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Capital

Deputado e vereador estão na lista de testemunhas de réus do jogo do bicho

Defesa convocou seis pessoas, que vão ser ouvidas no processo contra o clã Razuk e expansão da jogatina

Por Silvia Frias e Aline dos Santos | 08/06/2026 10:21
Deputado e vereador estão na lista de testemunhas de réus do jogo do bicho
Juiz, advogados e promotores durante audiência de testemunhas da Operação Successione (Foto: Juliano Almeida)

Testemunhas de defesa dos presos da 4ª fase da Operação Successione estão sendo ouvidas esta manhã, na sala de audiências do Tribunal do Júri de Campo Grande. Dois dos presos na ofensiva contra a expansão e controle do jogo do bicho assistem à sessão: o advogado Rhiad Abdulahad, filho do empresário José Eduardo Abdulahad, o “Zeizo” e Jonathan Gimenez Grance, primo do narcotraficante Jarvis Pavão.

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Testemunhas de defesa dos presos da 4ª fase da Operação Successione são ouvidas nesta manhã no Tribunal do Júri de Campo Grande. Entre os réus presentes estão o advogado Rhiad Abdulahad, filho do empresário José Eduardo Abdulahad, e Jonathan Gimenez Grance, primo do narcotraficante Jarvis Pavão. O deputado federal Dagoberto Nogueira foi convocado, mas deve depor por videoconferência.

Na lista de testemunhas, constam, pelo menos, dois parlamentares: o deputado federal Dagoberto Nogueira (PP) e o vereador de Campo Grande, Lankmark Rios (PT).

A audiência começou às 8h30 e refere-se ao processo aberto a partir da 4ª fase da Operação Successione, deflagrada no dia 25 de novembro de 2025. Naquela ocasião, foram cumpridos 20 mandados de prisão e 27 de busca e apreensão.

As seis testemunhas arroladas pela defesa dos réus foram instaladas na sala menor do Tribunal do Júri, enquanto os réus, advogados e o juiz da 4ª Vara Criminal, José Henrique Kaster Franco, estão no auditório desembargador Assis Pereira da Rosa. Um dos convocados é o deputado federal Dagoberto Nogueira, que não está no Fórum. A expectativa é que seja ouvido por videoconferência.

O juiz permitiu a entrada da imprensa para imagens, mas retirou os dois réus do local. As testemunhas serão chamadas por ordem de idade, começando pelo mais velho. Os advogados se negaram a falar, alegando que não tinham autorização dos respectivos clientes.

Das testemunhas, apenas o vereador Landmark Rios (PT) falou com reportagem. Disse que foi convocado pela defesa de Marco Aurélio Horta, ex-chefe do gabinete do então deputado estadual Neno Razuk.

Deputado e vereador estão na lista de testemunhas de réus do jogo do bicho
Vereador Lankmark Rios foi arrolado como testemunha de ex-chefe de gabinete de Neno Razuk (Foto: Juliano Almeida)

Landmark foi ao Fórum, mas, ao saber da demora da audiência, foi embora e será interrogado por videoconferência. À reportagem, disse que conhece Marco Aurélio há 15 anos e que irá falar da atuação profissional dele. “Marcos era cara da política, sempre foi”, disse, acrescentando que ele atuava nos bastidores, com atuação em Dourados e Campo Grande. “Fiquei surpreso com a prisão”, acrescentou.

4ª fase – No dia 25 de novembro de 2025, além de Abulahad, Gimenez e Marco Aurélio, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) prendeu o patriarca da família Razuk, Roberto Razuk, os filhos, Jorge e Rafael, em Dourados. Em Campo Grande, foram detidos Marcelo Tadeu Cabral, empresário já citado em fases anteriores da investigação; Samuel Ozório Júnior, que, segundo o Gaeco, tem vínculos com pessoas ligadas ao grupo comandado pelos Razuk.

À época, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) afirma que esta etapa da investigação identificou mais 20 pessoas conectadas à expansão do jogo do bicho após o vácuo deixado pela Operação Omertà, há cinco anos.

A prisão do patriarca e dos dois filhos do clã Razuk se deu como medida para impedir que o grupo se expandisse para Goiás, onde certamente haveria confronto pelo controle do jogo do bicho.

Na decisão judicial que autorizou as prisões, a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna sustenta que, para alcançar esse objetivo, seria necessário "derrubar" a liderança da jogatina naquele Estado, o que certamente levaria a uma guerra pelo controle do jogo do bicho, que atingiria ambos os Estados.

Réus - Jhonatan é apontado pelas forças de segurança como peça relevante no crime fronteiriço ligado a Jarvis, o “Barão da Droga”, que cumpre pena que ultrapassa 70 anos na penitenciária federal de Brasília.

Em 2018, Jhonatan foi preso com um arsenal em Ponta Porã. Na época, o grupo do qual fazia parte planejava um ataque contra o então chefe do PCC (Primeiro Comando da Capital) na fronteira, Sérgio Arruda Quintiliano Neto, o “Minotauro”.

Rhiad Abdulahad é filho do empresário José Eduardo Abdulahad, o “Zeizo”, um dos alvos da primeira fase da Operação Sucessione, desencadeada em dezembro de 2023. Baseado em Ponta Porã, “Zeizo” foi apontado como um dos gerentes do jogo do bicho na região sul de Mato Grosso do Sul.

Os outros réus assistirão à audiência por videoconferência.

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