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Capital

Bonecas com remédio emagrecedor é flagrante de esquema paralelo milionário

Operação da Vigilância Sanitária e Correios já soma R$ 5 milhões em produtos apreendidos em 15 dias

Por Viviane Oliveira e Silvia Frias | 20/02/2026 11:37


RESUMO

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A Vigilância Sanitária apreendeu 28 ampolas emagrecedoras escondidas em duas bonecas no Centro de Triagem dos Correios em Campo Grande. A ação faz parte da operação Visa-Protege, que em 15 dias reteve produtos avaliados em R$ 5 milhões, incluindo 5 mil ampolas e canetas emagrecedoras comercializadas ilegalmente por até R$ 900 cada. As autoridades alertam sobre os riscos à saúde, citando 162 mortes nos EUA e 80 no Reino Unido associadas ao uso desses produtos. No Brasil, seis óbitos estão em investigação por pancreatite aguda necrosante, além de 220 notificações de eventos adversos. A maioria das encomendas tinha como destino as regiões Norte, Nordeste e Sudeste do país.


Na cabeça de duas bonecas "Baby Dolls", os fiscais da Vigilância Sanitária Estadual encontraram 28 ampolas emagrecedoras, em mais um flagrante feito no Centro de Triagem e Distribuição dos Correios, na Operação Visa-Protege. Este é mais um exemplo da ação das quadrilhas que formam o milionário mercado paralelo desses produtos.

Em 15 dias da operação em Mato Grosso do Sul, as apreensões de ampolas e canetas integram montante de R$ 5 milhões em apreensões de itens remetidos ilegalmente pelos Correios.

Ao todo, foram 7.200 itens apreendidos, sendo cerca de 5 mil ampolas e canetas emagrecedoras. No mercado ilegal, cada unidade  é comprada por R$ 900 e chega de quatro a cinco vezes mais caro ao consumidor final. Quanto mais longe a região, mais caro fica.

Segundo a Vigilância Sanitária, grande parte das encomendas tinha como destino as regiões Norte, Nordeste e Sudeste onde as canetas podem custar de R$ 3 a 5 mil e as ampolas, compradas a R$ 400, negociadas a R$ 1,2 mil.

Também foram apreendidos anabolizantes, suplementos alimentares irregulares, medicamentos abortivos e 32 cigarros eletrônicos, avaliados em aproximadamente R$ 5 mil.

Conforme Matheus Pirolo, fiscal do Estado e gerente de Vigilância Sanitária da SES (Secretaria Estadual de Saúde), os riscos à saúde são elevados. Ele afirma que, nos Estados Unidos, há 162 mortes associadas ao uso de canetas emagrecedoras. No Reino Unido, são mais de 80 mortes, sendo 19 relacionadas ao princípio ativo tirzepatida.

No Brasil, há seis óbitos em investigação por pancreatite aguda necrosante e mais de 220 notificações de eventos adversos, incluindo quatro complicações neurológicas graves comunicadas à Agência Nacional de Vigilância Sanitária pela Vigilância Sanitária de Santa Catarina.

"A gente cresceu ouvindo que produtos importados do Paraguai podem ser de qualidade inferior, sem durabilidade , e hoje vemos as pessoas injetarem no próprio organismo produtos vindos de lá, isso é irracional", avaliou Pirolo.

Bonecas com remédio emagrecedor é flagrante de esquema paralelo milionário
Medicamentos apreendidos na sexta-feira passada durante fiscalização (Foto: Divulgação/Vigilância Sanitária)


Fiscalização - Segundo o fiscal, a operação teve início antes mesmo dos alertas internacionais e do comunicado federal da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), publicado em 9 de fevereiro. “Esses dados reforçam a necessidade do uso consciente desses medicamentos, sempre com prescrição e acompanhamento contínuo de médico especialista, retenção de receita pelas drogarias e utilização exclusiva de produtos devidamente registrados”, afirmou.

Ele destacou ainda que é fundamental que os medicamentos sejam armazenados na temperatura adequada, entre 2 °C e 6 °C, e que o tratamento esteja associado à mudança de hábitos e de rotina. Denúncias de venda ilegal ou propaganda irregular podem ser feitas pelos telefones 136 ou 151.

Em 2026, a Anvisa intensificou a fiscalização e proibiu a comercialização de produtos sem registro vendidos como soluções rápidas para perda de peso. O foco está em versões clandestinas de medicamentos injetáveis com tirzepatida, como as marcas TG e Lipoless, que não são reconhecidas por agências reguladoras internacionais, além da retatrutida, substância que ainda está em fase de testes e não possui aprovação para uso em nenhum país.

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