Com uma de suas obras no velório, familiares e amigos se despedem de artista
Pedro Morato, de 33 anos, morreu em um acidente na noite de ontem; ele era conhecido pelos grafites de jacarés

O jacaré que por anos ganhou os muros de Campo Grande acompanhou Pedro Morato, de 33 anos, em sua última despedida. Em frente ao caixão, um quadro pintado pelo próprio artista foi colocado durante o velório nesta segunda-feira (3), reunindo em uma imagem o traço que marcou a carreira do grafiteiro e a memória deixada por ele entre amigos, familiares e admiradores. O artista morreu após um acidente de trânsito, na Avenida Eduardo Fábio Elias Zahran, na noite deste domingo (2).
RESUMO
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O grafiteiro Pedro Morato, de 33 anos, conhecido por seus murais de jacaré em Campo Grande, foi velado nesta segunda-feira (3) após morrer em acidente de motocicleta na Avenida Eduardo Elias Zahran. Durante o velório, um quadro pintado pelo próprio artista foi colocado em frente ao caixão. Ele deixa um filho de 12 anos, Francisco, e é lembrado por amigos e familiares como um profissional talentoso e pessoa de coração generoso.
A mãe de Pedro, Lourdelice Morato, falou sobre a dificuldade de lidar com a perda do filho e destacou a trajetória dele como pai, artista e amigo. “Não existem palavras para descrever o que estou sentindo agora. Meu filho foi o melhor filho do mundo, o melhor pai, o melhor irmão e o melhor amigo. Era um artista, sempre foi, desde muito pequeno. Tinha um coração enorme, era muito querido e muito amado por todos”, afirmou.
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Pedro deixou um filho de 12 anos, Francisco, que, segundo a mãe, era a maior paixão da vida dele. Ela contou que o filho sempre sonhou em ser pai e via no menino a realização desse desejo. “Ele sempre dizia que o Francisco era exatamente o filho que ele imaginava ter. Ele me deixou esse neto maravilhoso, e agora a vida precisa seguir”, disse.
Durante a despedida, familiares também relembraram momentos da convivência com Pedro e o jeito carinhoso que ele tinha com a mãe. Lourdelice contou que o filho costumava perguntar se era amado e que os dois tinham uma relação marcada por brincadeiras e afeto.
“Ele chegava para mim e perguntava: ‘Mãe, você me ama?’. Eu brincava e dizia que não. Depois respondia: ‘Tá bom, eu amo, porque mãe tem que amar, né?’. Ele ria”, contou.


Colegas de profissão também prestaram homenagens ao artista, que deixou trabalhos espalhados pela cidade, principalmente em murais e projetos de arte urbana. Diretor de criação da MV Agência, Lucas Machado contou que Pedro teve papel importante na trajetória profissional dele e destacou a influência do amigo.
“Quando eu não sabia praticamente nada sobre arte e publicidade, foi ele quem me acolheu, me incentivou e acreditou em mim para seguir esse sonho”, afirmou.
Para Lucas, o maior legado de Pedro está além das obras físicas. “Está nos muros da cidade, nas obras que criou, mas principalmente nas nossas memórias e nos nossos corações”, disse.
O publicitário e empresário Alexandre Morales, de 42 anos, também relembrou a convivência com Pedro e destacou a forma leve como o artista encarava a vida. "Era um profissional incrível, um amigo incrível e alguém que estava sempre de bom humor, sempre disposto a fazer o melhor”, afirmou.

Segundo Alexandre, a sensibilidade era uma das principais características do artista. “Poucas pessoas têm essa capacidade de compreender o outro. O Pedro deixou marcas físicas pela cidade, mas também deixou uma marca em cada pessoa que teve a oportunidade de conviver com ele”, completou.
Pedro morreu após uma colisão envolvendo a motocicleta que conduzia na Avenida Eduardo Elias Zahran. O acidente mobilizou equipes de socorro, mas ele não resistiu aos ferimentos.
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