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Capital

Furto de 1,6 km de trilhos faz empresa pedir reintegração de posse a condomínio

Retirada foi feita com maçarico e teria começado em 2025; empresa registrou caso na Polícia Civil

Por Silvia Frias | 01/05/2026 12:02
Furto de 1,6 km de trilhos faz empresa pedir reintegração de posse a condomínio
Relatório identificou o furto dos trilhos que teria começado ainda em 2025 (Foto/Reprodução)

Após o furto de 1,6 quilômetro de trilhos, em crime descoberto em fevereiro deste ano, a concessionária Rumo Malha Oeste S.A. acionou a Justiça para retomar a posse de área ferroviária em Campo Grande onde há planos de construir um condomínio de luxo. A ação de reintegração foi protocolada no dia 8 de abril de 2026 e tramita na 2ª Vara de Fazenda Pública e de Registros.

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A concessionária Rumo Malha Oeste S.A. acionou a Justiça para retomar a posse de área ferroviária em Campo Grande após o furto de 1,6 quilômetro de trilhos no ramal Manoel Brandão, descoberto em fevereiro de 2026. A ação de reintegração de posse foi protocolada em abril de 2026 e aponta que os trilhos foram cortados com maçarico e removidos por empresa não identificada, possivelmente em setembro de 2025, com uso de caminhões e maquinário pesado.

Na petição inicial, a empresa informa que o problema foi identificado durante vistoria realizada em 9 de fevereiro de 2026, quando foi constatada a retirada completa da estrutura ferroviária em um trecho do ramal Manoel Brandão. A supressão ocorreu entre os quilômetros 822 e 823,664, totalizando 1.644 metros lineares de trilhos retirados.

O caso foi relatado à Polícia Civil, acompanhado de relatório técnico de inspeção que detalha as condições encontradas no local. Segundo o documento, a retirada dos trilhos foi confirmada em campo, com corte realizado por maçarico de oxicorte e remoção integral da estrutura metálica da via permanente, restando apenas os dormentes de madeira ao longo do trecho afetado.

Furto de 1,6 km de trilhos faz empresa pedir reintegração de posse a condomínio
Cálculo é que 1,6 km de trilho foram furtados ao longo do ramal (Foto/Reprodução)

A inspeção aponta ainda dificuldades de referência no local, já que a ausência dos trilhos e inconsistências nos arquivos técnicos comprometeram a medição do eixo ferroviário durante a vistoria.

No ponto final do trecho onde a estrutura volta a aparecer, os técnicos identificaram trilhos apoiados nas proximidades de um estabelecimento comercial na Avenida Zilá Corrêa Machado. No local, um responsável informou que o material havia sido reunido após limpeza da área, mas que anteriormente estava espalhado.

Ainda conforme esse relato, a retirada dos trilhos teria ocorrido em setembro de 2025, realizada por uma empresa de grande porte, com uso de caminhões do tipo munck e maquinário pesado. O informante, no entanto, não soube indicar qual empresa teria executado o serviço.

A concessionária afirma que, mesmo após o registro da ocorrência, a situação permaneceu sem alterações até o ajuizamento da ação, sem recomposição da ferrovia ou identificação dos responsáveis.

Furto de 1,6 km de trilhos faz empresa pedir reintegração de posse a condomínio
Localização da linha férrea do Ramal Manoel Brandão (Foto/Reprodução)

A área atingida é classificada como faixa de domínio ferroviária, considerada bem público vinculado à prestação de serviço essencial. No trecho citado, essa faixa possui 30 metros de largura total, sendo 15 metros de cada lado do eixo da linha férrea.  A empresa sustenta que, por contrato de concessão com a União, tem a obrigação de preservar esses bens e garantir a integridade da malha.

Na ação, a Rumo pede a reintegração de posse da área, a retirada de ocupações irregulares e o reconhecimento de que a responsabilidade pela desocupação é do invasor, que não foi identificado. Também solicita autorização para realizar demolição parcial de construções que avancem sobre a faixa de domínio, caso haja descumprimento de eventual ordem judicial, com posterior cobrança dos custos.

A empresa requer ainda a intimação do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), apontando interesse direto desses órgãos na área concedida.

O valor da causa foi fixado em R$ 10 mil, sob justificativa de que se trata de bem público sem valor de mercado mensurável.

Até o momento, o último andamento registrado no processo é o protocolo da petição inicial, datado de 8 de abril de 2026, sem despacho judicial de mérito ou análise de pedidos liminares.

Furto de 1,6 km de trilhos faz empresa pedir reintegração de posse a condomínio
Restos dos trilhos deixados no local (Foto/Reprodução)