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Capital

Casa do Albergado tem camas "lado a lado", denuncia preso com medo da covid-19

Unidade penal para regime aberto tem capacidade para 240 pessoas, mas interno diz que é difícil manter o distanciamento no local

Por Silvia Frias | 05/08/2020 09:34
Casa do Albergado é ocupada, hoje, por 190 presos do regime aberto (Foto/Direto das Ruas)
Casa do Albergado é ocupada, hoje, por 190 presos do regime aberto (Foto/Direto das Ruas)

Há cerca de dois meses e meio na Casa do Albergado, em Campo Grande, preso do regime aberto, de 30 anos, percebeu o aumento do número de internos que passaram a dormir no estabelecimento penal e, ontem à noite, mandou imagens do vai e vem dos internos e a proximidade das camas. O temor é pela lotação completa e risco de contágio pela covid-19.

“Fica um do lado do outro, não tem como manter distanciamento”, diz o interno, que pediu para não ser identificado, já que as imagens foram feitas irregularmente, pois não é permitido posse de telefone celular dentro da Casa do Albergado.

A Casa do Albergado, na Vila Sobrinho, é destinada aos presos beneficiados com a progressão do regime, que passam o dia fora e voltam apenas para dormir, às 19h.

Quando chegou, há cerca de dois meses e meio, diz que pouco mais de 100 pessoas dormiam no local. Agora, estima cerca de 200. O albergado conta que eles receberam álcool em gel e máscaras quando chegam ao estabelecimento, mas é praticamente impossível manter distanciamento dentro do galpão usado como dormitórios.

Há ventiladores espalhados pelo local, mas não há outra forma de arejar o ambiente.
As camas estão encostadas uma às outras e os internos se cruzam nos estreitos corredores.

“Um que entra doente ali, vai todo mundo”, diz o rapaz, contando que colega que dormia próximo foi mandado para quarentena domiciliar, por suspeita da doença.

O diretor-presidente da Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário), Aud de Oliveira Chaves, diz que a Casa do Albergado tem capacidade para 240 pessoas e, hoje, abriga 190, abaixo da capacidade de lotação, justamente para controlar o distanciamento.

Chaves diz que a Justiça de Campo Grande permitiu a volta para casa de cerca de 300 presos, que estavam dentro dos critérios estabelecidos para progressão aberto. O diretor diz que, às vezes, as denúncias são feitas como forma de pressão dos albergados que querem passar para regime domiciliar e não serem mais obrigados a dormir no estabelecimento penal.

Segundo o diretor da Agepen, estão sendo adotados os cuidados sanitários para evitar contaminação da covid-19, com testagem dos casos suspeitos e quarentena domiciliar.

A assessoria da Agepen também enviou nota dizendo que a Casa do Albergado está usando 53,8% da capacidade e que os internos que apresentam sintomas são encaminhados ao módulo de saúde do Complexo Penitenciário para realizar os testes necessários.

“Os casos suspeitos e/ou confirmados são informados ao juiz competente, o qual determina o isolamento domiciliar pelo prazo de 14 dias, seguindo os protocolos nacionais de saúde e o tratamento devido”, informou assessoria.

 O retorno à Casa do Albergado apenas ocorre após laudo médico comprovando o restabelecimento da saúde.


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