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Campo Grande, Sexta-feira, 18 de Outubro de 2019

10/05/2019 07:37

Execução de filho de PM envolveu rede de hackers e tentativa de emboscada

A Polícia chega ao homem contratado para monitorar o pai da vítima e descobriu o esquema de preparação do assassinato.

Kerolyn Araújo
Durante homenagem, amigos usaram camisetas com a pergunta: Quem Matou Matheus? (Foto: Henrique Kawaminani)Durante homenagem, amigos usaram camisetas com a pergunta: Quem Matou Matheus? (Foto: Henrique Kawaminani)

A execução de Matheus Xavier Coutinho, de 20 anos, morto com sete tiros de fuzil AK no dia 9 de abril em Campo Grande, envolveu uma rede de hackers, contratada dias antes para monitorar os passos do pai do estudante de Direito, o capitão reformado da Polícia Militar Paulo Xavier. Um homem chegou a ser interrogado, confessou a participação, mas foi liberado.

Ao Campo Grande News, uma pessoa ligada à família, que pediu para não ter o nome divulgado, revelou que três dias depois da morte de Mateus a polícia chegou ao homem que foi contrato para monitorar Paulo Xavier em tempo real, através do celular. O suspeito foi levado a DEH (Delegacia de Homicídios), admitiu ter sido contratado e contou que, por não ter experiência nesse tipo de trabalho, recorreu a um grupo de hacker para cumprir o acordo.

O rapaz relatou que foi contrato depois de publicar um anúncio oferecendo serviços de formatação de computadores e também de detetive. O pedido era para que ele monitorar em tempo real o capitão reformado e depois repassar as informações.

Ele foi em busca de alguém com experiência no serviço e  a resposta veio de outro estado. Por WhatsApp ele combinou com o desconhecido um valor para que ele fizesse o rastreamento remoto. A solução encontrada pelo hacker foi se passar por mulher e tentar marcar um encontro com o alvo para coletar o maior número possível de informações.

Xavier, no entanto, não foi ao encontro e acabou descobrindo pelo próprio hacker a verdade sobre o contato e tentativa de emboscada e que "alguém queria fazer mal" a ele. Caso tivesse aparecido, morreria cerca de um mês antes da execução do filho.

Depois da morte de Matheus, a polícia teve acesso ao celular do capitão e as conversas, por isso conseguiu localizar o suspeito de contratar o trabalho pela internet.

Mateus foi morto no dia 9 de abril, quando saia de casa com a camionete do pai. (Foto: Paulo Francis)Mateus foi morto no dia 9 de abril, quando saia de casa com a camionete do pai. (Foto: Paulo Francis)

Ouro de Ofir - Ele foi levado à delegacia pela Polícia Militar e lá um fato curioso chamou atenção. O homem foi surpreendido pela presença de dois advogados, ambos ligados à Operação Ouro de Ofir, que em 2017 desarticulou e prendeu integrantes de uma quadrilha responsável por aplicar golpes em mais de 60 mil pessoas pelo País. As vítimas eram convencidas a “adiantar” um aporte de R$ 1 mil e em troca teriam direito a receber mil vezes o valor antecipado, referentes à compra e venda de uma grande quantidade de ouro.

“Os advogados falaram que foram contratados pela mãe dele. Mas a família nem sabia que ele estava em Campo Grande”, relatou a testemunha ao Campo Grande News. Depois de ser ouvido, o rapaz negou ser atendido pelos advogados, e foi liberado em seguida.

Durante as investigações, a polícia também identificou um ex-detento rondando a casa da família no mês que antecedeu o crime. O suspeito usa tornozeleira eletrônica, o que facilitou o rastreamento, mas também não foi preso.

Na época, a investigação do crime era feita sob a supervisão do delegado Carlos Delano, que na mesma semana foi transferido da DEH para a Corregedoria de Polícia Civil. Hoje a morte de Matheus é responsabilidade da uma força-tarefa criada para elucidar os últimos crimes de pistolagem em Campo Grande. Mas até o momento nenhum suspeito foi preso.

Familiares e amigos do jovem se reuniram na manhã desta quarta-feira (8) em uma missa em homenagem a ele na Paróquia Universitária São João Bosco, na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco). Com camisetas com a foto de rapaz e com a frase ''30 dias sem resposta'', cobraram agilidade da polícia nas investigações.

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