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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

28/05/2019 13:34

Chefão do tráfico internacional é absolvido por lavagem de dinheiro

Ivan Carlos Mendes Mesquita e os filhos eram acusados de usar dinheiro do tráfico para compra de imóveis e casa lotérica

Silvia Frias
Ivan Carlos Mendes Mesquita em 2004, quando foi extraditado aos EUA (Fonte: ABC Color)Ivan Carlos Mendes Mesquita em 2004, quando foi extraditado aos EUA (Fonte: ABC Color)

O traficante Ivan Carlos Mendes Mesquita foi absolvido, por falta de provas, da acusação de lavagem de dinheiro relacionado a processo em tramitação desde 2015. Na denúncia do MPF (Ministério Público Federal), constava que ele, considerado um dos maiores chefes do narcotráfico, e os filhos teriam usado dinheiro proveniente do crime para compra de imóveis, carros e casa lotérica.

Na decisão, consta a absolvição da filha de Ivan, Kenia Cristina El-Kadamani Mesquita. O filho, Klayton Kadamani Mesquita, também havia sido acusado, mas morreu em julho de 2016, sendo declarada extinta a punibilidade.

Em dezembro de 2000, havia sido condenado a 25 anos de prisão, pela posse de 794 quilos de cocaína.

Em 2004, foi preso novamente com 262 quilos de cocaína, sendo extraditado para os EUA, por suspeita de envolvimento com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em que trocaria armas por drogas.

Segundo a denúncia do MPF, de 2000 a 2004, teria mantido a família com recursos oriundos do tráfico e, para não levantar suspeitas, havia colocado os bens em nome dos filhos, Klayton e Kenia. O MPF listou 12, entre carros, uma fazenda, a casa em que a família morava e uma casa lotérica, administrada pelos filhos.

No decorrer do processo, após quebra de sigilo fiscal de Ivan e Klayton, o próprio MPF pugnou pela absolvição do crime de lavagem de dinheiro em 11 dos 12 itens elencados, com exceção da ampliação de imóvel em Ponta Porã. O juiz da 3ª Vara Federal avaliou que não havia provas suficientes para atestar que o dinheiro usado na casa seria decorrente do tráfico, já que a compra, parcelada, foi realizada em 1999, um ano antes da primeira prisão de Ivan.

A Justiça absolveu Ivan das acusações. Em relação a Kênia, também foi sustentada a tese de falta de provas, já que ela havia repassado procuração para o irmão, que administrou a casa lotérica em nome dela e também havia doado veículo a ela. “Ao tempo dos fatos, ela possuía entre 13 e 20 anos de idade, e a confiança no irmão e no pai impedi-la-ia de ter adequada compreensão dos fatos”.

Penas – Ivan Carlos Mendes Mesquita foi considerado um dos principais chefes do narcotráfico internacional. No total, as sentenças somam 114 anos, 4 meses e 11 dias, em regime fechado.

Depois de ter cumprido pena nos EUA, até 2010, teve a pena reduzida, após assumir compromisso com as autoridades em retornar ao Brasil para contribuir com a polícia no combate ao tráfico de drogas, porém, manteve as atividades criminosas.

Em junho de 2015, foi preso pela PF (Polícia Federal) na Operação Mosaico. Conforme a polícia, ele morava no Paraguai e era responsável pela remessa de grandes quantidades de cocaína, utilizando pequenas aeronaves para envio ao Brasil e armazenamento em navios, até remessa final a outros países.

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