Defesa de ONG alvo de ação do MP diz que gastos com iFood e bares são antigos
Entidade afirma que despesas ocorreram há quatro anos, em contexto diferente do atual

Horas antes da audiência de conciliação que discute o futuro do Instituto Guarda Animal, a defesa da entidade divulgou um vídeo rebatendo as acusações feitas pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) sobre suposto uso indevido de recursos da ONG.
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Na ação civil pública, o Ministério Público cita despesas consideradas incompatíveis com as finalidades da instituição, incluindo gastos com aplicativos de entrega, restaurantes, lojas de departamento, salão de beleza, cinema e transporte por aplicativo. O órgão também pede a dissolução da ONG e uma série de medidas relacionadas aos animais mantidos no abrigo.
Em resposta, o advogado que representa o instituto afirmou que os gastos questionados remontam a 2022 e ocorreram em um período em que as responsáveis pela entidade não contavam com assessoria jurídica e contábil adequada. Segundo ele, havia confusão entre despesas pessoais e despesas da ONG, situação que teria sido corrigida após os primeiros apontamentos feitos pelo próprio Ministério Público.
De acordo com a defesa, as responsáveis pelo abrigo se dedicavam integralmente aos animais e não exerciam outras atividades remuneradas na época. Por isso, parte das despesas acabava sendo realizada sem a separação adequada entre a pessoa física e a instituição.
O advogado argumenta que os valores apontados pelo MPMS estão sendo apresentados sem o devido contexto temporal e sustenta que a prática foi interrompida há cerca de quatro anos, após orientações recebidas durante as investigações.
Ainda segundo a defesa, depois que a situação foi identificada, as responsáveis passaram a evitar qualquer gasto pessoal vinculado à estrutura financeira da ONG. O advogado afirma que a mudança agravou as dificuldades financeiras enfrentadas pelas mantenedoras do abrigo, que passaram a depender de doações para custear necessidades básicas enquanto continuavam responsáveis pelos animais acolhidos.
No vídeo, ele também criticou a interpretação dada às despesas listadas na ação, afirmando que os lançamentos passaram a ser tratados como indício de enriquecimento pessoal das responsáveis pelo instituto, algo que a defesa nega.
Outro ponto questionado foi o pedido do Ministério Público para bloqueio de contas bancárias das representantes da entidade. Segundo o advogado, a medida atingiria diretamente pessoas físicas e poderia comprometer despesas relacionadas à sobrevivência das mantenedoras da ONG, incluindo uma delas, idosa e com problemas de saúde.
Encerramento das atividades - Apesar de contestar as acusações, a defesa confirmou que não pretende mais manter o Instituto Guarda Animal em funcionamento.
A proposta que seria apresentada à Justiça prevê prazo de dez meses para que os animais atualmente acolhidos sejam destinados por meio de adoções ou transferências para outras entidades de proteção animal.
Segundo o advogado, a intenção é promover uma transição gradual, evitando impactos aos cães e gatos que permanecem sob os cuidados da organização. A defesa argumenta que muitos dos animais possuem histórico de abandono, doenças ou necessidades específicas, exigindo acompanhamento individualizado.
O pedido inclui ainda apoio do Município de Campo Grande em campanhas de adoção durante esse período. Caso ainda existam animais sem destino ao final do prazo, a entidade pretende solicitar que o poder público indique um local para recebê-los.
Durante a manifestação, o advogado também afirmou que uma transferência imediata dos animais poderia gerar riscos ao bem-estar deles, já que as responsáveis pelo abrigo conhecem individualmente o histórico, os tratamentos, a alimentação e as necessidades especiais de cada um.
Processo - A ação movida pelo Ministério Público reúne relatórios de fiscalizações realizadas entre 2022 e 2025, que apontaram problemas sanitários, falhas de manejo, ausência de controles considerados obrigatórios e condições inadequadas para parte dos animais mantidos pela instituição.
A ONG contesta a forma como essas informações foram utilizadas no processo e sustenta que a situação atual do abrigo é diferente da retratada na ação. Segundo a defesa, o instituto mantém hoje 73 animais, número inferior ao apontado pelo Ministério Público, e segue realizando atendimento veterinário, vacinação, castração e encaminhamento para adoção.
A audiência de conciliação entre Ministério Público, Município e representantes da entidade está marcada para a tarde desta quarta-feira (15), quando as partes devem discutir os próximos passos para a destinação dos animais e o futuro da organização.
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