Fugindo dos bandidos: a imensa procissão de lampiões
O banditismo sempre foi uma praga na fronteira do Mato Grosso do Sul com o Paraguai. Para transportar a erva-mate nas carroças de boi ou nos burros ( arrias, como chamavam), a saída encontrada pelos plantadores, foi organizar uma imensa “procissão“ noturna para fugir dos bandidos.
O uso obrigatório de lampiões.
No período noturno a fresca favorecia as longas caminhadas, também entendiam que servia para afugentar os bandoleiros. Foi assim que se tornou obrigatório o uso de lampiões de ferro - chamados “lampichos” - a querosene. Esses lampiões recebiam uma proteção de lata ou zinco, que anulava, em parte, a força do vento. Era a iluminação que se podia contar na época. O lampião chegava do exterior em grande quantidade por preço irrisório. E, melhor que o nacional, vinha com pavio.
A procissão de lampiões.
Quem assistiu, descreveu como um espetáculo maravilhoso. A procissão dos lampiões bruxuleantes, empolgava. Era como uma serpente iluminada, ziguezagueando no trilheiro que parecia não ter fim. Todos tinham de permanecer no mais absoluto silêncio. Os perigosos bandidos podiam estar à espreita. Os animais também não podiam assustar. Um susto, o estouro, a doida correria, seria um desastre de catastróficas proporções. A descrição era de um “bailado de vaga-lumes desnorteados “. Uma cena inolvidável.
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