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01/10/2015 11:15

Campanha alerta mulheres sobre prevenção do câncer de mama

Flávia Lima
Voluntários e integrantes da Rede Feminina de Combate ao Câncer lançam Outubro Rosa, na Capital. (Foto:Simão Nogueira)Voluntários e integrantes da Rede Feminina de Combate ao Câncer lançam Outubro Rosa, na Capital. (Foto:Simão Nogueira)

Quando começou a sentir dores nas costas e no peito ano passado, a estudante de Filosofia Victtoria Arruda Dias, 20, não deu muita importância buscou apenas aliviar as dores com remédios paliativos.

Só com o agravamento dos sintomas, no início do primeiro semestre de 2015, é que ela decidiu procurar o médico, que descobriu um linfoma. Usando seu caso como exemplo, Victtoria esteve na manhã desta quinta-feira (1), na praça Ari Coelho, região central de Campo Grande, para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce.

Mas, para isso, é necessário procurar um médico tão logo o corpo comece a dar sinais de algo não anda bem. Esse é um dos objetivos do Outubro Rosa, campanha que nasceu nos Estados Unidos, na década de 1990, para estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de promover a conscientização e compartilhar informações sobre a doença..

No Brasil, a ação acontece desde 2010, através do INCA (Instituto Nacional de Câncer), que busca a promoção de espaços de discussão sobre o controle do câncer de mama, além de divulgar e disponibilizar materiais informativos, tanto para os profissionais de saúde quanto para a sociedade.

Em Campo Grande, a edição 2015 do Outubro Rosa foi lançada nesta quinta-feira com a participação de pelo menos 300 integrantes da Rede Feminina de Combate ao Câncer, entidade filantrópica ligada ao vinculada ao Hospital do Câncer Alfredo Abrão e que hoje conta com 60 voluntários na Capital.

Para o lançamento da campanha, a carreta do Hospital do Câncer de Barretos veio a Campo Grande e ficará estacionada na Praça do Rádio Clube, até às 17 horas, realizando 65 exames preventivos e mamografias.

Segundo a presidente da Rede Feminina, Rosana Aguilar de Andrade Macedo, durante todo o mês serão feitas palestras em empresas, alertando as mulheres sobre a necessidade de realizar a mamografia e os exames preventivos, sempre com foco no câncer de mama.

“É uma doença que vem avançando muito e as mulheres precisam ter consciência de quanto mais cedo for descoberta, mais sucesso terá o tratamento”, resalta.

Para a gerente de saúde da mulher da secretaria de Estado, Hilda Guimarães de Freitas, grande parte da população feminina tem receio em descobrir o resultado dos exames. “Elas até fazem, mas não levam para o médico ler depois”, conta, revelando que há pouco tempo uma amiga teve essa atitude e quando descobriu, a doença já estava em estado avançado.

O comportamento é preocupante, já que, conforme projeção do INCA, a expectativa é de que sejam descobertos cerca de 740 casos por ano de câncer de mama em Mato Grosso do Sul. Hilda Freitas afirma que entre 160 e 170 mulheres morrem por ano em decorrência da doença no Estado.

Ela diz que para reverter o quadro é necessária uma mobilização contínua. “A recomendação nas unidades de saúde é pedir a mamografia para todas a mulheres acima de 50 anos, parcela mais acometida pela doença”, diz. Apesar do foco ser essa faixa etária, ela lembra que a mamografia, de modo geral, é recomendada para as mulheres a partir dos 40 anos.

“Ainda há aquela ideia de que o exame vai doer, mas no fundo, creio que o medo de descobrir algo é maior”, ressalta. Hilda explica que no caso das mulheres que nunca amamentaram, o cuidado deve ser redobrado. “Quando amamentamos, auxiliamos no processo de maturação das células mamárias, por isso a mulher que nunca engravidou precisa ficar atenta”, alerta.

No Estado, as cidades de Corumbá, Três Lagoas, Dourados, além da Capital, contam com serviço de tratamento do câncer, porém os exames de mamografia podem ser solicitados em toda a rede pública de saúde. Nos municípios onde não há tratamento disponível, os pacientes são encaminhados para a cidade mais próxima onde ele seja feito.

Para engrossar a lista das entidades envolvidas no Outubro Rosa, o governo do Estado também irá realizar, na próxima terça-feira (6), o lançamento de uma campanha que visa alertar a população feminina sobre a necessidade da prevenção para o diagnóstico precoce.

Autoridades do meio político, como a vice-governadora Rose Modesto e apropria primeira-dama, Fátima Azambuja, foram convidadas a dar depoimentos sobre a importância da mobilização e do cuidado com a saúde da mulher.

O alerta também abrange a cultura, através de uma exposição internacional de fotos, que será aberta dia 15, no shopping Norte Sul. Os registros focam mulheres que já tiveram ou tem câncer de mama, sob diversos aspectos.

Otimismo e solidariedade – Mesmo descobrindo o linfoma um ano após os primeiros sintomas, a estudante Victtoria Dias recebeu um prognóstico positivo, tanto que seu tratamento está previsto para terminar em fevereiro. “Já no primeiro ciclo de quimioterapia o nódulo e a febre desapareceram”, conta.

Mas a empolgação com a notícia não foi o único fator que levou a estudante para a praça Ari Coelho. Ela diz ser uma otimista nata e desde a descoberta, nunca se deixou abater. “A cabeça é que comanda. Se você se entregar, tudo fica mais difícil”, ensina.

Mesmo não sendo voluntária da Rede Feminina, ela enaltece o trabalho desenvolvido, já que o grupo, através de doações, produz perucas e próteses para entregar as pacientes. E dentro do seu espírito de solidariedade, Victtoria não apenas cortou o cabelo para contribuir com as perucas, como também incentivou o irmão, que há 22 anos não cortava o cabelo, a fazer o mesmo.

A história ela conta com os olhos cheios de lágrima. “Sempre que me lembro me emociono. Senti muito prazer em poder ajudar”, diz.

Mas a cumplicidade da família não para por aí. O próprio pai da estudante, o empresário Ary Dias, que acompanhava a filha orgulhoso no lançamento da campanha, também passou por um tratamento de dois anos devido a um câncer nos rins. Após uma cirurgia, ele mal havia retomado a rotina quando descobriu a doença da filha.

Juntos, pai e filha contavam sua história de superação ao público presente no lançamento da campanha e compartilhavam, além de informação, otimismo a outros pacientes também em tratamento. “Ela cuidou de mim e agora eu estou cuidando dela. Ela nunca me deixou desanimar”, destaca.

Presidente da Rede Feminina, Rosana Macedo diz que campanha vai se concentrar nas palestras em escolas. (Foto:Simão Nogueira)Presidente da Rede Feminina, Rosana Macedo diz que campanha vai se concentrar nas palestras em escolas. (Foto:Simão Nogueira)
Ary Dias e a filha Victtoria alertavam, com otimismo, sobre a importância do diagnóstico precoce. (Foto:Simão Nogueira)  Ary Dias e a filha Victtoria alertavam, com otimismo, sobre a importância do diagnóstico precoce. (Foto:Simão Nogueira)
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