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Capital

Condenado a 100 anos, traficante foge 8h depois de conseguir prisão domiciliar

Gerson Palemo conseguiu decisão do TJ plantão do feriado, que foi revogada ontem, mas já era tarde

Por Marta Ferreira | 23/04/2020 06:32
Gerson Palermo, de 63 anos, estava no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, desde 2017, quando foi preso pela PF. (Foto: Direto das Ruas)
Gerson Palermo, de 63 anos, estava no Estabelecimento Penal Jair Ferreira de Carvalho, em Campo Grande, desde 2017, quando foi preso pela PF. (Foto: Direto das Ruas)

Com pena de 100 anos de prisão a cumprir e histórico criminal que inclui o sequestro de avião da extinta Vasp, o traficante Gerson Palermo, 62 anos, fugiu neste dia 22 de abril, poucas horas depois de ser colocado em prisão domiciliar, em Campo Grande.  Ele também já foi apontado como uma das lideranças da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Beneficiado por liminar do desembargador Divoncir Scheirener Maran, durante o plantão do judiciário no feriado de Tiradentes, Palemo colocou tornozeleira eletrônica nesta quarta-feira (22) ao meio dia. Às 17h, outra decisão judicial, do desembargador Jonas Hass reverteu a liminar e mandou Parlemo voltar para a prisão.

Já era tarde: às 20h14, a unidade de monitoramento virtual de presos identificou o rompimento da tornozeleira, ou seja, a fuga.

Ao revogar a conversão da prisão em domiciliar, o segundo desembargador a avaliar o assunto justificou que Palermo é considerado de “alta periculosidade”, e também questionou a falta de laudo pericial médico atestando as enfermidades que corroborassem o pedido de prisão domiciliar feito pelos advogados.

A defesa havia feito a solicitação no dia 1º de abril, à 1ª Vara de Execução Penal em Campo Grande, sob alegação de que Palermo tem mais de 60 anos, sofre de diabetes e hipertensão e por isso corre risco de contrair a covid-19 no cárcere. Na peça inicial, a reclamação é de que Palermo não foi incluído na decisão do magistrado responsável pela Vara, Mário José Esbalqueiro, que permitiu a prisão domiciliar a presos em situação de risco.

O magistrado, porém, entendeu que diante da pena altíssima e do fato de fazer parte de organização criminosa com tentáculos até fora do País, não era o caso.

Agora, as autoridades policiais estão alertadas de que Palermo é mais um a ser recapturado.

Gerson Palermo no dia da prisão pela Polícia Federal. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Gerson Palermo no dia da prisão pela Polícia Federal. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Saiba quem é - Gerson Palermo está preso desde março de 2017. Sua condenação mais recente foi em agosto de 2019, a partir da Operação All In, da Polícia Federal. Palermo é piloto, acumula passagens pela polícia desde 1991, sendo considerado chefe e coordenador do esquema de tráfico de cocaína pela fronteira com o Paraguai.

Com bases em Mato Grosso do Sul e no Paraná, o grupo foi investigado entre abril de 2016 e março de 2017. Durante a investigação, foram apreendidas 810 quilos de cocaína. Em 27 de abril de 2016, o primeiro flagrante recolheu 504 quilos da droga. A apreensão foi em Cubatão (SP).

Ele também tem condenação por ser um dos seis autores do sequestro do Boeing 727/200 da Vasp, em 16 de agosto de 2000, 20 minutos depois da decolagem da aeronave do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu, com destino a Curitiba (PR).

Palermo teria obrigado o comandante do voo a pousar na pista de Porecatu, também no Paraná. Ali, a quadrilha fez a tripulação a abrir o compartimento de carga, de onde roubou nove malotes do Banco do Brasil, contendo R$ 5,5 milhões. Fugiram em seguida, em um veículo também roubado.