ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, QUARTA  14    CAMPO GRANDE 28º

Capital

Herdei uma bomba, que começou a ser desarmada em 2025, diz Adriane

Segundo a prefeita, os cortes realizados não foram suficientes para equilibrar os cofres públicos

Por Fernanda Palheta | 14/01/2026 09:18
Herdei uma bomba, que começou a ser desarmada em 2025, diz Adriane
Prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), durante posse de secretários na última semana (Foto: Juliano Almeida)

As medidas impopulares adotadas pela prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), como a redução do desconto no pagamento à vista do IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e a redefinição da base de cálculo da taxa de lixo, fazem parte da estratégia da gestão para "desarmar uma bomba". Em entrevista ao Tribuna Livre, da Rádio Capital 95, na manhã desta quarta-feira (14), a progressista afirmou que herdou a crise financeira que o município enfrenta de gestões anteriores.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), justificou as medidas impopulares adotadas em sua gestão como necessárias para equilibrar as finanças municipais. Em entrevista, ela afirmou ter herdado um déficit histórico das administrações anteriores, que exigiu cortes significativos em diversas áreas ao longo de 2025. Entre as principais medidas está a atualização do IPTU e da taxa de lixo, baseada no novo Perfil Socioeconômico Imobiliário. Segundo a prefeita, a falta de atualizações na última década por gestões anteriores resultou em um impacto maior para os contribuintes, especialmente em regiões que tiveram significativa valorização imobiliária.

"Nós assumimos a gestão com deficit histórico, deficit de recurso. E a gente vem trabalhando pontualmente, cortando gastos, cortando onde tinha que cortar. Durante todo o ano de 2025, cortamos despesas com gasto de pessoal, custeio, gasolina, transporte, em todas as áreas da gestão", detalhou.

Ela aponta que foi aprovado um plano de equilíbrio fiscal para Campo Grande. "Nós estamos ajustando as finanças do município porque eu herdei uma bomba e essa bomba foi sendo desarmada no decorrer do ano de 2025. Os anos anteriores a gente veio trabalhando, se virando, mas eu não tinha equipe própria. No ano de 2025, a gente começa a trabalhar para melhorar os indicadores de Campo Grande e o que acontece no ano de 2025: a gente corta, corta, corta até chegar ao final do ano e não ter mais onde cortar dentro da gestão", descreveu.

Segundo a prefeita, os cortes não foram suficientes para equilibrar os cofres públicos diante da queda da arrecadação e de repasses como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ).

"Então você tem que dar o próximo passo duro, difícil e impopular, que é aumentar, reajustar o IPTU, a taxa de lixo, que foi reajustada pela última vez em 2018", completou.

O aumento da taxa de lixo é resultado da atualização do PSEI (Perfil Socioeconômico Imobiliário), que foi alterado pela última vez em 2017. "O que aconteceu na última década, prefeitos populistas escolheram não atualizar, prejudicando os avanços na cidade. Quando chega na minha vez, ou eu faço ou prevarico. Eu estou com uma faca no meu pescoço de um lado e de outro", reconheceu.

A prefeita aponta que o impacto sentido pelos contribuintes é de uma década sem correção. "Há mais de uma década não tem a atualização da planta genérica de valores imobiliários de Campo Grande. Você pode olhar o seu IPTU, você não venderia seu imóvel no valor que consta no seu IPTU porque houve uma valorização do seu imóvel nos últimos 10 anos, mas não houve uma atualização cadastral", completou.

Ela cita o exemplo do bairro Jardim Veraneio, localizado na região leste de Campo Grande, próximo ao Parque dos Poderes. "Temos regiões que realmente foram muito valorizadas. No Jardim Veraneio, era cobrada a taxa de lixo como se fosse o Jardim Noroeste. E, na atualização, tivemos o aumento do valor cadastral porque o valor dos imóveis naquela região é diferente do valor dos imóveis no Jardim Noroeste", disse.

Adriane indica que a atualização do Perfil Socioeconômico Imobiliário levou em conta as melhorias que os bairros receberam ao longo da década, como asfalto, drenagem e construção de escolas e unidades de saúde, além da própria valorização imobiliária.

"A valorização imobiliária de Campo Grande foi muito grande na última década e não teve a correção. Mesmo que seja impopular, é uma medida que está dentro da legalidade. Isso traz impopularidade porque muitos outros prefeitos que passaram não tiveram coragem de fazer, com medo de não serem reeleitos no futuro", finalizou.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.