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Capital

"Se defendeu da pior forma possível", diz advogado de Bernal após assassinato

Ex-prefeito alegou legítima defesa, mas vai continuar na cadeia após prisão em flagrante

Por Ângela Kempfer e Judson Marinho | 24/03/2026 18:06
"Se defendeu da pior forma possível", diz advogado de Bernal após assassinato
Advogado Wilton Acosta, na porta da delegacia onde Bernal está preso (Foto: Paulo Francis)

O ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal vai passar a noite na cadeia após ter a prisão em flagrante decretada nesta terça-feira (24), depois da morte do fiscal tributário do Estado Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados.

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O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, foi preso em flagrante após matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, em um imóvel no Jardim dos Estados. O incidente ocorreu durante uma tentativa de posse do imóvel, que havia sido adquirido pela vítima em leilão da Caixa Econômica Federal. A defesa, representada pelo advogado Wilton Acosta, alega legítima defesa, afirmando que Bernal foi alertado sobre uma possível invasão. O ex-prefeito possui porte regular de arma e aguarda audiência de custódia em sala de Estado Maior, por ser advogado. A Justiça decidirá sobre a manutenção da prisão.

Ele permanece detido no Cepol (Centro Especializado de Polícia Integrada), mas será encaminhado sob escolta para o Presídio Militar Estadual, onde permanecerá em uma cela especial e deve ser apresentado em audiência de custódia nesta quarta-feira (25), quando a Justiça vai avaliar a legalidade da prisão e decidir se ele continuará preso ou poderá responder ao caso em liberdade.

A defesa, representada pelo advogado Wilton Acosta, sustenta que Bernal agiu em legítima defesa. Afirma que ele foi previamente alertado por uma empresa de segurança sobre uma possível invasão.

O advogado diz que o ex-prefeito foi até o imóvel onde mora e mantém o escritório e encontrou pessoas "arrombando" o portão e a porta da residência. “Ele foi alertado pela segurança, foi até sua casa e encontrou as pessoas arrombando. Foi xingado, maltratado e, nesse nervosismo, infelizmente se defendeu da pior maneira possível”, declarou.

Ainda de acordo com a defesa, o ex-prefeito possui porte de arma regular. Acosta lembra que Bernal procurou a polícia na sequência. "Ele se apresentou voluntariamente e está à disposição da Justiça”, disse.

Sobre o documento extrajudicial encontrado no carro da vítima, que previa desocupação do imóvel, o advogado afirmou que a questão será discutida judicialmente e criticou a forma como a tentativa de posse foi conduzida. “A notificação não obriga a desocupação. Isso tem que ser discutido no processo legal. A maneira como foi feita essa abordagem, infelizmente, gerou toda essa situação”, afirmou.

Segundo ele, a casa tem câmeras de segurança que terão as imagens periciadas para entender o que ocorreu de fato. O homem levou dois tiros e caiu na varanda da casa. Equipes tentaram a reanimação por 25 minutos, mas ele não resistiu e morreu no local.

"Se defendeu da pior forma possível", diz advogado de Bernal após assassinato
Servidor estadual foi assassinado na varanda da casa no Jardim dos Estados

O documento citado é uma notificação extrajudicial, datada de 20 de fevereiro de 2026, que estabelecia prazo de 30 dias para desocupação “voluntária” do imóvel, já expirado. O texto não tem força de ordem judicial de despejo, ou seja, não autoriza retirada forçada.

A presença de um chaveiro no local, usada pela defesa como indicativo de invasão, está ligada à tentativa de posse por parte da vítima, que havia adquirido o imóvel em leilão da Caixa Econômica Federal.

Antes do caso, Bernal já havia procurado a Polícia Civil para relatar suposta perseguição e tentativas de invasão no imóvel onde morava, ponto que agora integra a linha de defesa.

Por ser advogado, Bernal deve ser encaminhado a uma sala de Estado Maior, espaço destinado a profissionais da advocacia em situação de prisão, onde aguardará a audiência de custódia e as próximas decisões da Justiça.