Júri condena a 25 anos homem que atropelou esposa em frente aos filhos
Jurados rejeitam versão de acidente; juiz cita "dolo intenso" e mantém réu em regime fechado

Willames Monteiro dos Santos foi condenado, no início da noite desta quarta-feira (5), a 25 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por matar a esposa, Andressa Fernandes Teixeira, atropelada mais de uma vez diante dos dois filhos do casal, no bairro Nova Campo Grande, em Campo Grande.
RESUMO
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Willames Monteiro dos Santos foi condenado a 25 anos e 6 meses de prisão em regime fechado por matar a esposa Andressa Fernandes Teixeira, atropelada repetidamente na frente dos dois filhos do casal em Campo Grande. O juiz destacou o dolo intenso e a crueldade do crime, ocorrido em abril de 2024. Os jurados rejeitaram a tese de acidente da defesa e reconheceram feminicídio qualificado.
Na sentença, o juiz Aluízio Pereira dos Santos afirmou que a culpabilidade do réu é elevada porque ele agiu com dolo intenso. Segundo escreveu, Willames atropelou com um automóvel e passou por cima do seu corpo, inclusive na região da cabeça, por mais de uma vez, provocando "[...] diversos ferimentos e intenso sofrimento físico".
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Para o juiz, a conduta "bem demonstrou a sua vontade de matá-la e caracterizou o emprego de crueldade". "Dolo com essa dimensão não pode ter o mesmo tratamento penal brando daquele que age com menor intensidade", registrou.
Ao fundamentar a condenação, Aluízio também destacou que Willames estava em avançado estado de embriaguez, porém consciente de seus atos. Conforme a decisão, ele surpreendeu Andressa ao dar marcha à ré contra o portão da residência, derrubá-la e arrastá-la até a rua. Para o magistrado, a manobra reduziu suas chances de reação, já que a vítima não esperava a ação e estava em situação de vulnerabilidade.
O juiz ainda afirmou que as consequências do crime "superaram a normalidade". Na sentença, escreveu que Andressa deixou órfãs duas crianças pequenas, uma delas ainda em fase de amamentação, que "terão que passar o resto de suas vidas sem a importante figura de sua mãe". Também registrou que a vítima não contribuiu para a prática do crime e apenas tentava impedir que o marido dirigisse alcoolizado para evitar um acidente.
Dosimetria - A pena pelo feminicídio começou em 18 anos de reclusão. O magistrado reduziu um ano em razão da confissão, mas afirmou que ela "não foi preponderante para a elucidação do caso", pois o crime foi presenciado por vizinhos e pelos filhos do casal. Em seguida, aumentou a punição em metade porque o feminicídio ocorreu na presença das crianças. Na decisão, lembrou que a filha viu o pai passar com o carro sobre a mãe "por mais de uma oportunidade" e ouviu "o som dos seus ossos quebrando". Com isso, a pena chegou a 25 anos e 6 meses de reclusão.
Além do feminicídio, o réu foi condenado a dois meses de detenção por reagir à prisão com violência contra policiais militares. O juiz manteve o regime fechado, determinou que o réu permaneça preso, fixou indenização mínima de R$ 20 mil para os dois filhos de Andressa, declarou a perda do carro utilizado no crime e cassou o direito de dirigir.
Durante o julgamento, a defesa sustentou que o atropelamento foi um acidente e pediu a desclassificação do crime. Willames afirmou que havia consumido cerveja, negou a intenção de matar e disse que só percebeu o atropelamento quando ouviu a filha gritar. O Ministério Público defendeu a condenação por feminicídio qualificado.
Os jurados rejeitaram a tese apresentada pela defesa e reconheceram que Willames matou a esposa por motivo torpe, com meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também mantiveram a condenação pelo crime de resistência praticado durante a prisão.

O caso - Andressa morreu na noite de 20 de abril de 2024, em frente à casa onde morava com o marido e os dois filhos, no Bairro Nova Campo Grande. Segundo a acusação, ela tentou impedir que Willames deixasse a residência dirigindo depois de consumir bebida alcoólica.
De acordo com a investigação, o réu deu marcha à ré contra o portão da casa, derrubou Andressa, arrastou a vítima até a rua e passou mais de uma vez sobre o corpo dela. A perícia concluiu que os freios e a câmera de ré do veículo funcionavam normalmente.


