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Capital

Crianças enfrentam frio em canteiro de avenida para famílias lucrarem no sinal

Os pequenos são de uma família de 23 venezuelanos que está na cidade tentando arrumar emprego

Por Ana Beatriz Rodrigues e Geniffer Valeriano | 27/05/2024 15:05
Yorwan Sanchez, junto dos irmãos no canteiro da Avenida Afonso Pena (Foto: Paulo Francis)
Yorwan Sanchez, junto dos irmãos no canteiro da Avenida Afonso Pena (Foto: Paulo Francis)

Para quem passou no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena nesta segunda-feira (27), com certeza questionou o porquê de cinco crianças estarem sentadas no gramado e dividindo uma única coberta, apesar do frio que chegou à cidade.

Os pequenos pertencem a uma família de 23 venezuelanos que estão na cidade tentando arrumar emprego, segundo conta Yorwan Sanchez, de 28 anos. Ele e toda família chegaram em Campo Grande há cerca de um mês e nesse tempo passaram pelo Centro Pop, Casa do Albergado e hoje vivem em uma casa com dois quartos alugada, a renda da família vem do serviço de limpar vidros de carros nos semáforos da Capital.

Segundo o venezuelano, em um dia bom de trabalho ele chega a arrecadar de R$ 180 a 200, usado para alimentação. Ele ainda conta que estão pagando R$ 1.150 reais de aluguel, e por isso não pode parar.

"Estamos morando em uma casa alugada. Dormimos todos juntos, a casa é pequena, tem dois quartos e uma sala. Temos seis colchões que colocamos um do lado do outro para poder dormir”, comenta Yorwan.

Para a reportagem o estrangeiro contou que as crianças de 5, 6 e 9 anos são seus irmãos, os outros dois maiores de 10 e 11 anos são seus primos, que cuidam dos menores enquanto Yorwan aborda os motoristas.

“Saímos da Venezuela, passamos por Colômbia, Equador e Peru. Viemos para o Brasil por conta das condições de trabalho que nos outros lugares não eram favoráveis. Passamos três meses caminhando durante o dia e as noites parávamos para descansar”, contou,

Sanchez contou que os pais dele estavam “correndo” atrás dos documentos que eles precisam e os outros adultos estavam trabalhando em outros semáforos, por isso ele ficou encarregado de cuidar das crianças. Ao todo são cinco homens, sete mulheres e 11 crianças.

O Conselho Tutelar considera que essas crianças estão em condições vulneráveis e não poderiam estar nas ruas da cidade. Por telefone a conselheira Maria Lucia Maciel, explicou que quando chegam denúncias de casos de criança no semáforo com venezuelanos eles acionam imediatamente o Seas (Serviço Especializado em Abordagem Social).

“No Brasil a regrar e que as crianças não podem ficar naquela situação seja passando frio ou calor. Caso a lei não seja cumprida ou ignorada, ai o Seas nos aciona e o conselho vai até o local", explicou a conselheira.

Segundo Maria, o Seas já havia sido acionado e deve ir até essas família para passar as orientações necessárias.

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