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Capital

Enfermeiros denunciam demissão em massa após novo piso salarial

Hospital Adventista nega acusações e afirma que houve apenas adequações internas

Gabrielle Tavares | 12/08/2022 16:12
Hospital do Pênfigo em Campo Grande. (Foto: Divulgação/Hospital do Pênfigo)
Hospital do Pênfigo em Campo Grande. (Foto: Divulgação/Hospital do Pênfigo)

Funcionários do Hospital Adventista do Pênfigo procuraram a reportagem do Campo Grande News para denunciar que pelo menos 19 funcionários foram demitidos desde ontem (11) na unidade, entre enfermeiros e técnicos de enfermagem.

Os profissionais foram avisados que a motivação da demissão em massa foi o reajuste no piso da enfermagem, através da lei 14.434, de 2022, sancionada pelo governo federal e publicada na última sexta-feira (5).

“Hoje cheguei para trabalhar normal e no fim do expediente me chamaram para informar que eu estava sendo desligada, porque o hospital não teria condições de pagar o novo salário. Na quarta à noite foram demitidos oito técnicos (de enfermagem) e três enfermeiros. Hoje de manhã só comigo estavam seis técnicos e dois enfermeiros”, disse uma funcionária que preferiu não se identificar.

Ela afirmou que cada setor sofreu corte de 5% dos profissionais da enfermagem e que o CTI (Centro de Terapia Intensivo) pós cirúrgico também foi fechado por falta de mão de obra, já que os funcionários que não foram demitidos, ficaram sobrecarregados.

“O hospital está sobrecarregando, enfermeiro responsável por duas alas e técnicos com até nove pacientes para dar assistência. Chegou paciente com fratura exposta ontem a noite no PA (Pronto Atendimento) e não tinha funcionário no centro cirúrgico para atender”, completou a ex-funcionária.

O salário dela era de R$ 1.555 e após a reforma, deveria passar para R$ 3.355. O reajuste está previsto para ser aplicado a partir de setembro na folha salarial de profissionais do setor, conforme determina a lei aprovada pelo governo federal.

“Nunca imaginei que isso pudesse acontecer, fiquei muito decepcionada porque sempre me dediquei muito ao hospital. Estou desesperada porque não sei o que vou fazer, tenho três filhos para sustentar, uma menininha de dois anos. Estou apavorada mesmo, quando a gente acha que conquistou alguma coisa, vem esse banho de água fria”, lamentou a profissional, emocionada.

A Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) confirmou que recebeu a denúncia e fará investigações no hospital para averiguar os fatos.

Em nota, o Hospital do Pênfigo negou que houve demissão em massa e que foram apenas adequações internas. A unidade disse ainda que os ajustes foram necessários para restabelecer o equilíbrio econômico e preservar os empregos dos trabalhadores, "e a sustentabilidade de centenas de famílias que dependem do seu saudável funcionamento".

Disse ainda que as atividades do CTI pós cirúrgico foram temporariamente suspensas por conta da baixa ocupação.

Reajuste - O projeto foi elaborado pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES) e institui que enfermeiros devem receber, no mínimo, R$ 4.750 por mês. Técnicos de enfermagem devem receber, ao menos, 75% disso (R$ 3.325). Já auxiliares de enfermagem e parteiras têm de receber, pelo menos, 50% desse valor (R$ 2.375).

Outro caso - No ano passado, funcionários e ex-funcionários denunciaram o Hospital Adventista do Pênfigo, unidade Centro,  por intolerância religiosa, homofobia e racismo dentro da instituição. As denúncias foram investigadas pelo MPT/MS (Ministério Público do Trabalho de Mato Grosso do Sul) e resultaram num acordo judicial com as mantenedoras do hospital que negam as práticas dentro da unidade na Rua Barão do Rio Branco.

Conforme os depoimentos dos trabalhadores, o hospital perguntava e fazia com que os candidatos às vagas de emprego respondessem questionário sobre religião professada e eram admitidos ou mantidos nos cargos preferencialmente os adventistas.

Na época, o Hospital Adventista do Pênfigo não reconheceu nenhuma das práticas discriminatórias e afirmou que optou formalizar o acordo de forma "proativa".

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