De coelho e cadeira de rodas, veja a coleção que lota os achados e perdidos
Reportagem foi até rodoviária, aeroporto, supermercado grande, parque e shopping para conferir

Envolvidas em cada vez mais funções, as pessoas andam se esquecendo de quê em locais de grande circulação? O Campo Grande News esteve na rodoviária, num hipermercado, no maior parque urbano de Campo Grande e conversou com funcionários de um shopping e do Aeroporto Internacional da Capital para descobrir.
RESUMO
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Celulares, chaves, óculos e até animais estão entre os objetos esquecidos em locais de grande circulação de Campo Grande. Na rodoviária, muletas e bagagens com roupas são achados frequentes, enquanto no aeroporto predominam joias e relógios. No Parque das Nações Indígenas, chaves lideram os esquecimentos. Em supermercado, mais de 100 cartões bancários aguardam seus donos, e no Shopping Campo Grande controles remotos e um massageador surpreendem funcionários.
A primeira parada foi o terminal rodoviário, onde passam cerca de 3,2 mil pessoas todos os dias. Os objetos encontrados mais recentemente ficam no setor administrativo, já aqueles que passam dias sem que os donos os procurem são levados até uma sala de achados e perdidos localizada aos fundos dos pontos de embarque e desembarque dos ônibus.
Fora malas, mochilas e sacolas com roupas, cobertores e travesseiros esquecidos, muletas e bengalas também ficam para trás. Os funcionários se impressionam com a frequência com que elas são encontradas.
Resta uma bengala perdida na sala. Caso ela não seja resgatada logo, será doada, assim como outros itens que estão há até dois meses na sala. Quem recebe as doações e as direciona a entidades beneficentes da Capital é a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social).
Até coelhos - Segundo o gerente da rodoviária, Dhyogo Zottos, os itens mais inusitados entre os “esquecimentos” no terminal são bichos: cães, gatos e até coelhos.
Em alguns casos, é questão de distração mesmo e a pessoa volta para buscar, em outros, a justificativa é o desconhecimento das regras de viagem ou a falta de dinheiro para pagar pelo transporte deles.
Parte dos animais deixados na rodoviária foi descartada indevidamente por quem deveria cuidar deles. “Geralmente, quem deixa são imigrantes que não conhecem a legislação ou pessoas mais humildes que não sabem que é preciso apresentar a carteirinha de vacinação e comprar a passagem para os animais viajarem, desde que estejam acondicionados numa caixa e numa outra poltrona”, ele detalha.
Algumas empresas de ônibus aceitam receber metade do valor da passagem para os bichinhos viajarem ao lado dos tutores, mas depende da lotação do ônibus e de negociação no guichê.

