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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

26/05/2013 08:00

Justiça tenta "fazer as pazes" entre alunos que levam briga para escola

Mariana Lopes
Equipe da Justiça Restaurativa ouve os alunos (Foto: Marcos Ermínio)Equipe da Justiça Restaurativa ouve os alunos (Foto: Marcos Ermínio)

Tudo começou com uma indireta postada no Facebook, depois vieram as provocações verbais e bem diretas. E a gota d’água foi uma ligação na qual uma das alunas ameaçou bater na outra caso ela não parasse de persegui-la. A história foi parar na diretoria da escola na qual as duas estudam e poderia tem um desfecho trágico. Mas não teve.

Desde fevereiro deste ano, um projeto chamado Justiça Restaurativa faz o trabalho de reconciliação entre alunos em três escolas de Campo Grande e, assim, tenta diminuir o índice brigas e violência.

Na escola estadual José Maria Hugo Rodrigues há mais de 20 anos, a diretora adjunta Aparecida Gonçalves Costa traça um perfil das causas e circunstâncias das confusões. Ela afirma que, na maioria dos casos, a rixa começa fora do colégio e o problema externo é resolvido durante os intervalos ou saída da aula.

Segundo a diretora adjunta, meninas entre 12 e 16 anos são as que mais se envolvem em brigas. “Quase sempre é porque uma deu em cima do namorado da outra ou algo do tipo, hoje também é muito comum a confusão ser desencadeada nas redes sociais, até mesmo com um simples comentário, por tudo eles se inflamam e depois vão tirar satisfação com o outro na escola”, explica Aparecida.

Em situações assim, a diretora afirma que é difícil a escola ter controle. “É um problema externo, além do mais, as pessoas estão muito intolerantes, umas com as outras, não podem olhar diferente, que já querem resolver na porrada, inclusive as meninas”, justifica a educadora.

Garota de 14 anos desabafa que foi a primeira vez que teve a oportunidade de ser ouvida (Foto: Marcos Ermínio)Garota de 14 anos desabafa que foi a primeira vez que teve a oportunidade de ser ouvida (Foto: Marcos Ermínio)

Outro caso que chegou às mãos da equipe da Justiça Restaurativa envolveu oito adolescentes de uma escola. A confusão começou em um poliesportivo, quando um garoto pediu emprestada a bicicleta de um colega da escola para outro adolescente.

No outro dia, durante o intervalo da aula, o dono da bicicleta foi tirar satisfação com o aluno que fez a intermediação, alegando que ele tinha devolvido o veículo danificado. De pronto, o adolescente se esquivou e disse que foi o colega quem usou a bicicleta.

Ele, então, foi procurar o garoto que realmente usou o veículo e este disse que havia deixado a bicicleta no local na mesma condição que pegou. Os dois saíram aos socos e chutes e ainda envolveram mais seis alunos na briga.

Resultado - Como o projeto ainda tem pouco tempo de atuação, não há um balanço que mostre efetivamente os resultados. Contudo, a equipe afirma que as reconciliações têm dado certo e diminuído as brigas nas escolas, que, segundo a diretora adjunta Aparecida, toda semana acontece pelo menos uma.

O caso da adolescente que abriu esta matéria ainda está em andamento com a Justiça Restaurativa. Já foram ouvidas as duas meninas e os pais delas. E a constatação das psicólogas e do professor é de que nem toda vítima é vítima e nem todo agressor é de fato agressor.

“Nunca me ouviram, sempre fui acusada sem poder explicar o que tinha acontecido, mas agora foi diferente, eu tive a chance de falar”, desabafa a adolescente, de 15 anos. Ela conta que só ligou na casa da outra aluna porque não aguentava mais ser provocada.

O bullying é dos fatores que provoca briga nas escolas (Foto: Marcos Ermínio)O bullying é dos fatores que provoca briga nas escolas (Foto: Marcos Ermínio)

Bullying – Outro problema que resulta em brigas nas escolas é o bullying. A Justiça Restaurativa está atendendo uma menina de 14 anos que a professora encontrou uma faca na mochila dela. A justificativa para a arma foi direta. “Ela disse que queria furar uma colega de sala que não parava de perturbá-la, com piadinhas”, conta os profissionais que atenderam a garota.

Outro adolescente que sofre do mesmo preconceito, também de 14 anos, disse que por quase um ano aguentou provocações de outros alunos, e da atuação do projeto, a situação foi controlada. “Não somos amigos, mas hoje convivemos bem, eles não me ofendem mais, está tudo bem”, conta o garoto.

