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Capital

Famílias são retiradas de nova invasão no Centro-Oeste e barracos demolidos

Espaço, segundo moradores, seria ocupado por cerca de 300 famílias; Sisep, Semadur e Guarda Civil foral ao local

Por Liniker Ribeiro e Ana Paula Chuva | 24/02/2021 14:49
Famílias deixando local de invasão, no Jardim Centro-Oeste, na manhã desta quarta-feira (Foto: Paulo Francis)
Famílias deixando local de invasão, no Jardim Centro-Oeste, na manhã desta quarta-feira (Foto: Paulo Francis)

Pelo menos 20 famílias que estavam demarcando espaço e construindo barracos em área invadida, na região do Jardim Centro-Oeste, em Campo Grande, foram retiradas do local, no fim da manhã desta quarta-feira (24). Maquinários foram utilizados para derrubar estruturas que já haviam sido erguidas.

A intenção, segundo moradores, era que o espaço, localizado entre as Ruas Maria de Lurdes Vieira matos, Patrocínio e Brígida de Melo, acolhesse cerca de 300 famílias, mas ação da Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano), Sisep ((Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) e Guarda Civil Municipal, impediu o plano.

Pessoas como o servente de pedreiro Rogério de Andrade Costa, de 21 anos, que no momento está desempregado, tiveram de deixar o barraco já com paredes erguidas, faltando apenas a cobertura.

Maquinários foram utilizados para derrubar barracos já erguidos (Foto: Paulo Francis)
Maquinários foram utilizados para derrubar barracos já erguidos (Foto: Paulo Francis)

“Chegaram, pediram para sair e foram derrubando com trator. O fiscal chamou a gente de favelado”, afirmou o jovem, que morava de aluguel no Los Angeles, ficou desempregado e, ao saber da ocupação por um amigo, foi para o local no último sábado (20), quando começou a limpar a área onde pretendia morar com a esposa e o filho, de 1 ano.

Mãe de duas meninas, de 6 e 12 anos, e grávida do terceiro filho, a atendente Katiuscia Loredo Arantes, de 24 anos, também planeja nova vida, no local

 “Fui despejada há um mês porque eu não tinha dinheiro para pagar aluguel. Vim morar com uma amiga, de favor, ontem eu fui ao mercado e passei aqui, vi o pessoal e perguntei, falaram que estava loteando, vim e demarquei minha área”, explica ao dizer como chego até a área invadida.

Guarda Municipal e equipes de secretarias estiveram no local (Foto: Paulo Francis)
Guarda Municipal e equipes de secretarias estiveram no local (Foto: Paulo Francis)

Segundo ela, na tarde de ontem, equipes da prefeitura já haviam ido até o local. “Ontem pediram para sair e não teve resistência, hoje chegaram apontando as armas. Nenhum órgão vem conversar com a gente, só mandaram maquinário para derrubar. Muitas mães precisam do auxílio, mas acabou, eu mesmo tive que parar de trabalhar devido a gravidez, nunca recebi kit merenda, já entrei com pedido de cesta básica no CRAS, mas nada”, destacou.

Mãe de duas meninas, de 19 anos e de 1 ano e 3 meses, dona Maria Lucia, de 40 anos, explica que as famílias começaram a chegar ao local há cerca de uma semana.  “Estávamos aqui limpando, passaram ontem e não falaram nada. Hoje, cercaram a gente e apontaram as armas”, afirmou a mulher, que garante viver, atualmente, com o valor que recebe pelo Bolsa Família.

Posicionamento – Em nota, a Semadur confirmou que a “área pública citada foi alvo de uma nova tentativa de invasão, iniciando um processo de demarcação sendo necessária a retirada desses materiais”.

A secretaria também destacou que a ação foi baseada no Código de Polícia Administrativa – Lei n. 2909 – Artigo 5º, § 2º - que afirma ser crime a atitude das famílias que invadiram o espaço.

A reportagem também entrou em contato com a Guarda Civil Municipal para questionar denúncias de agressividade durante a ação desta manhã, e aguarda retorno.

Veja a movimentação de hoje, no espaço invadido:




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