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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

07/07/2011 17:06

Bairro formado por família de presos, Noroeste tem hoje maior número de crianças

Paula Maciulevicius

Crescimento está relacionado ao complexo penal

Bairro é campeão no percentual de crianças e adolescentes. População de 0 a 14 anos cresce em meio à carência. (Foto: João Garrigó)Bairro é campeão no percentual de crianças e adolescentes. População de 0 a 14 anos cresce em meio à carência. (Foto: João Garrigó)

Inicialmente formado por famílias de presidiários, bairro Noroeste supera na quantidade de crianças e adolescentes. A explicação ainda vem do surgimento, com o complexo penal localizado nas imediações, mães e esposas de presos praticamente formaram a região. Com a razão de 28 crianças para cada 100 mulheres, o sexo feminino corresponde a mais de cinco mil dos 13 mil habitantes do bairro.

O registro do parcelamento na prefeitura existe desde 1963. Em 48 anos o Noroeste tem nas ruas crianças brincando, passeando com mães e avós, adolescentes indo à escola, todos dividindo espaço com a carência.

Divulgado nesta semana, o Censo 2010 mostra a situação da dona-de-casa Janusa dos Santos Cerem, 25 anos. A escadinha de três filhos, a primeira com 9 anos e os outros dois com 7 e 4 anos, entram nas estatísticas do IBGE, de que 32,7% da população do Noroeste está dentro da faixa etária de 0 a 14 anos.

A mãe e os três filhos moram no bairro há dois anos. Janusa confirma os dados e fala que vê sim muitas crianças pela região “para essas bandas aqui, tem muito menino mesmo”, diz.

A filha mais velha fala que prefere ali ao lugar que morava, no Tijuca. “Aqui tem bastante meninas para brincar. É melhor do que lá”, diz Brunielly Cerem, 9 anos.

Conversando com a vizinha Janusa, está a diarista Fátima Ferreira Silva, 36 anos, o Campo Grande News começou a entrevista e a criançada juntou em volta. Filha única de Fátima em casa, Dafny Silva, 11 anos, responde de primeira “aqui tem muita menina da minha idade mesmo, ainda bem porque eu adoro brincar na rua”, conta.

Mãe-avó caminha com neta enquanto outros quatro estão na creche, todos na faixa de 0 a 10 anos. (Foto: João Garrigó)Mãe-avó caminha com neta enquanto outros quatro estão na creche, todos na faixa de 0 a 10 anos. (Foto: João Garrigó)

O crescimento de crianças no bairro reflete também a realidade das mães-avós. Dona Edna Fernandes da Silva, 46 anos, cuida da netinha Giovana de apenas nove meses, enquanto a nora trabalha e os outros quatro netos estão na creche e de mais uma criança de 4 anos, filha de uma conhecida.

“Eu fico de babá por enquanto, até essa aqui ir para a creche. Se tem criança aqui? Mas pensa no tanto. Esses dias mesmo teve reunião do vale-renda, estava tão cheio de criança e mulher que mal dava para ouvir de tanto choro e conversa”, conta.

O “zum-zum-zum” não é só visto em reuniões, em frente às casas é quase que frequente a presença de mulheres e pelo menos duas crianças pequenas.

Diferente de Edna e mais próximo das origens do bairro está a dona-de-casa de 31 anos que prefere não se identificar. Há seis anos no Noroeste, ela conta que mudou da cidade de Rio Brilhante para a região porque ficava mais fácil de ver o marido, que ficou preso por quatro anos.

“A maioria das mulheres aqui tem alguém no presídio, fica mais próximo”, explica. As dificuldades para trazer alimentos e objetos para os homens que estão no complexo penal fazem com que grande parte das mulheres escolha o Noroeste para morar.

Além do exemplo dela, uma das filhas que está com o marido para sair da prisão veio morar nos fundos da residência. “É para facilitar, aí vem mulher, criança...”, comenta.

Ela relembra que para entrar tem visita marcada, horário rigoroso e restrição do peso. “Eu dormi muitas vezes nessa frente aí”, recorda.

