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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017

25/08/2016 07:38

Com seis mil pessoas, condomínio vive cercado pelo abandono no Parati

Chloé Pinheiro
Placa diz que a propriedade é particular, mas não há mais muro ou portão para impedir acesso, que dá nos fundos do Village Parati. (Foto: Marcos Ermínio)Placa diz que a propriedade é particular, mas não há mais muro ou portão para impedir acesso, que dá nos fundos do Village Parati. (Foto: Marcos Ermínio)

Os ventos fortes do temporal do último sábado (20) em Campo Grande, além de destelharem as casas de mutirão no Bom Retiro, fizeram, do outro lado da cidade, ceder o muro de um terreno abandonado no Jardim Parati.

Parece pouco, mas, para os moradores do Village Parati, o maior condomínio residencial de Campo Grande, o muro é a gota d'água de uma situação de descaso e risco à saúde e segurança, fruto do abandono da construtora PDG para com os milhares de condôminos que ali vivem.

"Esse terreno era para a última leva de 700 casas, que não foi entregue e, de um ano pra cá, a construtora passou a tirar seus materiais daqui", conta César Melo Garcia, servidor público que mora desde 2011 com a família no Village.

A última movimentação da PGD no lugar, há cerca de duas semanas, segundo os moradores, foi a demolição da estrutura que servia de base para a obra que entregou milhares de casas em 2013 e incluía um galpão e uma espécie de sede. "Esse terreno ainda não foi entregue para o condomínio, continua sendo da PDG", explica Luiz Lima, 36 anos, sub-zelador do Village.

O problema é que demolir as paredes fez com que o muro ficasse sem apoio e se tornasse um perigo iminente. Primeiro, porque os tijolos podem cair na cabeça dos passantes desavisados a qualquer momento em que o vento sopre mais forte e, segundo, porque expõe uma falha de segurança. Um alambrado simples de metal, colocado há anos para separar os dois blocos do condomínio, é a porta de entrada para furtos nas casas.

O sub-zelador mostra um dos pontos críticos do frágil alambrado que faz às vezes de muro no condomínio. (Foto: Marcos Ermínio) O sub-zelador mostra um dos pontos críticos do frágil alambrado que faz às vezes de muro no condomínio. (Foto: Marcos Ermínio)

"Faz anos que esse alambrado está aí e é por ele que entram para roubar as casas. Ele chegou a ceder em alguns pontos e consertaram há pouco tempo, mas já está cedendo de novo", mostra Luiz Lima.

Entre o muro prestes a ruir e o alambrado, uma grande área desocupada mostra ruínas de concreto em pontos que seriam as fundações das casas, mas hoje acumulam focos de larvas do mosquito da dengue. O medo das infestações de insetos e invasões, aliás, é uma realidade que cerca os moradores do condomínio. E cerca no sentido literal, já que o condomínio tem pelo menos 3 áreas abandonadas ao seu redor. 

Em um deles, na Rua da Divisão, o mato está alto há anos. "Por causa dele, já entrou rato, gambá e vi até cobra na minha casa. Já denunciamos, mas não adiantou nada", desabafa Luiz. Já nos fundos do empreendimento, a Rua Penalva, sem pavimentação, virou depósito de lixo e, em menos de dez minutos no local, a reportagem flagrou duas pessoas tentando jogar resíduos ali. 

A outra saída do terreno dá para a rua Senador Filinto Muller, justamente onde, agora, há mais um terreno baldio -- e um muro meio caído, meio em pé. A PDG informou em nota que enviará uma equipe de engenheiros ao local para fazer a vistoria técnica e avaliar as causas do incidente. 

Apenas uma das dezenas de ruas do condomínio. (Foto: Marcos Ermínio) Apenas uma das dezenas de ruas do condomínio. (Foto: Marcos Ermínio)

Cidade particular com direito a disputa política - Por dentro dos muros -- ou alambrados, em alguns pontos -- o Village Parati é um mundo à parte. Somando com a área abandonada que deveria abrigar a fase IV do empreendimento, são 14 hectares, ou 140 mil metros quadrados. 

Nele, vivem mais de seis mil pessoas em 1.826 casas. Se fosse uma cidade, ela seria maior do que 13 municípios do Mato Grosso do Sul. A população é tão significativa que há até espaço para disputas políticas que, segundo os moradores, são polarizadas. 

"Essa nova administração foi eleita na base da fraude, negociando o acesso à prestação de serviços para os condôminos", contou um dos moradores que não quis se identificar. O grupo de oposição espera até a renúncia da síndica, que tomou posse há quatro meses. "O povo é engajado, mas acaba ficando uma disputa como PT x PSDB, cheia de picuinhas", conta Luiz, que já foi sub-síndico e faz parte da gestão atual. 

Quando não está discutindo, a comunidade se organiza para se divertir e usufruir da proximidade -- e bota proximidade nisso, já que as casas de 48 e 52m² são geminadas. Vizinhos praticam esportes na quadra de grama, onde uma escolinha de futebol foi recentemente inaugurada, e fazem eventos como bazares comunitários e festas juninas. 

O comércio, apesar de proibido por regra interna desde o ano passado, quando começaram a fazer até barraquinhas na frente das casas, continua acontecendo por baixo dos panos. "Tem de tudo, de lanche a marido de aluguel", revela um morador. 




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