Câmeras flagraram Bernal chegando a cenário de morte pronto para atirar
Câmeras de segurança gravaram cena e mostram chegada de ex-prefeito cerca de 1 hora depois da vítima
Vídeos coletados pela investigação do assassinato do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na varanda de casa na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, em Campo Grande, mostram que o ex-prefeito Alcides Bernal, 60, chegou ao local quase uma hora depois da entrada da vítima no imóvel e pronto para atirar. A informação consta nos relatórios elaborados pela Polícia Civil no registro do flagrante.
RESUMO
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Ex-prefeito Alcides Bernal foi preso após matar fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini em Campo Grande. Câmeras de segurança registraram Bernal chegando ao local armado, cerca de 50 minutos após a entrada da vítima na residência da Rua Antônio Maria Coelho. O crime ocorreu durante disputa por imóvel avaliado em R$ 3,7 milhões. Mazzini, que reivindicava a posse da casa comprada da Caixa Econômica Federal, foi atingido por dois tiros no tórax. Bernal alega legítima defesa, afirmando que reagiu a uma suposta invasão.
As imagens foram fornecidas por empresa contratada para fazer a segurança do imóvel, mas são guardadas a sete chaves pela investigação.
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“Pelos vídeos preliminares juntados aos autos, deu para ver que o suspeito chegou
e adentrou ao imóvel portando a arma de fogo”, diz o auto de prisão em flagrante de Alcides Bernal, assinado pela delegada Karolina Suza Pereira Bernardes.
Já o boletim de ocorrência registrado às 16h17 desta terça-feira (24), cerca de duas horas depois da morte, diz que após abrir o portão social do imóvel, por volta das 12h56, a vítima e o chaveiro se deslocaram até a porta principal de entrada da residência e que às 13h44 – ou seja, cerca de 50 minutos após o acesso –, Bernal chegou ao local.
“Pelas imagens de câmeras fornecidas pela empresa responsável pelo monitoramento, o senhor Alcides Bernal chegou ao local em seu veículo (uma caminhonete Nissan Frontier), desceu do veículo já com uma arma de fogo, foi em direção à vítima, e efetuou dois disparos”, narra o registro policial.
O que é descrito pelos investigadores que assistira aos vídeos bate com o que relatou o chaveiro, de 69 anos. Ele narra que havia acabado de abrir o portão quando Bernal entrou na casa já apontando a arma em direção a Roberto. O ex-prefeito disse, segundo a testemunha: “O que você está fazendo aqui na minha casa, seu filho da p...”.
Ele relata ainda que a vítima não teve nem tempo de responder antes de ser atingida pelos dois tiros. Bernal apontou então para o chaveiro que diz ter tentado se explicar: “Eu sou apenas o chaveiro, estou aqui porque ele pediu para eu abrir a porta.”
Bernal mandou que a testemunha deitasse de bruços e ele obedeceu. “O depoente declarou que ficou extremamente amedrontado com a situação. Relatou que enquanto o autor se dirigia ao senhor Roberto novamente apontando a arma para a vítima já caída no chão, e continuava a proferir diversas ameaças, mencionando que realizaria novos disparos, aproveitou-se desse momento para se levantar e para sair do local de fininho”.
Roberto foi atingido por dois disparos de arma de fogo na lateral direita do tórax, sendo que um deles transfixou o corpo da vítima, com orifício de saída nas costas.
Legítima defesa – Em seu depoimento à Polícia Civil, Bernal afirmou que morava e mantinha escritório de advocacia no endereço da Antônio Maria Coelho. Na tarde de ontem, não estava na casa, mas foi avisado por uma empresa de segurança de uma suposta tentativa de invasão, e, quando chegou ao local, foi surpreendido com Roberto Carlos e o chaveiro.
“Invadiu minha casa e estava invadindo novamente”, afirmou sobre a vítima. “Eu dei os tiros e não foi para matar, porque ele veio para cima de mim, uma pessoa que eu não conheço, nunca vi”, completou durante interrogatório. A defesa alega que o cliente atirou por reflexo, com o intuito de se proteger.
Roberto Carlos Mazzini reivindicava extrajudicialmente a posse da residência, que teria sido comprada por ele da Caixa Econômica Federal. O imóvel, comprado por Bernal em 2016 por R$ 1,6 milhão e avaliado atualmente em R$ 3,7 milhões, foi levado a leilão pelo banco por dívida do ex-prefeito com o financiamento.
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