“Ele tem família, foi um descuido”, diz mãe de menino levado para abrigo
Criança venezuelana fugiu de casa e foi encontrada sozinha na madrugada do dia 18 de fevereiro no Centro
A mãe do menino de 4 anos encontrado andando sozinho de madrugada no Centro de Campo Grande afirma que vive dias de angústia desde que a criança foi encaminhada para acolhimento institucional. Segundo ela, as visitas são curtas e a separação tem sido difícil para toda a família. O garoto foi acolhido no dia 18 de fevereiro deste ano.
RESUMO
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Uma criança venezuelana de 4 anos foi encontrada sozinha durante a madrugada no Centro de Campo Grande e encaminhada para acolhimento institucional. A mãe relata que o episódio ocorreu após um momento de descuido, quando o menino saiu de casa enquanto todos dormiam. O portão estava sem cadeado na ocasião. Desde 18 de fevereiro, quando o acolhimento teve início, a mãe tem direito a visitas semanais de apenas cinco a dez minutos, sem a presença de outros familiares. A família, assistida pela Defensoria Pública, aguarda decisão judicial sobre o caso. O menino foi encontrado sujo, descalço e com febre alta, sendo atendido na UPA Tiradentes.
De acordo com o relato, a mulher vê o filho apenas uma vez por semana, e por poucos minutos. “As visitas duram de cinco a dez minutos. Na primeira vez a gente se abraçou e chorou, mas quando fui questionar sobre a situação, disseram que a visita estava encerrada”, contou.
Ao Campo Grande News, a venezuelana contou que também foi informada de que as visitas devem ser feitas apenas por ela, sem a presença de outros familiares e, inclusive no último encontro, o menino estava com diarreia há mais de três, o que aumentou a preocupação. “Sempre que peço informações, eles dizem apenas que ele está bem”, pontuou.
A mãe afirma que o episódio aconteceu após um momento de descuido. À reportagem ela desabafou que o filho e a irmão estavam com febre naquela noite e o portão da casa ficou sem cadeado.
“Foi um descuido. Ele saiu de madrugada enquanto todo mundo estava dormindo. Quando acordamos e vimos que ele não estava em casa, fomos procurar e chamamos a polícia”, contou. Quando soube que o menino havia sido encontrado e levado para atendimento em uma unidade de saúde ela ficou mais tranquila.
“Muitas crianças precisam desse acolhimento, mas meu filho tem família. Ele tem pai, mãe e tio para cuidar dele. Nunca fiquei longe dos meus filhos a irmã dele chora toda noite. Eles dormiam juntos”, disse.
Atualmente, a mulher é assistida pela Defensoria Pública e aguarda uma decisão da Justiça sobre o caso. “Se falarem que preciso mudar de casa, eu mudo. Só estou esperando a decisão do juiz. Não sei o que fazer. Não consigo dormir sem ele em casa, a única coisa que peço é que devolvam meu filho”, disse.
Caso – O menino foi encontrado no cruzamento das ruas Maracaju e Rui Barbosa, na região central de Campo Grande. De acordo com o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada por testemunhas que viram o menino desacompanhado por volta das 3h. A equipe da Força Tática passava pelo local.
A criança conduziu os militares por algumas quadras na tentativa de indicar onde estaria sua família. Comerciantes da região reconheceram o menino como filho de refugiados que costumavam permanecer nas proximidades.
Os policiais foram até um abrigo para refugiados, onde um funcionário informou que a família já não residia mais no local. Conforme apurado, os pais vivem atualmente em imóveis abandonados no Centro.
Durante o atendimento, os militares constataram que a criança estava suja, descalça, com fome e apresentava febre alta. O menino foi encaminhado à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Tiradentes, onde recebeu atendimento médico e permaneceu internado para exames.
O Conselho Tutelar da Região Central foi acionado e assumiu a guarda provisória da criança.
Momentos depois, uma mulher de nacionalidade venezuelana foi até a delegacia e se identificou como mãe do menino. Ela relatou que acordou por volta das 4h e percebeu que ele não estava mais no berço. A residência, localizada na Rua Maracaju, é compartilhada por outros adultos e crianças.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso. A ocorrência foi registrada na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro como desaparecimento de pessoa e abandono de incapaz.
O Campo Grande News procurou a SAS (Secretaria Municipal de Assistência Social) e aguarda o retorno.
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