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Capital

"Funcionário" do tráfico há 22 anos, piloto é condenado por lavagem de dinheiro

Avião foi comprado com dinheiro do narcotráfico e usado para o arremesso de cocaína, especialidade do piloto

Por Silvia Frias | 15/05/2024 09:56
Ilmar de Souza Chaves, o “Pixoxó”, ao ser preso em Minas Gerais, em 2010 (Foto: Reprodução/TV Record) 
Ilmar de Souza Chaves, o “Pixoxó”, ao ser preso em Minas Gerais, em 2010 (Foto: Reprodução/TV Record)

O piloto Ilmar de Souza Chaves, o Pixoxó, “funcionário” do narcotráfico há pelo menos 22 anos, foi condenado a 7 anos e 7 meses de prisão pelo crime de lavagem de dinheiro. A acusação refere-se à compra de aeronave com dinheiro do crime, usada para o transporte e lançamento de cocaína em pleno voo, a especialidade do réu.

A condenação foi dada pelo juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande, no dia 13, sendo publicada hoje no Diário da Justiça. Segundo o MPF (Ministério Público Federal), a aeronave Cessna Aircraft prefixo PRUSS foi usada para o narcotráfico internacional, de 16 de maio de 2018 a 30 de junho de 2019.

A denúncia de lavagem de dinheiro refere-se à investigação da PF (Polícia Federal) na Operação Cavok, deflagrada em junho de 2019. Segundo a polícia, o grupo criminoso, era integrado por pilotos, especializados na logística do transporte aéreo internacional na região de fronteira, com rota de Ponta Porã a Pedro Juan Caballero. Os planos de voos comunicados à Anac (Agência Nacional de Aviação) eram falsos e as aeronaves registradas em nome de laranjas.

No dia 30 de junho de 2019, os policiais receberam informação de que aeronaves usadas para o tráfico de drogas pousariam no Aeroporto de Ponta Porã.

Na denúncia, o esquema das aeronaves usadas por Pixoxó e outros pilotos ligados ao crime (Foto/Reprodução)
Na denúncia, o esquema das aeronaves usadas por Pixoxó e outros pilotos ligados ao crime (Foto/Reprodução)

No local, a equipe flagrou a aterrissagem das aeronaves Cessna Aircraft, 210L, prefixo PRUSS e a Cessna Aircraft, 210N, prefixo PRAPD. A manutenção estava sendo feito a portas fechadas e luzes apagadas. No local, estavam os pilotos Ilmar Chaves e João Antonio Fim Bispo de Jesus.

Pixoxó negou ser dono da aeronave que pilotava, alegando que somente levou um fazendeiro de São Paulo para Antônio João e, posteriormente, retornado a Ponta Porã. No flagrante, o piloto não soube detalhar informações, como o nome completo do fazendeiro ou o contato. A PF apreendeu a aeronave prefixo PRUSS, GPS, avião, caderneta, diário de bordo e dois telefones celulares de Ilmar.

Segundo a denúncia, a investigação rastreou que a aeronave passou pelo nome de dois “laranjas” do esquema. O primeiro foi João Antonio Fim Bispo de Jesus, que, em janeiro de 2019, comprou o Cessna por R$ 420 mil de importadora e, posteriormente, vendeu a Maria Aparecida Alves Nunes, em março daquele ano, por R$ 480 mil.

O MPF alega que nenhum dos dois teria capacidade econômica para a compra da aeronave. “Ademais, consta que João Bispo e seus familiares recebiam valores transferidos por contas bancárias operadas por integrantes da organização criminosa capitaneada por Sérgio de Arruda Quintiliano Neto, o Minotauro”, diz a denúncia.

O 4º acusado é João Batista Ribeiro que, conforme apuração da PF, teria atuado ativamente parar ocultação da propriedade da aeronave, “(...) não somente intermediando a contratação da “laranja” MARIA APARECIDA, como ainda cuidando da aeronave de ILMAR CHAVES, inclusive por meio de reparos nela executados na oficina (...), pagos à vista e em espécie (...)”.

As defesas dos réus tentaram anular a denúncia, alegando que a abordagem policial no hangar, que deflagrou toda a investigação foi ilegal e, a partir daí, tudo o que foi obtido, desde as apreensões até as provas também devem ser desconsideradas, por conta da ilegalidade.

No despacho, o juiz desconsiderou os argumentos, considerando legal a conduta no flagrante, feita durante operação. Também disse que o processo se baseou em “vasto acerto probatório”, feito em longo procedimento de investigação, judicialmente autorizado.

O magistrado também relembrou o passado criminal de Ilmar Chaves, com condenação em 1997, após ser flagrado arremessando fardos de cocaína em fazenda próxima a Coxim, prisão no Paraguai e citação em relatório da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o narcotráfico.

Consta no despacho que Pixoxó era “(...) conhecido por seu envolvimento com o transporte aéreo de cocaína desde longa data, e era especialista no lançamento de droga em pleno voo, tática que dificulta sobremaneira uma eventual abordarem da aeronave pela polícia (...). O magistrado completa (...) Segundo Informação de Polícia Judiciária (...), ILMAR CHAVES trabalha com o tráfico de drogas há pelo menos 22 anos e já teve diversas passagens nas polícias brasileira e paraguaia”. Em denúncias anteriores, consta que Pixoxó também transportou droga para Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar e Sérgio Roberto de Carvalho, o Major Carvalho.

Ilmar de Souza Chaves, o Pixoxó, foi condenado a sete anos e sete meses de reclusão; João Antonio Fim Bispo de Jesus a cinco anos e sete meses; Maria Aparecida Alves Nunes e João Batista Ribeiro receberam penas iguais, quatro anos e nove meses de reclusão. Em todos os casos, foi fixado o regime semiaberto, por conta da pena atribuída.

O juiz também determinou a perda do Cessna Aircraft prefixo PRUSS em favor da União.

Em 2021, Pixoxó já havia sido condenado a 17 anos por narcotráfico. Em 2023, essa condenação foi elevada para 20 anos e 21 dias de reclusão, em regime fechado.

Ação - Em 2019, Na Operação Cavok, a PF apreendeu 23 aviões que, para a investigação, são usados para transporte de cocaína. A sigla Cavok (Ceiling and Visibility OK) é utilizada no meio aeronáutico para definir boas condições de voo.

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