Município de MS perde 58 mil hectares e R$ 12 milhões por mês com silvicultura
Situação é questionada por limites territoriais entre Selvíria e Três Lagoas
Selvíria perdeu aproximadamente 58 mil hectares de área territorial ao longo das mudanças das divisas municipais. A região, que atualmente reúne plantações de eucalipto, representa uma importante perda econômica, segundo um estudo realizado no município de Selvíria.
RESUMO
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Selvíria perdeu cerca de 58 mil hectares por mudanças nas divisas municipais, o que representa uma perda estimada de R$ 12 milhões mensais em silvicultura. Um estudo concluído em 2024 aponta o Rio Sucuriú como referência natural para redefinir os limites com Três Lagoas. O município enfrenta queda populacional e falta de industrialização, e busca recuperar o território para impulsionar o crescimento econômico.
De acordo com o idealizador do estudo “Reavaliação dos limites geográficos do município de Selvíria a partir da revisão Topográfica da Sub-bacia hidrográfica do Rio Sucuriú”, Valticinez Santiago, a estimativa é de que o município deixe de movimentar R$ 12 milhões por mês somente com a silvicultura plantada na área.
O estudo mostra que a utilização do curso natural do Rio Sucuriú como referência poderia representar uma forma de estabelecer uma divisão territorial mais compatível com a geografia da região.
“Geograficamente, essa área não é de Três Lagoas. Estamos querendo que seja revogada essa lei e que se crie o que o curso natural nos fala. A gente não pode mudar o rio”, destacou.
A discussão sobre a perda territorial está diretamente ligada à história de formação dos municípios de Três Lagoas e Selvíria.
O levantamento aponta que em 1914, foi criado o distrito de Véstia. Um ano depois, em 1915, foi criado o município de Três Lagoas. Em 1959, por meio da Lei Estadual nº 1.307, o distrito de Véstia teve sua denominação alterada para Guadalupe do Alto Paraná. Posteriormente, em 1980, foi criado o município de Selvíria, desmembrado de Três Lagoas, tendo como base territorial o então distrito de Guadalupe.
No entanto, as coordenadas geográficas apresentadas no estudo analisado revelam uma inconsistência: em alguns momentos, a região de Guadalupe aparece vinculada a Três Lagoas e, em outros, a Selvíria.
Para Valticinez, que é perito ambiental e secretário-adjunto de Meio Ambiente de Selvíria, a alteração das divisas ocorrida ao longo desse processo histórico é um dos pontos centrais da pesquisa.
Um dos principais elementos analisados é o Rio Sucuriú, que atravessa diferentes municípios e, na avaliação apresentada no estudo, poderia servir como referência para a definição das divisas.
“O município de Três Lagoas invadiu a área territorial. O que me chamou a atenção é que justamente o nosso município vem sofrendo a muitos e muitos anos com a questão territorial e os impactos tributáveis. O meu estudo é mostrar para o governo estadual e para a população o que aconteceu no passado”, pontuou.
Como secretário-adjunto, Valticinez pontua que o município precisa ir atrás dos seus direitos.
“O município tem que buscar seus direitos territoriais, porque a grande perda de recursos públicos está nessa área. Há documentos fartos para que a gente possa comprovar no meio jurídico, aonde possa convocar o IBGE e possa fazer a delimitação novamente. Há documentos do Exército Brasileiro, as cartas da Enciclopédia das Águas, toda a documentação comprova o que o estudo mostrou. Há um impacto ambiental, social, cultural e perda territorial", destacou.
A expansão da silvicultura é apontada como um dos principais fatores que aumentaram a importância econômica da área discutida. Selvíria possui atualmente 91 mil hectares de eucalipto plantado.
“A matéria-prima gerada pelo eucalipto não tem tributação, me chamou a atenção porque o município de Selvíria não crescia”, disse Valticinez.
O município, segundo ele, apresenta perda populacional de 7 mil pessoas e dificuldades para criar condições de crescimento econômico.
O cenário estaria relacionado às dificuldades enfrentadas pelo município para atrair empresas, gerar empregos e acompanhar o desenvolvimento econômico da região.
“Se nós conseguirmos recuperar essa área, ela nos traz um financeiro. Nós não temos especialidade médica na área, essa área seria para construir novas coisas.”
Entre as áreas citadas está a Eldorado, considerada por Valticinez como parte do território que Selvíria pretende recuperar. Em 2013, a reportagem já havia publicado sobre essa "briga", e, na época, tratava-se de 20 mil hectares.
O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura de Três Lagoas, de Selvíria e com a fábrica da Eldorado, e aguarda o retorno.
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