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Capital

Família conhece a cura, mas também a angústia da espera com o novo coronavírus

Marido, esposa, duas filhas e cunhado sobreviveram à covid-19

Por Lucia Morel | 10/04/2020 12:34
Graziele ao centro, com o marido Cristiano, internado desde 17 de março e as duas filhas do casal. (Foto: Arquivo Pessoal)
Graziele ao centro, com o marido Cristiano, internado desde 17 de março e as duas filhas do casal. (Foto: Arquivo Pessoal)


Uma família inteira que pode contar uma história de cura, mas também de espera relacionada à covid-19. Enquanto mãe, filhas e cunhado passaram pelo novo coronavírus sem maiores dificuldades, o marido e pai está internado desde 17 de março aguardando melhoras depois de complicações da doença.

Graziele Nunes de Lima, 36 anos é quem começa a contar a jornada. O marido Cristiano foi um dos primeiros casos de covid-19 em Campo Grande e segundo ela, infelizmente, “saiu espalhando (a doença) para todo mundo”.

Em 4 de março, com casos já pipocando em São Paulo, ele esteve na cidade a trabalho e voltou de lá gripado. Precisou viajar novamente e lá mesmo, ser atendido em unidade de saúde ao passar mal “sem saber o que era”.

De volta a Campo Grande e Cristiano precisa ser internado porque o quadro agravou e foi entubado. Enquanto isso, esposa, filhas e seu cunhado, irmão de Gaziele, tiveram sintomas de um resfriado leve, dores no corpo e mais um sintoma que quase ninguém fala: perda do paladar e do olfato.

Segundo Graziele, somente quando o marido foi internado é que se levantou o alerta de que o caso poderia se tratar de covid-19 e então, toda a família foi testada. Positivo para todas e também para o irmão, que trabalha com Cristiano.

“Os sintomas de resfriado duraram poucos dias, uns dois só. A falta de olfato e paladar é que durou mais, uns dez”, conta. As filhas apresentaram ainda diarreia, em uma delas, e na outra, apenas coriza e dor de cabeça.

Ela conta que antes de seu marido agravar, a vida continuou normalmente, mas depois começou a desconfiar e nem deixou mais a filha ir à escola. Graziele revela ainda que mais de 40 pessoas da família tiveram contato direto com elas e com Cristiano antes da internação e que “não testaram todo mundo, mas muitos tiveram sintomas e acredito que possam ser casos não contabilizados da doença”, revela.

Para ela, o mais difícil é enfrentar a situação do marido, mas avalia que o quadro dele agravou por ser hipertenso. “Ele já tinha um problema anterior, por isso acho que agravou. Se ele pegasse dengue ou alguma outra doença, seria a mesma coisa”, avalia.

Graziele conta que o marido está sendo tratado com Hidroxidocloroquina associada à Azitromicina desde o dia em que foi internado e que foi com isso que ele apresentou melhora significativa.

“Ele ainda está internado e os médicos só vão liberá-lo quando os dois pulmões estiverem limpos. Mas no segundo dia de internação ele já era um paciente considerado estável e de lá pra cá, foi só melhorando”, diz.

Passar pelo novo coronavírus, segundo ela, apesar da situação do marido, não é tão complicado quanto falam e crê que Cristiano terá alta em breve. “Já tiraram os sedativos, ele teve pneumonia nos dois pulmões e agora estamos apenas esperando ele sair”, torce.

Adalton fez cirurgia bariátrica há um ano e meio e teve sintomas leves do novo coronavírus. (Foto: Arquivo Pessoal)
Adalton fez cirurgia bariátrica há um ano e meio e teve sintomas leves do novo coronavírus. (Foto: Arquivo Pessoal)

BARIÁTRICA – O irmão de Graziele, Adalton Luís Nunes, 37, poderia ser enquadrado no grupo de risco para covid-19 por ter passado por uma cirurgia bariátrica em 2018, mas teve também sintomas leves.

“Eu trabalho com meu cunhado, ele estava resfriado e eu andei com ele para cima e para baixo. Não tinha ideia do que estava acontecendo”, conta. Foi quando o cunhado viajou novamente para São Paulo que ele começou a ter os primeiros sintomas e só foi testado quando Cristiano internou.

Além dos sintomas gripais comuns, com coriza e dor de cabeça, Adalton também perdeu olfato e paladar. Apesar disso, assim como Graziele, não acredita que a doença seja “um bicho de sete cabeças” e afirma que é preciso sim tomar os cuidados necessários, mas que por a doença ser muito nova, há uma abordagem muito sensacionalista de tudo. “Com os anos vamos entender melhor”, avalia.