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Capital

Guardas somem das ruas e população cobra equipes para coibir abusos no trânsito

Motoristas e pedestres relatam que há tempos não encontram fiscalização ou apoio para organizar fluxo em horários de pico

Por Aletheya Alves | 03/03/2021 07:15
Rotatória da Mato Grosso tem fila de veículos no fim da tarde, mas nenhuma fiscalização. (Foto: Kisie Ainoã)
Rotatória da Mato Grosso tem fila de veículos no fim da tarde, mas nenhuma fiscalização. (Foto: Kisie Ainoã)

Enquanto o movimento nas ruas de Campo Grande segue alto, mesmo com a orientação do "fique em casa", o que não se vê mais é agente de trânsito nos cruzamentos da cidade. Para a população, campanhas de orientação deveriam ser mais frequentes assim como a presença de agentes no auxílio do tráfego, principalmente, em horário de pico.

Na tarde desta terça-feira (2), nenhum policial ou agente de trânsito foi visto em dois pontos de grande fluxo da Capital. Na rotatória da Avenida Mato Grosso com a Via Parque e no cruzamento das avenidas Interlagos e Gury Marques, conhecida como "rotatória da Coca-Cola", apesar dos congestionamentos de rotina, nenhum apoio era dado aos motoristas.

Especialista em educação, Elisângela Soares, de 44 anos, diz que tanto motoristas quanto pedestres precisam de maior vigilância. “A gente vê muitas imprudências, as pessoas andam em alta velocidade em vias que poderiam andar com mais cuidado. Pedestre também desrespeita faixa, atravessa fora e acaba prejudicando os motoristas”, explica.

Pedestres atravessando fora da faixa na Avenida Afonso Pena. (Foto: Kísie Ainoã)
Pedestres atravessando fora da faixa na Avenida Afonso Pena. (Foto: Kísie Ainoã)

Para ela, uma solução possível seria a presença ostensiva de guardas ou agentes de trânsito pela cidade. Com os olhos vigilantes em mais locais, Elisângela acredita que motoristas e pedestres respeitem mais as regras para andarem pelas ruas.

Sobre a região central, o engenheiro civil, Lucas Araújo, de 26 anos, acredita que há aplicação de multas, mas falta de orientação.

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Acho que poderia ter mais gente em cruzamentos que há maior movimentação também com auxílio. Por ser Capital, o trânsito aqui ainda é tranquilo, mas poderia melhorar. Nesse sentido. A parte de orientação seria algo a melhorar", Lucas Araújo diz.

Lucas diz que costuma ver agentes, guardas e policiais de trânsito se movimentando pela cidade, mas não em espaços específicos.

Já para o aposentado, Ismael Nunes Filho, de 72 anos, o problema não fica apenas na quantidade de equipes distribuídas pela cidade. “Acho que é uma questão cultural, não adianta só ter agente de trânsito. O pessoal também precisa aprender a respeitar o trânsito”.

Ismael diz que problemas precisam ser resolvidos também pela comunidade. (Foto: Kísie Ainoã)
Ismael diz que problemas precisam ser resolvidos também pela comunidade. (Foto: Kísie Ainoã)

Completando a ideia, ele relata que sente falta de mais calmaria e respeito nas ruas. “Talvez com mais agentes ensinando e depois aplicando multa, possa melhorar, mas não tem como ter certeza. Você sempre vê coisas erradas acontecendo”, conclui.

Em outro ponto movimentado da cidade, na rotatória da Coca-cola, entre Avenida Gury Marques e Interlagos, o instalador de posto, José Carlos Alexandre, de 50 anos, diz que não vê presença das equipes na região com fiscalização.

Para ele, os responsáveis por fiscalizar o trânsito deveriam diminuir a quantidade de tempo circulando. “Acho que precisaria ter mais gente na rua em locais fixos, você vê mais circulando, mas orientando e sanando dúvidas não vemos muito. É necessário fazer uma abordagem preventiva e orientar”.

Já com um olhar de fora sobre a rotatória da Mato Grosso com Avenida Via Parque, o produtor rural Celmo Malaquias de Souza, de 40 anos, relata que sendo do interior, sente ainda mais necessidade de equipes espalhadas pela cidade.

Celmo vê que alto movimento gera necessidade de mais equipes. (Foto: Kísie Ainoã)
Celmo vê que alto movimento gera necessidade de mais equipes. (Foto: Kísie Ainoã)

De acordo com Celmo, ele vem até Campo Grande uma vez na semana para vender produtos orgânicos e consegue perceber a diferença de ação entre as cidades. “Acho que aqui seria legal ver uma presença forte de policiamento, por exemplo. O fluxo é bem alto e muitas vezes o pessoal acaba cometendo atos que poderiam ser evitados se tivesse agentes”, diz.

Equipes em ação - De acordo com o chefe de fiscalização de trânsito da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Carlos Guarini, os agentes de trânsito estão sim nas ruas. “São muitas atividades e se locomovem de acordo com os locais. Fazemos apoio em locais de obras, locais interditados, fiscalização de irregularidades e desrespeito ao código de trânsito brasileiro, em cruzamento em decorrência de furtos de cabos de semáforo, atendimentos de reclamações do 156 e outras atividades”.

Ainda de acordo com Guarini, as equipes também participam de blitz e em operações em decorrência da covid-19. Conforme explicado pela assessoria, um dos exemplos de atuação é a blitz realizada diariamente durante o período de toque de recolher.

Outro ponto sem fiscalização: rotatória da Guri Marques com Interlagos. (Foto: Paulo Francis)
Outro ponto sem fiscalização: rotatória da Guri Marques com Interlagos. (Foto: Paulo Francis)

O comandante do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar, capitão Waldomiro Vargas Júnior, garante que diariamente há equipes nas ruas. “Alocamos efetivo na área urbana da Capital para cumprimento de nossa missão constitucional, e, temos visto a redução do número de mortes no trânsito da Capital nos últimos anos, com enfoque na lei seca, principalmente aos finais de semana”, diz.

Dentro das atribuições do Batalhão, o capitão diz que estão a fiscalização, policiamento preventivo e o atendimento de acidentes de trânsito com vítimas e aqueles que se configuram como crime de trânsito.

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