“É uma gestão arcaica”, diz interventor sobre transporte coletivo na Capital
Semanalmente, comissão interventora avalia o que encontrou de falhas na gestão do transporte em Campo Grande

A intervenção no transporte coletivo de Campo Grande ainda está em fase inicial de análise, mas já identifica sinais de problemas na condução do sistema. Entre as primeiras avaliações, o interventor geral, o advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira, classificou o modelo de administração como ultrapassado. "O cenário inicial é de falhas na gestão da empresa, de uma gestão arcaica", antecipa. Segundo ele, falta tecnologia e recursos que facilitem a administração e garantam a eficiência do transporte público.
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A intervenção no transporte coletivo de Campo Grande, com 15 dias de duração, aponta falhas na gestão do Consórcio Guaicurus, classificada como arcaica pelo interventor Alexandro Oliveira. Em 90 dias, a equipe técnica deve apresentar diagnóstico completo sobre contratos, finanças e qualidade do serviço. O sistema transporta até 140 mil passageiros diários com cerca de 400 ônibus, cuja renovação está atrasada. O contrato, firmado em 2012, pode ser renegociado ou ter caducidade declarada.
Nesta terça-feira, nova reunião de trabalho deve ser feita entre a comissão interventora e a prefeita Adriane Lopes, "para mostrar tudo que está sendo feito, dentro do cronograma", explica o advogado sem detalhar o conteúdo.
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Completados 15 dias da intervenção hoje, foram apenas 11 dias úteis, que geraram avaliações preliminares. "Por isso não vamos passar nada pra imprensa, porque está no começo", disse o interventor.
Uma das constatações feitas é problema de caixa. Agora o trabalho é descobrir a origem dessa deficiência. Relatório anterior, que recomendava a intervenção no transporte coletivo de Campo Grande confirmou uma movimentação financeira de aproximadamente R$ 32 milhões envolvendo empresas ligadas ao Consórcio Guaicurus e à Viação Cidade dos Ipês, empresa que não integrava formalmente a concessão responsável pelo serviço na Capital.
A operação já havia sido revelada durante a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte Público, realizada no ano passado pela Câmara Municipal. Na época, servidores da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados) apontaram registros contábeis considerados atípicos nos balancetes do consórcio.
Mais 90 dias
A intervenção no transporte coletivo de Campo Grande entrou em fase de levantamento técnico e escuta de usuários e trabalhadores. O grupo responsável pelo processo deve consolidar, em até 90 dias, um diagnóstico completo do sistema, que servirá de base para decisões sobre o contrato e possíveis mudanças no serviço.
Nesta etapa inicial, a equipe está reunindo documentos, ouvindo envolvidos e organizando informações operacionais e financeiras do sistema. A análise mais aprofundada deve começar na próxima semana, quando serão avaliados contratos, relatórios e dados acumulados sobre a concessão.
O processo ocorre no contexto de uma intervenção determinada pela Justiça em uma ação envolvendo o transporte coletivo da capital. O grupo técnico é formado por quatro integrantes.
O material produzido será encaminhado para subsidiar a decisão da prefeita Adriane Lopes sobre eventuais mudanças no modelo atual. Entre os pontos em análise estão o equilíbrio econômico do contrato, a qualidade do serviço e as condições da frota.
O consórcio responsável pelo transporte já sinalizou interesse em manter o contrato, o que abre a possibilidade de uma saída negociada ao longo do processo.
A equipe interventora já teve acesso ao relatório da CPI do transporte coletivo e acompanha disputas judiciais envolvendo tarifa, revisões contratuais e alegações de desequilíbrio econômico.
Paralelamente ao diagnóstico, o grupo também atua para reduzir tensões no setor e tem se reunido com trabalhadores para garantir a continuidade da operação diária, sem ruptura no serviço.
A intervenção tem prazo inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação. O contrato vigente foi firmado em 2012 e ainda tem cerca de sete anos de duração.
Hoje, o sistema transporta entre 120 mil e 140 mil passageiros por dia, com cerca de 400 ônibus em circulação. A vida útil prevista dos veículos é de cinco anos, mas a renovação da frota está atrasada, uma das principais reclamações de usuários.
Com o diagnóstico em andamento, a intervenção pode resultar em acordo entre as partes ou na eventual declaração de caducidade do contrato, o que levaria a uma nova licitação do transporte coletivo na capital.

