Fiéis trocam Copa por missa na Perpétuo Socorro: "Deus primeiro, depois o jogo"
Cerca de 30 fieis participaram da celebração bem na hora da partida, escolha pela fé em dia de jogo do Brasil
Por volta das 18h30, perto do altar da Igreja Perpétuo Socorro, um coroinha virou para o outro e anunciou o primeiro gol do Brasil. “Foi do Vini Jr”, comemorou. Pouco depois, os fogos pipocaram no céu e o padre Rodrigo Agosto também comentou. “Alguém fez o gol”, disse.
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Mesmo com o Brasil em campo pela Copa do Mundo contra o Marrocos, em Nova Jersey, cerca de 30 fiéis escolheram participar da missa na Igreja Perpétuo Socorro. O padre Rodrigo Agosto disse entender a paixão do brasileiro pelo futebol e afirmou que também rezaria pelo título. Entre os presentes, devotos relataram que priorizaram a fé, mas garantiram torcer pelo Brasil após a celebração.
Às 19h, o padre iniciou a missa, com cerca de 30 fiéis presentes. A presença reduzida, claro, era consequência do primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo. A Seleção enfrenta o Marrocos, em Nova Jersey (EUA).
“A gente entende perfeitamente que o brasileiro tem essa paixão pelo futebol”, disse o padre. Ele acredita que os fiéis encontram outros horários para celebrar a eucaristia. “Há muitos horários para que possam se adaptar”.
De maneira geral, o padre diz ter percebido a crescente presença de torcedores rezando pelo desempenho da Seleção Brasileira. “Também vou estar rezando e acendendo vela, pedindo para que a gente tenha uma boa Copa do Mundo e que o Brasil saia campeão”.
Entre os fiéis estava o casal Basílio Okuda e Elisa Okuda, que veio de Anastácio. O jogo ficou em segundo plano. “O padre abençoou nosso pão. Nós somos devotos de Santo Antônio, ficamos sabendo da programação e resolvemos ficar para a missa. Para a gente, não faz falta assistir ao jogo”, disse Basílio.
Elisa conta que o pão abençoado será guardado e levado aos filhos, que moram em São Paulo. A prática, segundo ela, já virou tradição na família. “Sempre fazemos isso. Eles já ficam esperando”, afirmou.
Na entrada da igreja, Edilaine Garcia recebia os fiéis. Ela trabalha na pastoral e diz que a noite era, de certa forma, um teste de prioridade. “É um dia de escolhas: colocar Deus em primeiro lugar ou o jogo. Nós somos brasileiros e é óbvio que todo mundo quer acompanhar, mas é uma prioridade estar aqui fazendo parte dessa acolhida. Eu considero um privilégio”, disse.
A escolha também foi feita por Célia Ferreira, de 48 anos. Ela admite que o coração estava dividido, mas não a ponto de trocar a missa pela partida. “A missão é sempre o mais importante, apesar do coração estar lutando aqui, torcendo pelo Brasil. Mas a gente sabe da nossa missão, que é servir Jesus primeiro”, afirmou.
Célia diz que também reza pela Seleção. Brasileira, ela não nega a torcida, só reorganiza a ordem das coisas. “Meu coração é brasileiro sempre, mas prefiro priorizar a missa. Depois dá para ver alguns flashes do jogo”.
Sentado em uma das cadeiras da igreja desde antes das 18h, o sapateiro Marcos Aurélio Kraieski, de 60 anos, rezava o terço antes da celebração. Membro da comunidade, ele costuma frequentar a Igreja Cristo dos Povos, mas também vai à Perpétuo Socorro para rezar.
Marcos afirmou que só acompanharia o segundo tempo, depois da missa. Para ele, a ordem não muda nem em noite de Copa. “Primeiro lugar é ir à missa. Depois, o jogo. Primeiro Deus e depois o jogo”, disse.
A torcida, porém, estava garantida. “Lógico, Brasil. Se é para ganhar, vai ganhar. Estou confiante, acredito na Seleção. Acho que vai dar 2 a 0, 3 a 0, por aí”, apostou.
Ele chegou cedo também para pedir calma. Não apenas para si, mas para quem estava nas ruas em noite de jogo. “A gente sai por aí e tem motoqueiro que não respeita sinal. Tem que pedir por todo mundo”, disse.





