“Comprou para morar”, diz família em velório de fiscal morto por Alcides Bernal
Cartório certificou que imóvel estava desocupado, segundo nota divulgada por parentes de Roberto Mazzini
Em nota, a família de Roberto Carlos Mazzini, 61 anos, disse estar muito abalada e que a morte do fiscal tributário de Mato Grosso do Sul deixa um vazio irreparável. O servidor, assassinado pelo ex-prefeito Alcides Bernal, está sendo velado na manhã desta quarta-feira (25). O crime aconteceu na tarde de terça-feira (24), no Bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.
RESUMO
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O fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, foi morto a tiros pelo ex-prefeito Alcides Bernal em Campo Grande. O crime ocorreu quando a vítima tentava acessar um imóvel que havia comprado da Caixa Econômica Federal no bairro Jardim dos Estados. Em nota, a família de Mazzini afirmou que o imóvel foi adquirido legalmente e estava desocupado no momento da compra. Bernal, que ainda residia no local, alega legítima defesa, afirmando que reagiu a uma tentativa de invasão. O ex-prefeito se apresentou à polícia após o incidente.
No documento encaminhado para a imprensa, os familiares afirmaram que o imóvel pivô da morte havia sido comprado junto à Caixa Econômica Federal e o objetivo de Mazzini era morar no local.
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“Tratava-se de um bem que já não pertencia ao antigo proprietário, tendo este perdido a propriedade anteriormente (ele havia sido regularmente notificado disso). O contrato de compra e venda foi firmado e o cartório competente certificou que o imóvel se encontrava desocupado no momento da aquisição”, diz a nota.
Os familiares destacam não ter tido acesso às imagens que, segundo eles, demonstrarão que Mazzini estava entrando no local que adquiriu por meios legais e que consta como desocupado na documentação, quando foi surpreendido por Bernal.
“Após ser notificado por equipe de segurança, o Sr. Alcides Bernal dirigiu-se ao local armado e ingressou na residência efetuando disparos. Os indícios apontam que sua conduta foi deliberada e antecedida de decisão consciente. Roberto Mazzini estava desarmado, foi atingido covardemente nas costas e não teve qualquer possibilidade de defesa”, pontua a família.
Durante o velório nesta manhã, os familiares estavam bastante abalados e se limitaram a dizer que Mazzini tinha direito na casa, mas que em outro momento pretendem falar com a imprensa, no entanto, negaram que o fiscal tributário tinha costume de comprar imóveis de leilão e não confirmaram que ele teria 25 imóveis.
"Reiteramos nosso luto e pedimos respeito neste momento de dor", finaliza a nota.
A morte – Conforme apurado pelo Campo Grande News, Roberto foi quem arrematou o imóvel de Bernal e nesta tarde, chegou ao local acompanhado de um chaveiro e uma notificação extrajudicial de despejo.
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, que ainda mora no local, efetuou os disparos e a vítima foi atingida por ao menos dois tiros na varanda da casa.
Equipes de socorro realizaram tentativas de reanimação por cerca de 25 minutos, mas Roberto Carlos não resistiu e morreu no local. Uma das filhas da vítima acompanhou os trabalhos da perícia.
Após a morte, testemunhas relataram que Bernal deixou o local sem prestar socorro, mas se apresentou pouco tempo depois na 1ª Delegacia de Polícia.
O ex-prefeito alega legítima defesa. A versão é reforçada pelo advogado Oswaldo Meza, que acompanhou o ex-prefeito em interrogatório. Segundo ele, a entrada da vítima com auxílio de um chaveiro foi ilegal. “Arrombaram a casa dele”, disse, ao citar que o fiscal tributário estadual foi até o endereço com a intenção de assumir a posse do imóvel sem decisão judicial.
O jornalista Wendell Reis, do site InvestigaMS, conseguiu conversar brevemente com o ex-prefeito, provavelmente antes dele se apresentar à polícia. Bernal disse que foi avisado de invasão e reagiu a uma agressão. “Desta vez, fui avisado. Estavam arrombando a porta da sala. Quando me viram, tentaram me agredir e tive que me defender”, alegou.
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