das autoras “abraçada” com a vítima. Com a língua para fora, a “exibe” a menina ferida para outras integrantes do grupo, que aparecem rindo na imagem. “Vou entregar a polícia as fotos que tenho e os nomes das agressoras”, contou a reportagem antes de entrar para conversar com o delegado.

A vítima sofreu várias lesões pelo corpo e nesta terça-feira (8) precisou ser internada na Santa Casa após passar mal. Segundo a família, ela já recebeu alta, mas sofreu uma fratura no nariz e vai precisar passar por cirurgia plástica.

Ainda de acordo com o delegado, os celulares das adolescentes serão periciados. A delegacia ainda vai apurar se houve descaso dos policiais que receberam as primeiras denúncias do crime. “Se houver, o caso será encaminhado à corregedoria”.

Tortura foi transmitida para integrantes de um grupo de WhatsApp (Foto: Divulgação)Tortura foi transmitida para integrantes de um grupo de WhatsApp (Foto: Divulgação)

O caso - Por volta das 18h de segunda-feira (7) a adolescente recebeu uma mensagem no celular de uma amiga a chamando para tomar tereré.

Ao aceitar o convite, a colega de 17 anos, chamou um motorista de aplicativo, porém o destino era uma casa no Guanandi. “Vi que não era a casa da minha amiga, mas ela estava lá na frente me esperando. Quando desci e a segui para entrar na casa fui agarrada por outras duas meninas”, conta.

Além da “amiga”, a vítima relata que as outras agressoras tem 17 e 18 anos. “Elas trancaram o portão, fecharam a casa e me arrastaram para dentro. Lá, começaram a me bater com socos e chutes. Também me bateram com uma faca e ainda com ela riscaram as minhas costas”, detalha a menina.

Enquanto era agredida, a adolescente conta que a “colega” responsável em atraí-la fez uma live em um grupo de WhatsApp chamado “As Bandidas”, o qual as agressoras fazem parte.
“Elas diziam que só estavam esperando uma arma chegar para me matar. Tiraram minha blusa, rasparam parte da minha sobrancelha e ameaçavam cortar meu cabelo. Eu comecei a chorar e implorar pela minha vida”, conta.

A sessão de tortura durou cerca de 2h e só parou quando a irmã da vítima de 24 anos, começou a receber no celular prints da live que mostravam sua irmã sendo agredida. A adolescente então foi obrigada a tomar banho e a colocar gelo nos hematomas do rosto. Depois foi liberada pelas suspeitas.



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