Reflexo – Segundo a psicóloga do projeto Célia Rocha Calarge, o contexto dentro de casa reflete diretamente no comportamento dos adolescentes. Ela explica que na maioria dos casos nos quais os alunos são agressivos há histórico de desestrutura familiar.

Quando o caso é mais complexo e exige uma atenção especial, os envolvidos e os familiares são encaminhados para psicólogos ou assistentes sociais. “Em casos extremos, fazemos visitas nas casas dos alunos também, não é um trabalho que se limita à escola, precisamos saber de todo o contexto”, afirma a equipe.

A equipe só não interfere nas medidas disciplinares aplicadas pelas diretorias das escolas. “Suspensão, advertência ou até mesmo expulsão é de responsabilidade do colégio, nosso trabalho é evitar que o aluno seja estigmatizado como criminoso e que os casos no juizado de menor diminua”, explica os profissionais da Justiça Restaurativa.

O projeto é realizado nas escolas estaduais Professor Hércules Maymone, Arlindo de Andrade Gomes e José Maria Hugo Rodrigues, mas o objetivo é ampliar para mais colégios até o segundo semestre. A idealização do projeto é uma parceria entre a Secretaria de Educação do Estado e o tribunal de Justiça, através da Coordenadoria da Infância e Juventude.



A justiça restaurativa vai além do conflito escolar, ela busca, partindo da escola, conscientizar toda a sociedade sobre a importância de como devemos lidar com as situações de conflito que enfrentamos em nosso dia-a-dia, usando a inteligência e o diálogo, e não agindo de forma impulsiva. Dessa forma ela busca resgatar diversos valores que estão se perdendo, como a responsabilidade, humildade, honestidade, respeito entre outros.
 
Paulo Fernandes em 27/05/2013 11:20:04
Parabéns à toda equipe da escola José Maria, vocês fazem um exelente trabalho, todoas as escolas deveriam seguir este belo exemplo!!!
 
Elizangela F. D. em 27/05/2013 07:08:40
Excelente esta parceria da Educação com a Justiça, pois a cada dia está mais difícil ministrar aula e ser gestor de uma escola, não pela parte pedagógica, mas sim pela indisciplina e violência. Acredito que vai dar certo esta parceria. Tomara que chegue aqui em Aparecida do Taboado, na Escola Frei Vital de Garibaldi, onde trabalho, não no aqui, mas em todas as escolas.
 
maria margarida de matos em 26/05/2013 20:02:15
Realmente, isto tem acontecido não só nas escolas municipais como também nas escolas particulares.Dessa forma, venho apoiar o projeto, haja vista que os próprios coordenadores de escola e professores não estão dando conta de tamanha violência entre os alunos. Semana passada, minha filha de 7 anos foi agredida por um menino de 8 anos, com um chute no estômago e foi parar no hospital (Prontomed). O detalhe é que ela estuda em escola particular, muito bem conceituada aqui em Campo Grande. Nada foi feito com o aluno, que ficou impune. Dois dias depois, mesmo com toda a reclamação que fiz na escola, o menino cometeu a mesma agressão, só que com outra aluna. Porém essa tem 6 anos, mais frágil e menor que minha filha. E ainda continuou impune, sem levar alguma suspensão.
 
wagner abrahão em 26/05/2013 18:01:15
O projeto é excelente e cuida da raiz do problema e ajuda a promover a cultura da paz, pelo diálogo, pela conciliação, e não pela simples imposição de uma punição que, no mais das vezes, não consegue verificar o que está provocando ou acabou provocando a agressão. O papel da Justiça, sobretudo quando lida com pessoas em processo de amadurecimento, é o de auxiliar na construção de uma mentalidade sadia, consciente e que possibilite resolver as pendências pelo diálogo, reconciliação, arrependimento.
 
Roberto Ferreira em 26/05/2013 13:07:40
De fato, nem sempre quem agride é o agressor, muitas vezes o agressor é o que se faz de santinho e de vítima. O que ocorre é a provocação oculta e persistente da suposta vítima, para que a culpa caia sobre o suposto agressor, que assim agiu por defesa própria ou por aborrecimento persistente da suposta vítima que na realidade é o verdadeiro agressor.
Isto tem ocorrido em razão das inversões de valores pelo qual, a própria justiça tem acolhido, com legislações que favorece até os "Direitos humanos", entender que o bandido deve ser tratado humanamente, quando na verdade os bons cidadões sofrem o verdadeiro "bullying", judicial pois não encontram guarida, e o agressor e bandido, são logo beneficiado pela justiça em detrimentos a troca de valores.
 
Roberto Motta em 26/05/2013 09:27:29
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