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Capital

Com IPTU zero, casa de invasão da Homex é vendida a 15 mil na OLX

Anunciado sem constrangimento, o imóvel em área invadida tem duas peças de zinco e um banheiro

Por Aline dos Santos | 14/08/2020 12:21
Na internet, imóvel na invasão da Homex é vendido por R$ 15 mil.
Na internet, imóvel na invasão da Homex é vendido por R$ 15 mil.

Com atrativos como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e condomínio zero, um imóvel é anunciado como “Casa na homex invazao”, com Z no lugar do S mesmo, no portal OLX. O preço é de R$ 15 mil e o vendedor está aberto à negociação, aceitando carro ou moto.

Anunciado sem constrangimento, o imóvel em área invadida tem duas peças de zinco e um banheiro de madeira. A área, no Jardim Centro-Oeste, região do Paulo Coelho Machado, é particular e remanescente de um projeto de milionário da mexicana Homex, que veio a Campo Grande com a promessa de construir três mil casas.

A partir de 2013, o projeto foi abandonado e os terrenos, que receberiam os residenciais, foram invadidos por 2.500 famílias. Apesar de o terreno não ser público, o diretor-presidente da AMHASF (Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários), Eneas José de Carvalho, destaca que a situação da venda na internet mostra um cenário comum das invasões na cidade.

“Isso corrobora com o entendimento de que é preciso conter invasões. As pessoas entram, invadem e começam a comercializar, vira um ativo imobiliário para fazer dinheiro”, afirma.

Para o diretor, a questão fundiária no Brasil tem a herança de um problema cultural. “Existiram alguns programas de reassentamento que acabaram privilegiando o invasor. Invadem para forçar a administração pública a encontrar alguma solução. Mas quando conseguem o benefício, invadem outra área”.

Mapa mostra área da invasão destacada em vermelho.
Mapa mostra área da invasão destacada em vermelho.

No caso da Homex, a prefeitura tenta negociação com a massa falida, mas há impasse sobre valores. A Homex chegou a pedir R$ 33 milhões pelo terreno,  que tem avaliação de R$ 12 milhões e fica no limite do perímetro urbano.

“Tentar um projeto de regularização ou que enxerguem que é uma área perdida. Mas com dor no coração, sei que ali é uma percentagem mínima que realmente precisa. Acho que pífia seria a palavra mais correta”, afirma Eneas.

 A reportagem não conseguiu contato com o anunciante. Ao Campo Grande News, A OLX informou que "a atividade da empresa consiste na disponibilização de espaço para que usuários possam anunciar e encontrar produtos e serviços de forma rápida e simples". "Diariamente, em torno de 500 mil anúncios são inseridos na plataforma. Toda negociação de imóveis é realizada fora do ambiente do site, portanto, a empresa não faz a intermediação ou participa de qualquer forma das transações, que são feitas diretamente entre os usuário", completou por nota.

Invasão em terrenos onde seriam construídos residenciais começou em 2013. (Foto: Marcos Maluf)
Invasão em terrenos onde seriam construídos residenciais começou em 2013. (Foto: Marcos Maluf)

 Gatos - A invasão da Homex também é notícia pelas ligações irregulares de energia elétrica, os “gatos”. O Campo Grande News mostrou a grande preocupação dos moradores, da ala dos que não se valem da gambiarra, com o número de ligações irregulares.

A situação comprometia a segurança, com sobrecarga na rede, danos em equipamentos, risco de choques elétricos e curto circuitos. Decisão judicial ordenou a regularização do fornecimento de energia. Em junho, a empresa informou que o trabalho levará três meses.

Matéria alterada às 18h29 para acréscimo do retorno da OLX.