Pai e familiares deixam plenário para adolescente depor em júri de feminicídio
Depoimento da menina durou 53 minutos; testemunhas da defesa disseram desconhecer agressões no relacionamento

A filha de 14 anos de Andressa Fernandes Teixeira e de Willames Monteiro dos Santos prestou depoimento, no fim da manhã desta quarta-feira (5), em sessão reservada durante o julgamento do pai, acusado de matar a esposa por atropelamento, no dia 20 de abril de 2024, em Campo Grande.
RESUMO
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A filha de 14 anos do casal prestou depoimento em sessão reservada no julgamento de Willames Monteiro dos Santos, acusado de matar a esposa Andressa Fernandes por atropelamento em Campo Grande, em abril de 2024. A oitiva durou 53 minutos. O réu responde por feminicídio qualificado. A defesa alega acidente. Testemunhas disseram desconhecer violência doméstica no relacionamento.
Por determinação do juiz Aluízio Pereira dos Santos, todos deixaram o plenário da 2ª Vara do Tribunal do Júri, inclusive o réu. Permaneceram na sala apenas o magistrado, a promotora de Justiça Daniele Borghetti Zampier de Oliveira, os advogados de defesa Mauro Sandres Melo, Cristina de B. Tomaz e Otília Andréa Martines e as sete juradas que compõem o Conselho de Sentença. A oitiva da adolescente, arrolada como testemunha de acusação, durou 53 minutos, das 10h54 às 11h47.
Segundo a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, ela e o irmão mais novo presenciaram o momento em que a mãe foi atropelada. Antes do julgamento, a avó materna, Rosângela Fernandes, afirmou que a neta prestaria depoimento e contou que o menino, hoje com cinco anos, ainda sente a ausência da mãe. "Todo dia ele dá bom-dia e boa-noite para a foto dela", relatou.
Pela manhã, as famílias acompanharam o início da sessão em lados opostos do plenário. A família da vítima estava representada pela mãe, dois tios e uma prima de Andressa. Já a do réu compareceu em maior número, com cerca de 15 pessoas, entre pais, irmãos, cunhados e amigos.
Willames responde por feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. O Ministério Público sustenta que ele atropelou intencionalmente Andressa duas vezes, após uma discussão em frente à casa onde moravam, na presença dos dois filhos do casal. A defesa afirma que o atropelamento foi um acidente. A expectativa é de que o julgamento seja concluído no fim da tarde.

Testemunhas - Antes de a adolescente prestar depoimento, as testemunhas de defesa sustentaram que o relacionamento entre Willames e Andressa era semelhante ao de outros casais e disseram desconhecer episódios de violência doméstica.
Um amigo da família afirmou que frequentava a casa, onde eram comuns confraternizações, e que nunca presenciou brigas. A cunhada do réu declarou que Andressa jamais relatou agressões e que o casal planejava viajar para Alagoas e providenciar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) da vítima.
O irmão de Willames, Wilton Monteiro dos Santos, disse que visitava a residência diariamente e descreveu a convivência dos dois como "normal".
O soldado do Corpo de Bombeiros Vladmir Samaniego de Siqueira Santos relatou que, quando a equipe chegou ao local, Andressa já estava sem sinais vitais e foram realizadas manobras de reanimação por cerca de uma hora. Segundo ele, Willames demonstrava desespero, perguntava sobre o estado de saúde da esposa e precisou ser afastado por interferir no atendimento dos socorristas.
Wilton afirmou que ajudou a retirar o veículo de cima da vítima para facilitar o socorro e o irmão chorava enquanto pedia ajuda. Maria Patrícia também disse que a filha do casal sente saudades do pai e teria afirmado à família que considera o ocorrido um acidente. Ao ouvir a declaração, o réu se emocionou e enxugou as lágrimas com a gola do casaco.
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