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Bebê some após mãe adolescente ir à casa de mulher que conheceu na internet

Horas depois, as irmãs foram deixadas perto de uma área de mata, e a recém-nascida não foi localizada

Por Bruna Marques | 07/08/2026 10:47
Bebê some após mãe adolescente ir à casa de mulher que conheceu na internet
Adolescentes, acompanhadas da mãe e de um policial militar, deixam a Depac Cepol e seguem para a Depca, onde o caso é apurado (Foto: Bruna Marques)

Bebê recém-nascida, de apenas 28 dias, desapareceu depois que a mãe, adolescente de 17 anos, foi até a casa de uma mulher que havia conhecido pela internet. O caso mobilizou a Polícia Militar na manhã desta sexta-feira (7) e foi encaminhado à DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), em Campo Grande.

RESUMO

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Uma bebê de 28 dias desapareceu em Campo Grande após sua mãe, adolescente de 17 anos, ir à casa de uma mulher conhecida pela internet. A avó relatou que a suspeita atraiu a jovem com a promessa de R$ 100 para cuidar de outra criança. As duas irmãs foram abandonadas em um matagal na madrugada, sem a bebê. O caso foi encaminhado à DEPCA, onde as adolescentes prestam depoimento.

A avó da criança conversou com o Campo Grande News enquanto aguardava para registrar boletim de ocorrência na delegacia. Segundo ela, além da mãe da bebê, uma outra filha, de 13 anos, também estava junto no momento dos fatos.

De acordo com a avó, a adolescente conheceu uma mulher pela internet, em uma página de brechó, ainda durante a gravidez. A partir desse contato, teria surgido também a possibilidade de realização de um ensaio fotográfico de gestante.

A avó afirma que passou a desconfiar da aproximação porque a mulher demonstrava interesse excessivo e frequentava a residência da família, no Jardim Colibri, quase diariamente. Mesmo depois do nascimento da criança, as visitas teriam continuado, inclusive com entrega de roupas para a recém-nascida.

Dias atrás, conforme o relato, a mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente fosse até a casa dela cuidar de uma criança de seis meses.

“Eu ainda questionei minha filha: ‘Vai fazer o quê lá? Você tem uma bebê novinha, sua filha não tem nem um mês e você vai cuidar de outra criança?’ Eu desconfiei e falei para minha outra menina ir junto com ela”, contou a avó.

As duas adolescentes saíram de casa por volta das 11h de ontem e, segundo a família, passaram o dia na residência da mulher. Já durante a madrugada, por volta da 1h, as irmãs teriam sido deixadas em uma região de mato próxima à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Universitário, na Avenida Guaicurus.

A recém-nascida, porém, não estava com elas.

Até o momento relatado pela família, não havia informações sobre o paradeiro da bebê nem da mulher. As adolescentes também disseram que havia outras pessoas no veículo e que o celular da jovem de 17 anos teria ficado com o grupo.

O caso foi inicialmente atendido por uma equipe da Polícia Militar. A ocorrência chegou a ser encaminhada à Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, mas, por envolver criança e adolescentes, foi direcionada posteriormente à DEPCA.

As adolescentes estão prestando esclarecimentos por meio de escuta especializada, e a mãe também deverá prestar esclarecimentos. Na delegacia, a reportagem soube que nenhum responsável pela investigação falaria com a imprensa naquele momento.

Entrega legal - Embora ainda não se saiba o que aconteceu com a bebê e não haja, até o momento, confirmação de tentativa de compra, venda ou entrega da criança, situações envolvendo a transferência de recém-nascidos para terceiros fora dos procedimentos oficiais são uma preocupação antiga da Justiça.

Em Mato Grosso do Sul, o projeto Dar à Luz foi criado há 14 anos justamente em um contexto no qual eram registrados casos de bebês deixados em locais públicos ou entregues diretamente a outras pessoas. Segundo a juíza Katy Braun do Prado, idealizadora da iniciativa, havia situações em que recém-nascidos eram repassados a pessoas da própria comunidade em troca de favores, como pagamento de laqueadura ou auxílio com alimentação.

O programa oferece uma alternativa legal e sigilosa para quem manifesta o desejo de entregar um filho para adoção. A gestante ou mãe recebe acompanhamento de profissionais e, caso a entrega seja concretizada, a criança segue os procedimentos da Justiça para ser encaminhada a pretendentes previamente habilitados no Sistema Nacional de Adoção.

No caso da recém-nascida desaparecida, caberá à investigação policial esclarecer as circunstâncias, a motivação dos envolvidos e o paradeiro da criança.

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