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Capital

Calmo, estuprador fala sobre crimes e diz que perdeu as contas das vítimas

Por Paula Maciulevicius e Paulo Fernandes | 15/04/2011 21:56

Robson Vander Lan deu entrevista exclusiva ao Campo Grande News

Sem arrependimento: sobre estupros, Robson Vander Lan afirma que "simplesmente aconteceu" (Foto: João Garrigó)
Sem arrependimento: sobre estupros, Robson Vander Lan afirma que "simplesmente aconteceu" (Foto: João Garrigó)
"Quem está com Deus não precisa estar com medo”, afirma o estuprador confesso.
"Quem está com Deus não precisa estar com medo”, afirma o estuprador confesso.

Em entrevista exclusiva ao Campo Grande News o estuprador Robson Vander Lan, 29 anos, revela que já perdeu as contas de quantas vítimas fez. Até agora ele é apontado pela polícia como autor de sete estupros contra mulheres e três tendo vítimas, crianças e adolescentes.

Robson respondeu às perguntas com tranquilidade e sempre seguindo o mesmo tom de voz. Ele falou baixo, com calma e repetia frases. Enquanto era entrevistado, olhava nos olhos e respondia de forma direta, sem demonstrar nenhum arrependimento.

Vestidos com as mesmas roupas desde que foi preso, na terça-feira (12), Robson não vê o comportamento como doença. Questões familiares, sobre como cresceu e a relação com a família ele prefere não responder. Os antigos crimes, como o homicídio da ex-namorada que estava grávida, parecem não ter importância, assim como as vítimas de estupro.

Ex-presidiário e tatuador, ele tem o corpo marcado pelo trabalho. Ao todo, 24 tatuagens inspiradas em músicas do grupo de Rap Racionais, e uma gravada no órgão genital, “baixinha”, em homenagem a uma ex-namorada. Marcas que ajudaram a polícia a identificá-lo e que não vão sair mais da cabeça das vítimas.

O estuprador não se recorda do número de mulheres, crianças e adolescentes que violentou. Segundo ele, os casos eram apenas assaltos, mas o impulso e a vontade vinham. Ele fala sem arrependimento. “Simplesmente aconteceu”.

Ao ser questionado sobre quantas vítimas ele fez, Robson diz ter perdido as contas. “Eu não sei falar. Não posso afirmar uma coisa que eu não sei”, conta.

Robson respondia as perguntas com firmeza. Durante a entrevista, dos crimes atribuídos a ele pela polícia, Robson assumiu apenas o estupro mais recente, da estudante de Química. Mas ele admite ter feito várias vítimas que eram escolhidas aleatoriamente.

Sem preferência nem escrúpulos, ele afirma que optava por pessoas que seguiam a rotina. Não importava horário nem idade, desde que estivessem em locais de pouca visibilidade.

Acusado de estupros demonstrou tranquilidade e até sorriu para foto
Acusado de estupros demonstrou tranquilidade e até sorriu para foto

No dia do crime da UFMS, ele diz que só precisava de dinheiro. Não tinha preferência pela pessoa ou local em que o roubo seria cometido. Ele “só” estava de passagem pela universidade, o destino era o bairro Aero Rancho, mas a fragilidade da estudante chamou a atenção.

Ela passava sozinha pelo local em plena luz do dia. E com um canivete em mãos, Robson escolheu a estudante e partiu para a abordagem. A ideia inicial era apenas de roubá-la, mas Robson tirou da estudante muito mais do que bens materiais.

“Eu ia só pegar as coisas. Mas não sei, aconteceu. Eu acabei, daí deixei o lugar e o que poderia ser roubado”, fala.

Durante a entrevista, o Campo Grande News perguntou se ele tinha irmãs mulheres. A resposta foi afirmativa. Questionado sobre como ele se sentiria se uma irmã fosse estuprada, Robson respondeu imediatamente que iria “correr atrás do cara”.

Mas a frase seguinte revela um homem perturbado. Mesmo se colocando no lugar de irmão da vítima por alguns segundos, Robson descarta qualquer sentimento. “Mas ela mora lá em Ribeirão Preto e é só uma irmã por parte de pai”, fala em tom de descaso.

Apesar da tranquilidade Robson reclama da suposta discriminação que vem sofrendo desde que os casos foram descobertos. A inversão de valores na mente do autor impressiona. Ele como estuprador diz estar humilhado pela situação. E não pensa em momento nenhum no trauma que causou às pessoas violentadas.

“Eu não sou um monstro como vocês me vêem. Eu sou um ser humano como você. Não é só porque eu fiz isso que eu preciso ser humilhado assim”.

Na tarde em que foi preso, Robson conta que foi até a Polícia Militar porque sabiam que estavam procurando por ele. Ele chegou e se apresentou como autor de outro crime, foi liberado e ficou pelas redondezas. “Eu estava esperando, sabia que iam me pegar, era só esperar”.

Quando questionado se não tem medo da violência que vai sofrer quando chegar a cadeia, Robson afirma que “quem está com Deus não precisa estar com medo”.

Robson espera a conclusão dos inquéritos policiais. Para cada estupro pode pegar de 6 a 10 anos de prisão. Ele finaliza dizendo que a integridade “está nas mãos de Deus”.

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