Com a juventude à flor da pele, o bairro Noroeste levou Campo Grande à 13ª posição entre as capitais brasileiras no ranking de percentual de crianças e adolescentes.

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nesse bairro devia ter mais parques postos asfaltos escolas mercados circos casas ai isso ia melhora muito
 
victoria eloisa em 02/03/2012 01:27:16
nao entendo porq deste numero tao grande, camisinhas sao entregues ao monte nos postos de saude. o indice de filho por mae eh de 06. deve ser porque o governo tbem da bolsa familia.ai se explica td
 
maria helena em 08/07/2011 10:44:02
É simples entender os motivos da grande quantidade de crianças nas regioes habitadas por esposas de detentos e a quantia de filhos maiores que as familias convencionais. Isso é decorrete do que chamamos de "AUXILIO RECLUSÃO", criado pelos nossos governantes em favor dos detentos. Todos podem ver a respeito do que estou falando na pagina do INSS. Tal auxilio garante a cada filho de detento um valor exorbitante, maior que o salário mínimo, como o auxilio é pago pelo governo por filho, quanto mais filhos mais as esposas dos detentos recebe. Um trabalhador comum, trabalha a vida inteira, recolhe o INSS, e quando se aposenta seja por tempo de serviço ou seja por doença acaba recebendo um salário mínimo, isso quando consegue se aposentar. Por outro lado para muitos o crime compensa, pois alem de faturar ao praticar a atividade ilicita, caso este seje pego pelas autoridades policiais ainda sera beneficiado pois o mesmo recebe por filho valores que chegam quase ao dobro do salário mínimo. Imagino quando nossos governantes irao elaborar leis que favoreçam a população honesta.
 
Francisco Lima em 08/07/2011 09:25:40
Quando falamos de crianças logo pensamos em parques , creches e postos de saúde . O que mais me preocupa é a condição moral em que estas crianças são criadas . Será que existe alguém dizendo a elas que ficar preso é errado ? Ou será que estas Mães , em sua maioria despreparadas , ocultam a face errada do crime na educação dos filhos .

Hoje moro em um grande centro metropolitano de São Paulo e vejo por aqui que ser bandido na periferia é ser herói .
 
Marcelo Freitas em 08/07/2011 08:07:38
Parabéns também a todos professores do CEINF que se esforçam para oferecer um ensino de qualidade apezar das condições indgnas de trabalho e um salário de miséria que recebem.
 
Julia Santos em 08/07/2011 07:56:36
Com tanta criança, e tanta carência, esse bairro já tem fator de risco para ser violento em poucos anos, se essas crianças não tiverem apoio do governo, serão levadas à vida de crime, desemprego, gravidez na adolescência. Os governantes já podem implantar projetos de educação para essas crianças, ou elas substituirão os pais na penitenciária em breve, no ciclo interminável da pobreza.
 
Leticia Mello em 08/07/2011 07:34:40
morro no jd noroeste ha 2 anos trabalho por conta minha maior dificuldade aqui e nao ter um projeto onde meus filhos tenha um refoço escolar. ou um curso onde as criasas possa sair das ruas ,por ter aumentado a populaçao tem aumentado tambem a criminalidade evolvendo nossas crianças.peço as autoridades que fasa um projeto tirando nossas crianças da rua.
 
gardiene oliveira lima em 08/07/2011 07:31:11
Sei que é chato tocar nesse assunto mas necessário, não seira falta da assistência social intervir para o controle de natalidade, qual o futuro de uma criança que tem seu pai preso e sua mãe que não para em casa? que tipo de educação eles recebem? seriam sementes da marginalidade?
 
Sandro Lima em 08/07/2011 07:20:00
O Noroeste é um dos bairros mais promissores para o desenvolvimento de Campo Grande. Existem várias construções de casas e codomínios de pequenos construres, empresas construtoras de grande porte levatantando torres em sua proximidade, bem próximo de um dos principais condomínios de luxo da capital, o asfaltos nas ruas, uma das regiões mais próximas do centro da cidade e praticamente ao lado do principal shoping de C.Grande. Ademais fica entre as duas BRs saida para Cuiabá e Tres Lagoas, além de projetos públicos de grande vulto que se houve falar que serão realizados na região. Os imóveis subiram mais de 150% em um ano.
 
