Internado após problema cardíaco, médico réu por feminicídio troca de advogado
Ainda em hospital, João Jazbik assinou procurações repassando defesa a André Borges

Internado no Hospital da Cassems em Campo Grande após passar por cateterismo e angioplastia, o médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, réu pelo feminicídio da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, trocou de advogado nesta quarta-feira (21). André Borges assumiu a defesa no lugar de José Belga Trad.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
O médico cardiologista João Jazbik Neto, de 78 anos, réu pelo feminicídio da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51, trocou de advogado nesta quarta-feira (21). André Borges assumiu a defesa no lugar de José Belga Trad. Internado após cateterismo e angioplastia, o réu aguarda decisão sobre pedido de prisão domiciliar, e o juiz solicitou manifestação do Ministério Público. A internação adiou audiências de instrução para 29 de outubro e 5 de novembro.
A mudança foi formalizada em petição protocolada às 10h25 desta quarta-feira na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande. Conforme o documento ao qual o Campo Grande News teve acesso, André Borges apresenta procuração assinada pelo médico, comunica que passará a representá-lo e solicita acesso aos autos. A petição também informa que o advogado anterior está ciente da substituição.
- Leia Também
- Internado após cateterismo, médico réu por feminicídio pede prisão domiciliar
- Justiça adia audiência para ouvir acusação contra Jazbik por feminicídio
Procurado pela reportagem, Belga destacou os resultados que afirma ter obtido enquanto esteve à frente da defesa. “Consegui 3 habeas corpus ao Dr. João no curso do caminho. O advogado que entrou tem tudo para se consagrar como um grande engenheiro de obra pronta”, declarou.
André Borges também foi procurado, mas preferiu não comentar a mudança neste momento.
A substituição ocorre em meio a um novo pedido de prisão domiciliar apresentado à Justiça em razão do estado de saúde do cardiologista. Ele foi transferido para o Hospital da Cassems no dia 13 de outubro, depois de apresentar dores no peito enquanto estava preso no Centro de Triagem Anísio Lima, no Complexo Penal do Jardim Noroeste.
O médico apresentou quadro de angina instável e precisou passar por cateterismo cardíaco e angioplastia, com colocação de stents (pequenos dispositivos usados para manter as artérias abertas e permitir a circulação sanguínea).
Na segunda-feira (19), o Campo Grande News informou que a defesa havia solicitado a conversão da prisão preventiva em domiciliar por razões humanitárias. O juiz Aluizio Pereira dos Santos aguardava laudos e informações do hospital para analisar o pedido. Agora, conforme a apuração, o magistrado pediu que o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) se manifeste sobre o pedido.
Audiência adiada – A internação também provocou o adiamento da primeira audiência de instrução do processo, inicialmente marcada para 15 de outubro. Os depoimentos das testemunhas de acusação foram remarcados para 29 de outubro, às 13h30. As testemunhas de defesa deverão ser ouvidas em 5 de novembro, no mesmo horário, quando também poderá ocorrer o interrogatório do médico.
A mudança nas datas foi determinada pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, responsável pelo processo, diante da necessidade de tratamento médico do acusado e de sua intenção de participar da audiência.
O caso – Fabíola Marcotti foi encontrada morta em 18 de maio deste ano, na propriedade onde vivia com o marido, na região da Chácara dos Poderes, em Campo Grande.
Desde o início, João Jazbik Neto sustenta que a esposa cometeu suicídio. A investigação conduzida pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher), porém, concluiu que a fisioterapeuta foi vítima de feminicídio.
Segundo os laudos periciais, Fabíola sofreu golpes na cabeça antes de ser atingida por um disparo de arma de fogo. A perícia também identificou vestígios considerados incompatíveis com a versão apresentada pelo médico.
Em 25 de agosto, a Justiça recebeu a denúncia contra Jazbik pelos crimes de feminicídio, violência psicológica, fraude processual e posse irregular de arma de fogo.
O cardiologista foi preso três vezes desde a morte da esposa. A última vez ocorreu em 3 de setembro, quando uma decisão judicial restabeleceu sua prisão preventiva. A defesa nega o crime e questiona as provas reunidas durante a investigação.


