Faturando R$ 600 mil ao mês, jogo do bicho lavava dinheiro comprando até avião
A estimativa é de que, ao longo de cinco anos, a organização tenha lavado cerca de R$ 36 milhões
A denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na 4ª fase da Operação Successione, que investiga a exploração do jogo do bicho e lavagem de capitais, aponta que a organização criminosa liderada pela família Razuk faturava, no mínimo, R$ 600 mil por mês com a jogatina. Para dar aparência de legalidade aos valores, o grupo criou empresas de fachada e chegou a adquirir até uma aeronave.
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Uma organização criminosa liderada pela família Razuk, investigada na 4ª fase da Operação Successione, movimentava cerca de R$ 600 mil mensais com o jogo do bicho. O grupo utilizava empresas de fachada e aquisição de bens de alto valor para lavar aproximadamente R$ 36 milhões ao longo de cinco anos. Entre as operações suspeitas estão a compra de uma aeronave por R$ 1,1 milhão, depósitos fracionados totalizando R$ 690 mil e a aquisição de imóveis rurais. O esquema envolvia operadores financeiros como Marcelo Tadeu Cabral, Marco Aurélio Horta e o advogado Rhiad Abdulahad, que mantinha valores expressivos em espécie em sua residência.
A estimativa é de que, ao longo de cinco anos, a organização tenha lavado cerca de R$ 36 milhões. Por isso, o Gaeco pede à Justiça o perdimento desse montante em bens e numerários. Segundo a denúncia, o dinheiro “circulou pelo sistema financeiro nacional e pela economia formal, com a roupagem de lícito, encoberto pelas mais diversas atividades desenvolvidas pela família Razuk”.
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Entre os mecanismos apontados está a tentativa de criação de uma empresa de fachada no Brasil, em parceria com um empresário paraguaio. O empreendimento teria aparência legal, mas atuaria com jogos ilegais, nos moldes de um cassino. As tratativas envolveram o empresário estrangeiro e Marcelo Tadeu Cabral, denunciado no esquema e apontado como um dos operadores financeiros do grupo.
Em conversa interceptada, o empresário identificado como “Artista” ou “Amauri” envia a Cabral um vídeo mostrando uma sala com várias máquinas de jogos on-line instaladas. Na sequência, é questionado se poderiam firmar parceria para instalar o negócio no Brasil, por meio de uma empresa que funcionaria como fachada.

Outro operador financeiro citado é Marco Aurélio Horta, então assessor do deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk. Segundo o Gaeco, ele realizava pagamentos de despesas pessoais do parlamentar e de familiares, chegou a entregar cartão de crédito para uso de Neno e efetuou a compra de um avião.
Em interrogatório, Horta afirmou que, embora o contrato de compra da aeronave estivesse em nome de Neno, o verdadeiro proprietário seria o pai dele, Roberto Razuk. Na residência do ex-assessor foi encontrada uma via original do contrato de compra e venda do avião, assinada e com firma reconhecida, no valor de R$ 1,1 milhão.
Ainda conforme a denúncia, parte do pagamento da aeronave — inclusive a última parcela — teria sido feita em dinheiro vivo. As prestações, segundo o Gaeco, eram elevadas, sendo a menor de R$ 100 mil, o que reforça a estratégia do grupo de adquirir bens de alto valor com recursos em espécie para converter dinheiro ilícito em patrimônio aparentemente legal.
Lavagem – Outros indícios de lavagem de dinheiro citados na denúncia são a apreensão de 113 comprovantes de depósitos em dinheiro, feitos de forma fracionada, que somam R$ 690 mil. Na casa de Horta também foram encontradas 13 lâminas de cheques assinadas por Neno Razuk, totalizando R$ 841,1 mil.
De acordo com o Gaeco, os cheques eram utilizados como garantia na aquisição de bens pela família Razuk e, posteriormente, resgatados por Marco Aurélio Horta, que atuava como intermediário nos negócios, após efetuar os pagamentos em dinheiro vivo, proveniente do jogo ilegal.
Sobre os depósitos fracionados, com valores de até R$ 2 mil cada, a denúncia destaca a ausência de identificação do remetente, estratégia adotada para evitar a detecção pelos órgãos de controle, especialmente o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), em prática típica de lavagem de dinheiro.
Horta também teria negociado o pagamento de uma dívida pessoal do deputado, adquirido um veículo em seu próprio nome para uso de Neno — com parcelas debitadas em sua conta — e, posteriormente, cobrado os valores da família Razuk.
Além de Cabral e Horta, o Gaeco aponta o advogado Rhiad Abdulahad como um dos envolvidos na lavagem de capitais. Segundo a denúncia, ele mantinha em sua residência R$ 274,9 mil e € 1.065 em espécie, valores apreendidos durante a quarta fase da operação.
Ainda conforme o Gaeco, Abdulahad comprou à vista, com dinheiro vivo, um imóvel rural de cerca de 40 hectares por R$ 300 mil, em junho de 2025, além de automóveis que não foram transferidos para seu nome, ocultando e dissimulando o destino do dinheiro. Entre os bens estão um motorhome avaliado em R$ 245 mil e uma caminhonete S-10, no valor de R$ 235,2 mil.
A denúncia também aponta que a abertura de empresas de apostas foi utilizada como forma de branqueamento de valores, com o objetivo de misturar recursos do jogo do bicho e de outros jogos de azar.
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