JOÃO TRINDADE em 08/07/2011 05:43:31
Não entendo como um bairro tão antigo, ainda é tão mal estruturado, não temos nada por lá, moro no Bairro vizinho, Leon Denizart, e mal temos CEINF´s e posto de saúde, asfalto, pra que? E a bandidazem só crescendo. Acho que devemos ter menos filhos, já ia ajudar muito nossa situação
 
Elizangela de Almeida Nunes em 08/07/2011 03:43:19
O governo deveria implantar para essas mães após o 2° ou 3° filho a operação de laqueadura das trompas para não gerar mais futuros marginais, pois no meu caso eu tenho um filho e sou trabalhador e já é difícil dar uma educação de qualidade para ele imagine aquele que não tem sequer o apoio dos pais.
 
Adauto Souza em 08/07/2011 02:13:50
Na realidade o B. Noroeste está abandonado, não temos um posto de saude 24hs, falta escola estadual, e no B. Serravile nao tem creche, escola. A política que se pratica é só no falar, favorecimento proprio, realizar fica pra muito depois ou nunca. Temos que aceitar assim, ou mudar pra um bairro com mais infra-estrutura.
 
Lucilene Almeida em 07/07/2011 10:33:55
Realmente é um bairro com grande número de crianças e adolescentes. Chegou a hora das autoridades construirem um centro de referencia social. Conheci um projeto social que fica nesse bairro, dentro d eum centro espírita que é mantido pela prefeitura, mas é preciso melhor condições de estrutura física para atender tanta gente, pois vejo que o prédio é muito pequeno.
Além disso, com uma população tão grande dessa, está na hora de ter uma Unidade Basica de Saúde 24 hr e não um simples PSF.
Não há vagas em creches e escolas, a situação é lamentável.
Essas crianças e adolescentes são o futuro da nossa cidade!
 
Karina Marques em 07/07/2011 09:35:58
Outra coisa que não foi comentado é que o bairro Noroeste do Censo 2000 para 2010 cresceu mais de 300% tinha uma população de mais de 3.000 de para mais de 8.000 habitantes, e o que dizer do bairro centro oeste que cresceu de 8 mil pessoas para mais de 24 mil pessoas.
 
Fábio Nogueira em 07/07/2011 08:19:42
Parabéns a Paula pela excelente matéria, muito oportuna por sinal. O Jardim Noroeste é um bairro realmente muito grande e muito carente, drogas, fome, doenças altamente contagiosa como a Hanseníase é muito comum por lá e são problemas que acabam gerando ocorrências. Na tentativa de minimizar um pouco desses problemas, criamos um Grupo Escoteiro onde atendemos 70 crianças e adolescentes carentes, vamos criar uma academia de Judô em parceria com a Igreja Presbiteriana e atenderemos cerca de 50 jovens e a primeira escola de futebol indígena com atendimento de 30 crianças indígenas que além do futebol aprenderão a língua Terena, uma vez que muitos estão perdendo a cultura de suas etnias. Todas essas atividades tem ajudado na diminuição de atendimentos de ocorrências, pois está pautada na Filosofia de Polícia Comunitária, iniciativa que integra Polícia e Comunidade no enfrentamento a violência. Confira tudo o que está sendo feito pelo Sargento Freitas no Jardim Noroeste, clica no link do blog criado para divulgar as ações junto a comunidade. http://pmacaosolidaria.blogspot.com/

 
SIDNEI GARCIA DE FREITAS em 07/07/2011 07:54:14
E com tanta criança, não existe uma praça de esportes no bairro, nem parques. Cumprimento aqui a Policia Militar, na pessoa do Sgto Freitas e do Sd Fabiano que desenvolvem atividades lá para a criançada. O Grupo Escoteiro hoje é uma das opções criada por eles.
 
Leize Demétrio da Silva em 07/07/2011 05:31:27
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