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Capital

Horário de Natal no comércio empaca com briga de patrões e trabalhadores

O sindicato dos empresários e dos comerciários dizem que reajuste do piso salarial é um dos motivos do impasse

Por Geniffer Valeriano | 06/12/2023 17:02
Avenida 14 de Julho com decoração natalina. (Foto: Alex Machado)
Avenida 14 de Julho com decoração natalina. (Foto: Alex Machado)

Com o impasse, a convenção coletiva não é assinada e os comerciantes ainda não têm definido o horário de funcionamento estendido de final de ano. Os sindicatos dos lojistas e dos comerciários informaram ao Campo Grande News que, dentre os motivos do atraso do fechamento do acordo, está o reajuste salarial.

O secretário-executivo do Sindivarejo (Sindicato do Sistema Comércio), Sebastião da Conceição, explicou que nesta quarta-feira (6) os sindicatos que representam os empresários e os trabalhadores se reunirão. Ainda é esperada uma resposta dos comerciários sobre as últimas propostas apresentadas.

“Eles querem colocar cláusulas na convenção coletiva que fogem das convenções que a gente vem fechando aí nos anos anteriores e os empresários não vão aceitar o que eles querem. Outro fator é o índice de reajuste que eles querem, então eles estão negociando uma coisa que para o lado do empregado é muito bom fazer, nas vistas do sindicato dos empregados, mas para o lado do empresário é muito caro”, pontuou.

Conforme relatado por Sebastião, é oferecido pelos empresários um reajuste baseado no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que é de 4,3% a 4,5%. “O que eles estão pedindo é muito, muito mais alto do que isso. Então os empresários oferecem o que está no índice deste indicador econômico”.

O secretário executivo também explica que inicialmente a proposta recebida pelos empresários era de 9,5% de reajuste no piso salarial. Atualmente, segundo Sebastião, o sindicato comerciário está pedindo reajuste de 8% para uma classe de trabalhadores e 7% para outra classe com salário maior.

Outro motivo do impasse entre os sindicatos é referente a algumas mudanças de cláusulas do acordo coletivo. Entre as alterações se referem à jornada de trabalho aos domingos, folgas e valores pagos, mais relacionados aos domingos e feriados.

“A gente não quer essa cláusula dessa forma, nós queremos que estava na convenção anterior [...] As cláusulas de domingo estão mais fáceis agora, eles já posicionaram que estão dependendo de uma solução dos empregados lá e para eles tomarem qualquer decisão. Então eu acredito que hoje a gente feche esse acordo”, diz o executivo.

Apesar das questões que ainda não estão resolvidas entre os sindicatos, Sebastião afirma que as lojas não serão impedidas de funcionar até mais tarde. Até que a nova convenção coletiva seja assinada, os empresários podem trabalhar seguindo o que está estabelecido no acordo anterior.

A última convenção assinada assegura que os comerciantes podem funcionar até às 20h, até o dia 17 de dezembro. A partir do dia 18 ao dia 23, o horário de funcionamento pode se estender até às 22h. “Eu já conversei com alguns empresários que já estão fechando às 20 horas”, diz.

A Fecomércio também foi procurada por meio da assessoria para falar sobre o assunto. Para a reportagem foi informado que a reunião ainda está em andamento e por isso não possuem uma resposta

O trabalhador - O presidente da SECCG (Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande), Carlos Sérgio dos Santos, não fala em índices desejados, mas relata que o problema é com os patrões. “É uma divergência patronal que não quer dar o que é direito do trabalhador, não querem aceitar. Nós já baixamos tudo o que podíamos baixar e chega num ponto que não tem como”, disse.

Carlos ainda explica que as reuniões para a definição da nova convenção começaram há dois meses, com várias contrapropostas por parte dos comerciários. Hoje foi realizada a terceira reunião na tentativa de uma acerto. Por meio de nota, o diretor do sindicato informou que haverá um quarto encontro, a ser marcado ainda nesta semana.

“Hoje novamente fomos lá, porque a gente tem notado que o comércio já está iluminado e a gente tem essa preocupação. Eu mesmo já fui comerciário durante muitos anos e a gente tem essa preocupação com dezembro, pois é o mês de faturamento [...] O valor é tão insignificante que a gente não vê por que não querem aceitar. Nós nunca tivemos nenhum problema para negociar antes”, pontuou.

Dentre as propostas aceitas pelo sindicato dos comerciários estão o trabalho aos domingos e a criação do banco de horas, mesmo citados como prejudicial para o trabalhador. Carlos reclama que os empresários não abriram mão de nenhuma das exigências que fizeram.

“Você nota uma falta grave ali, o empresário fracionar as férias do trabalhador várias vezes e poder pagar só depois que o trabalhador voltar de férias. Isso é um afronto, onde você sai de férias da sua empresa e aí você não recebe o seu salário ou senão o patrão divide em várias vezes e fala: ‘não vou te dar férias, na hora que eu quiser’ ou ‘eu vou te pagar quando eu puder’. Ué? Isso não existe”, diz revoltado.

O diretor do sindicato dos comerciários destacou que a resolução é algo desejado. “Nós não somos inimigos do patrão, o empregado precisa da empresa e a empresa precisa do empregado [...] É o famoso ganha, ganha, se o patrão ganha o empregado também tem que ganhar”, enfatiza Carlos.

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