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Campo Grande, Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

30/04/2019 11:10

Capital terá residencial para trabalhadores do núcleo industrial

Empreendimento vai ser discutido em audiência pública no dia 24 de maio. Residencial prevê 5.870 casas cercadas pelo córrego Imbirussu e APP com investimento de R$ 30 milhões

Izabela Sanchez
Área onde loteamento será construído o loteamento (Foto: Reprodução)Área onde loteamento será construído o loteamento (Foto: Reprodução)

A região do núcleo industrial, cercado pelo córrego Imbirussu e por uma APP (Área de Preservação) deve ganhar um novo “bairro” em 2028. O novo residencial, loteamento Fazenda Palmeira, terá 246 hectares, 5.870 casas, investimento de R$ 30 milhões e será discutido em audiência pública da Prefeitura.

As casas serão voltadas aos trabalhadores da indústria, segundo o relatório de impactos ambientais elaborado pela Costa Engenharia. O empreendimento é da Hedge Loteamentos e será discutido em audiência no auditório da Planurb (Agência Municipal de Melo Ambiente e Planejamento Urbano) dia 24 de maio, às 18h.

O loteamento tem fins sociais, de acordo com o projeto, e parte da área foi doada para a Emha (Agência Municipal de Habitação) para o programa Minha Casa, Minha Vida. Junto às casas, o projeto também prevê a instalação de equipamentos urbanos, como abastecimento de água, esgotamento sanitário e iluminação pública.

“Sabe-se que boa parte dos empregados das indústrias do bairro núcleo industrial não residem neste bairro, justamente pelo fato de tratar-se de uma área industrial, com escassa possibilidade de moradia. Assim, a existência de um loteamento particular, com a finalidade social de promover moradia aos trabalhadores do núcleo industrial do município de Campo Grande, contribuiria para o conforto e bem-estar desse grupo social”, afirma o relatório.

Poluição – O Córrego Imbirussu e a APP estão localizado ao sul de onde o loteamento será construído e as águas recebem efluentes industriais. Sedimentado, o córrego tem diversos processos de erosão, com solo exposto e sem vegetação, além de apresentar poluição. Na elaboração do relatório, o engenheiro ambiental também notou um “odor” porque o córrego tem sido alvo de deposição de esgoto e descarte de materiais.

A mata ciliar também está prejudicada pela poluição e pelo assoreamento. “As árvores nativas estão sofrendo com a ação da má conservação e poluição dessa Área de Proteção Ambiental, assim como o barranco do córrego. Caso não sejam tomadas as devidas providências emergenciais, há o risco de ocorrer um deslizamento do barranco de terra e consequentemente mudar o curso deste córrego ou até mesmo interromper a vazão da água criando uma problemática ainda maior ao meio ambiente”, diz o documento.

Pelo mapa é possível observar a região do núcleo e da mata que cercam a área do loteamento (Foto: Reprodução)Pelo mapa é possível observar a região do núcleo e da mata que cercam a área do loteamento (Foto: Reprodução)

Outra questão apontada é sobre o cheiro das atividades industriais, levado até o local pela direção dos ventos. “Esse odor característico é resultante do processo produtivo das indústrias instaladas no bairro mencionado, e se propaga para toda a região de entorno através do ar, podendo ser levado a grandes distâncias por ação dos ventos”.

Para sanar o problema, a intenção, segundo a empresa, é plantar mudas de eucalipto da espécie Corymbia citriodora, ao longo do limite leste da área do loteamento. “O plantio das mudas de eucalipto funciona como espécie de cortina-arbórea de absorção de odores, uma vez que a planta escolhida é muito aromática, sendo assim capaz de suavizar o odor proveniente da área industrial, e também devido ao porte da espécie, que por ser muito alta, é capaz de dispersar as correntes de vento mais altas”, explica o relatório.

As recomendações do relatório são para os “impactos negativos” da implantação da infraestrutura urbana . Recompor a mata nativa da APP, evitar a degradação do córrego e avaliar a qualidade da água são orientações.

Representante legal da Hedge, Rubens Filinto da Silva afirma que as obras começam no próximo ano e levam 8 anos para ficarem prontas. Ele afirma que o empreendimento segue o que estabelece a revisão do Plano Diretor para infraestrutura das periferias e preenchimento de vazios urbanos.

“O que acontece em Campo Grande? A gente tem pouca infraestrutura nas regiões de periferias. Um problema que Campo Grande tem é que o emprego está longe do empregado, o cidadão mora na periferia e tem que deslocar para chegar numa região como o Indubrasil, leva 2h, que é um centro onde tem dois núcleos empresariais. Então o novo plano diretor traz no seu raciocínio que você tenha mobilidade, diminua esse deslocamento, onde tem empresa tem que ter moradia, por isso que estamos fazendo, porque tem muito emprego e pouca moradia”, afirma.

Sobre a preservação ambiental, disse que a APP “está sendo toda preservada” e afirma que já foram plantados 15 mil mudas de eucalipto no entorno. “Queremos implantar mais 15 mil, o vento é no sentido contrário, então lá está em um local protegido do vento, e ele leva o mau cheiro para outro lado”, afirmou.

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