Um coelho filhote foi deixado na semana passada e levado ao CCZ (Centro de Controle de Zoonoses). No caso dos cães e gatos, às vezes, os próprios funcionários da rodoviária acabam adotando os animais para não deixá-los abandonados.
Celulares são esquecidos eventualmente, mas logo aparece alguém para buscar. Os funcionários da rodoviária recolhem, atendem ligações para confirmar o achado e guardam o aparelho até que o dono ou alguém da família possa buscá-lo.
Nada que envolva ter que chamar a polícia chegou a ser encontrado, afirma Diego. “Droga mesmo é o Batalhão do Choque quem encontra, mas dentro dos ônibus, Eles apreendem e fazem todos os procedimentos”, completa.
O que os achados e perdidos mais têm atualmente são bagagens cheias de roupas e sapatos. Também estão guardando capacetes de moto, duas bolsas, copos e garrafas térmicas, além de um pequeno ventilador.
Para localizar algum item perdido, é só acessar o site de busca da rodoviária ou ligar para os números (67) 3313-8700, (67) 3313-8701, (67) 3313-8705 e (67) 3313-8707.
Mercado - A segunda parada foi o hipermercado Comper, na Avenida Brilhante, frequentado pela população da região mais habitada da Capital.
Os maiores esquecimentos lá são cartões de banco. Mais de 100 estão presos numa borrachinha esperando seus donos.
A assistente de frente de caixa, Geisa Araújo, explica que, geralmente, são os clientes idosos que mais aparecem para buscá-los. Cartões funcionais e carteiras de identidade também estão à espera. “Quando tinha agência dos Correios aqui dentro do supermercado, a gente deixava os documentos esquecidos lá, agora não tem mais, então ficam aqui mesmo até que alguém venha procurar”, afirma a funcionária.
Agasalhos, bonés, bolsinhas de moedas e brinquedos estão entre outros objetos deixados para trás. O volume cabe em duas gavetas que ficam ao lado do primeiro caixa.
Para resgatar algo que foi perdido, é preciso ir até o balcão principal do supermercado e pedir ajuda a algum funcionário.
Aeroporto - Local onde circulam cerca de 4,5 mil pessoas diariamente, o Aeroporto Internacional de Campo Grande tem uma média de dois objetos pessoais esquecidos por mês.
O mais surpreendente na sala de achados e perdidos é um taco de sinuca dobrável. Já o que fica com mais frequência são joias e bijuterias, relógios, garrafas térmicas e almofadas de pescoço.
Encarregado de segurança e funcionário do terminal há quase 20 anos, Marcelo Rodrigues explica que a política dos achados e perdidos no aeroporto é bem específica: alimentos e outros bens perecíveis são descartados em 12 horas, documentos são destruídos em sete dias e cartões de banco são inutilizados em três dias para que dados pessoais e informações fiquem protegidos.

Eletrônicos também estão entre os esquecimentos. Notebooks, celulares e fones de ouvido estão armazenados.
A Aena, administradora do local, faz doações do que ultrapassa dois meses guardados sem que ninguém os tenha procurado. Entidades assistenciais cadastradas podem receber os objetos.
O maior item esquecido provavelmente foi uma cadeira de rodas. Para Marcelo, o que há de novo na diversidade de coisas deixadas para trás em relação ao passado, são as garrafinhas. "Elas viraram uma febre, as pessoas sentam no banco e acabam esquecendo. Como não têm valor elevado, geralmente não voltam para buscar", diz.

Para procurar algo perdido no aeroporto, é preciso ir pessoalmente até o setor administrativo, no primeiro andar.,
Parque - Num pote de sorvete estão guardadas todas as chaves esquecidas no Parque das Nações Indígenas. São elas os objetos mais encontrados no gramado, nos bancos e nas pistas de caminhada.
Em segundo lugar estão óculos. De grau aos solares, eles ficam ou nas guaritas, ou no armário de um prédio que fica próximo às quadras esportivas.
Guarda-parque, o servidor Luciano da Rocha Ibanhes afirma que o maior item já esquecido foi um carrinho de bebê. Mas é incomum encontrá-lo. "Até celular é mais difícil. Quando tem, chegam rápido para buscar. O mais comum são objetos menores como as chaves e os óculos mesmo", reforça.

Os donos dos objetos perdidos podem procurar qualquer guarita dentro do horário de funcionamento do parque e pedir auxílio para encontrar.
Shopping Campo Grande - Mais antigo da Capital, ele também tem uma sala especial para achados e perdidos e um programa de doações para itens esquecidos por muito tempo.
O que as prateleiras guardam de mais inesperado atualmente são controles remotos de televisão e um massageador "borboleta".

Finais de semana, feriados e datas comemorativas têm mais esquecimentos por haver maior fluxo de pessoas.
Documentos, cartões, celulares, chaves e bolsas estão entre os objetos mais comuns. Eles têm o prazo de 90 dias para serem retirados. A equipe do centro comercial tenta fazer contato com os proprietários quando é possível.
No caso dos documentos não recuperados no prazo, eles são encaminhados para a agência dos Correios do shopping. Quando é um eletrônico, é inutilizado e encaminhado para empresas especializadas em reciclagem junto aos outros materiais desse material que o prédio precisar descartar.
Você é o dono do massageador borboleta ou de outro objeto esquecido no shopping? Para resgatar, é preciso procurar o espaço do cliente, no primeiro piso.
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