ACOMPANHE-NOS    
AGOSTO, DOMINGO  14    CAMPO GRANDE 22º

Capital

Empresa suspeita pagou viagem a Portugal para Mandetta conhecer programa

Por Lidiane Kober e Bruno Chaves | 21/10/2013 17:40
Mandetta confirmou viagem a Portugal e doação de campanha (Foto: Marcos Ermínio)
Mandetta confirmou viagem a Portugal e doação de campanha (Foto: Marcos Ermínio)

Acusado de embolsar R$ 9,8 milhões e de entregar pela metade sistema de gerenciamento dos dados dos postos de saúde em Campo Grande, o Consórcio Telemídia e Technology International pagou viagem ao exterior do deputado federal Luiz Henrique Mandetta (Pros). Mais ou menos no mesmo período da contratação da empresa, a Amapil Táxi Aéreo, de propriedade de Rui Thomas Aquino, ex-sócio da Telemídia, ajudou a patrocinar a campanha de Mandetta na corrida por cadeira na Câmara Federal.

As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (21), durante interrogatório da CPI da Saúde e foram confirmadas pelo parlamentar. Segundo ele, a viagem durou de quinta-feira a domingo e ocorreu só para conhecer a sede da Telemídia no exterior. “Não dava para fechar um contrato, conhecendo a empresa só por panfletos, por isso, exigi a viagem”, explicou Mandetta.

O deputado também confirmou que viajou em aviões da Amapil, mas de carona com outros deputados estudais em campanha. Ele frisou, contudo, que tudo foi declarado à Justiça Eleitoral. “Só descobri hoje que o Rui, dono da Amapil, foi um dos sócios da Telemídia”, comentou. “O fato é que tudo está devidamente registrado à Justiça”, completou. “A relação é comercial e pós-comercial”, avaliou o vice-presidente da CPI, deputado estadual Lauro Davi (PSB).

Em 2008, quando era secretário municipal de Saúde, Mandetta contratou o Consórcio Telemídia para instalar o sistema. Na época, a proposta ganhou o status de “referência nacional” por permitir a integração dos cadastros na rede de saúde pública. Passados cinco anos e investimento de R$ 9,8 milhões, o programa ainda não funciona em sua totalidade.

“Não sei onde está o problema”, disse Mandetta aos deputados estaduais. “O contrato foi fechado em 2008 e, em março de 2009, larguei a secretaria”, acrescentou. Para ele, o caminho é pedir auditoria do Ministério da Saúde para detectar a falha.

Pouco antes do início do interrogatório, o presidente da CPI, deputado estadual Amarildo Cruz (PT), adiantou ter novas “denúncias gravíssimas” sobre o fechamento do contrato com a Telemídia. As informações, inclusive, motivaram a convocação, de última hora, de Mandetta e podem resultar na prorrogação da investigação até 23 de novembro.

(editada às 23h12 para correção de informações e o título foi alterado às 8h20 desta terça-feira, 22)

Nos siga no Google Notícias